Leia a História dos 21anos da CGTB

CGTB:
Uma História em defesa do Brasil!

A greve geral convocada pelo Comando geral dos Trabalhadores, em 1961, matou no nascedouro a tentativa dos grupos prós-americanos de impedir que o presidente nacionalista João Goulart pudesse governar, garantindo a convocação do plebiscito que permitiu o retorno do presidencialismo. A mobilização dos trabalhadores e dos militares do 3º Exército foi decisiva para garantir que os interesses nacionais saíssem vitoriosos naquele momento.

O Comando Geral dos Trabalhadores era, na época, a organização mais sólida do movimento democrático, com maior capacidade de mobilização e merecedora de um imenso respeito por parte de toda a sociedade. Foi a vértebra da frente Popular firmada em 1963 para sustentar a luta pelas reformas de Base que dariam continuidade ao projeto de desenvolvimento iniciado por Getúlio Vargas em 1930.

A fonte desta força residiu precisamente na poderosa estrutura sindical organizada a partir da Revolução de 1930. O sistema confederativo possibilitou que todos os trabalhadores, de todas as categorias, se unissem sob um comando único. O CGT foi o vértice da estrutura sindical, apoiada nas confederações, nas federações, nos sindicatos e numa enraizada organização nas empresas.

O desvio encontrado pelos grupos anti-nacionais para reagir à vertiginosa mobilização nacional foi o estímulo e o apoio político e financeiro ao golpe de 64 e a instalação da ditadura. O Comando foi formalmente desorganizado pelas forças repressivas. Seus dirigentes foram para a clandestinidade, presos e exilados. O autoritarismo tentou, inutilmente, esvaziar os sindicatos. Reuniões intersindicais e assembléias foram reprimidas. Mas a estrutura resistiu.

E foi no movimento sindical que o fogo reacendeu com a grande mobilização nacional que colocou por terra a ditadura através das greves de 1978 e no 1º de Maio, ambos em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

Surgiu então a 1ª CONCLAT – Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras – realizada de 21 a 23 de agosto de 1981, na cidade de Praia Grande, no litoral paulista, onde reuniu 5.030 delegados na primeira grande reunião intersindical desde o golpe.

Os líderes que organizaram a CONCLAT e lideraram a greve do dia 21 de julho de 1983, em especial Joaquinzão, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, iniciam a caminhada rumo a fundação da Central Geral dos Trabalhadores, através da realização da Coordenação Nacional da Classe Trabalhadora em 1986. Dois meses antes do seu Congresso de Fundação em 1986, no mês de janeiro, a CGT organizou o primeiro Congresso Nacional da Mulher Trabalhadora, maior congresso feminino da história do movimento sindical internacional, com mais de 4 mil delegadas da cidade e do campo.

Nos dias 21,22 e 23 de março de 1986 foi reconstruída a CGT, no maior e mais representativo Congresso já realizado pela classe trabalhadora, fruto da mobilização e da luta pela unicidade do movimento sindical brasileiro. Este Congresso teve a participação de 5.546 delegados, representando 1341 entidades sindicais com representação em todos os estados brasileiros.

Reconstruída, a CGT retoma a seu caminho em defesa da democracia e dos direitos trabalhistas.

A CGT foi a primeira organização popular a levantar a bandeira do impeachment de Collor. Derrotou, em 1993, a tentativa de se rasgar a Constituição de 1988, realizando a grande manifestação dos 40 mil trabalhadores em frente ao Congresso Nacional. Liderou as duas primeiras manifestações populares contra o entreguismo de FHC, em São Paulo e Brasília, junto com a Frente Tiradentes, em defesa das estatais, da indústria nacional, do emprego e da Previdência Social.

A CGT organizou e vertebrou a batalha popular contra a entrega de nosso patrimônio, doando, literalmente, o seu sangue para barrar a privatização da Usiminas e da Cosipa, momentos em que os “leilões” transformaram-se em batalhas campais que resumiam a determinação e a contrariedade dos brasileiros em permitir que suas empresas fossem parar em mãos estrangeiras.

No bojo destes acontecimentos e na denúncia do mal que o neo-liberalismo traria para o nosso país, isto é, ruína, desemprego e fome, a CGTB realizou o seu III Congresso. Centenas de sindicatos representados por 1.600 delegados participaram de uma grande mobilização sindical contra o arrocho, o desemprego, contra Fernando Henrique e o que de mais nefasto ele representava, e pela unicidade sindical.

O Congresso foi realizado em Serra Negra, no interior de São Paulo, nos dias 8,9 e 10 de março de 1994. Deste Congresso, vitorioso no nascedouro, se iniciou a luta conjunta entre a CGTB, a CUT e a CGT pela reposição salarial de 12%, culminando com uma grande mobilização nacional no dia 20 de setembro.

O discurso do presidente Antônio Neto, na abertura do Congresso, resumiu o espírito no momento em que se deu este evento. Veja alguns trechos: “Enfrentando na rua a tentativa de imposição do neoliberalismo neste país, desde 1990 com a posse de Fernando Collor de Melo, fomos nós, da CGT, que primeiro pichamos o país a exigir que fosse feito o resgate da dignidade deste povo, com a frase impeachment, já!”. “Naquela época, quando colocamos esta palavra, dizíamos que era crime de responsabilidade privatizar nossas estatais”, afirmou o presidente Neto.

Durante os próximos oito anos a CGTB organizou e buscou a cada momento unificar a luta dos trabalhadores pela independência do Brasil, contra as privatizações, contra o desemprego e a destruição do parque industrial brasileiro, resumo do desgoverno Fernando Henrique.

Desde a Cosipa, Usiminas, Vale do Rio Doce e a defesa do monopólio estatal do petróleo, a CGTB esteve presente e atuante, mobilizando e levando milhares de brasileiros às ruas para defender o seu patrimônio.

Na área internacional, a nossa entidade também teve um papel importante e marcante nos momentos mais decisivos da humanidade. Neto foi eleito presidente da Federação Sindical Mundial, fazendo com que a nossa luta ultrapassasse fronteiras e mobilizasse ativistas em todo o mundo. Palestina, Iraque, Líbia, Coréia Popular, Venezuela, Iugoslávia, China, Cuba, Equador, Argentina, entre outros, em todos os lugares onde os povos lutam e lutavam pela sua auto-determinação e contra a espoliação, a CGTB esteve presente levando o seu apoio e a sua contribuição.

Durante todos esses anos, a CGTB buscou unir os diversos setores da sociedade brasileira na luta contra a destruição do Brasil. Apoiamos integralmente a candidatura do companheiro Lula à Presidência da República, participando ativamente de sua campanha e denunciando os desmandos do desgoverno anterior, que saiu representado pelo tucano José Serra, derrotado nas últimas eleições.

Com a vitória de Lula, a CGTB vem atuando ao lado do presidente, apoiando e participando de ações importantes para erradicar a Fome, através do Fome Zero e do Consea, onde nosso vice-presidente, Ubiraci Dantas, é membro, da formulação de políticas de desenvolvimento econômico através do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, e do programa de erradicação do analfabetismo, onde a CGTB firmou importante parceria com o MEC e com a iniciativa privada para combater esse mal que ainda assola o país.

História dos 21anos da CGTB

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