Temer diz a partidos para usarem chibata em seus deputados senão reforma já era

Suborno não garantiu os 308 votos

Rejeição ao assalto à Previdência cresce em 99,99% da população

O novo “método” de Temer para assaltar a Previdência – isto é, para aprovar a indecente proposta de emenda constitucional (PEC) que corta direitos à aposentadoria há muito conquistados pelos trabalhadores – é, ele mesmo, uma confissão de fracasso. E o resultado foi também um fracasso.

Resumindo: Temer reuniu os presidentes e líderes dos partidos da chamada “base governista” para intimá-los a “fechar questão”, isto é, obrigar seus deputados a votar na PEC do Além-túmulo – aquela em que o trabalhador se aposenta, na melhor das hipóteses, às vésperas de morrer.

FRACASSO

[NOTA: Antes que alguns leitores, com excessiva boa fé, digam que estamos exagerando: exigir que o trabalhador tenha, ao mesmo tempo, 40 anos de contribuição à Previdência – em um país onde os períodos de desemprego são frequentes – e também 65 anos de idade (ou 62, no caso das mulheres) para que sua aposentadoria seja integral, é condenar a maioria a morrer no trabalho ou a passar fome e doença até a morte com uma aposentadoria miserável. Nem é preciso lembrar o que acontece, pelo decréscimo de forças devido à velhice, com um trabalhador dentro de uma fábrica, ou, pior ainda, com trabalhadores braçais, por exemplo, cortadores de cana, pedreiros ou arrumadores de cargas. E essa é a versão mais “suave” do ataque à Previdência, que, evidentemente, não vai ficar por aí, se este for aprovado.]

Na quarta-feira, a reunião da direção do PSDB para discutir a “reforma da Previdência” – com a presença do secretário da Previdência, Marcelo Caetano, e do relator da “reforma”, Arthur Maia – fracassou por falta de gente. Os dirigentes tucanos, em sua maioria, não foram à reunião; a começar pelo líder da bancada na Câmara, Ricardo Trípoli, pelo governador Geraldo Alckmin e pelo vice-presidente do partido, senador Tasso Jereissati (CE).

Em compensação, estavam o Aécio e o Imbassahy, ambos defendendo o “fechamento de questão” com a PEC de Temer. No fim da reunião, o deputado e ex-ministro Bruno Araújo informou à imprensa que “não houve fechamento de questão”.

Na terça, o governador Alckmin, que será presidente nacional do PSDB, declarou que “fui deputado federal durante oito anos e nunca teve fechamento de questão. Em política, você convence. Política é convencimento”.

Depois do presidente interino do PSDB, Alberto Goldman, ter dito que, em seu partido, “tem pessoas que já têm posição absolutamente firmada contra, outras absolutamente firmada a favor, e outros, um grande número, não tendo convicção da necessidade das mudanças”, foi a vez do líder da bancada, Ricardo Trípoli, dizer que a PEC do Além-túmulo tinha o apoio “de 15 a 20 dos 46 deputados do partido. O resto não quer mesmo votar”.

JERICO

Nos detivemos nos tucanos, aqui, somente para mostrar como a exigência de Temer de que os partidos “fechem questão” é estúpida e, a rigor, fora da realidade.

Como é possível fechar questão se a maioria dos deputados, inclusive no PSDB e no PSD – partido de Meirelles – estão contra a PEC do Além-túmulo?

É necessário ter um cérebro de banha – ou substância pior – como o de Temer e sua quadrilha, para pensar (?) em obrigar os deputados, como se fossem lacaios-peniqueiros, a botar a mão na sujeira, isto é, a votar no que eles não querem votar.

Mas por que surgiu essa ideia de jerico?

Porque o dinheiro, a propina – ou as promessas de suborno – não conseguiram os votos para aprovar essa insânia, que só um débil mental, tipo Meirelles, pode achar razoável.

Até para a base governista é demais, considerando as consequências eleitorais a curto prazo, em um Congresso já com popularidade menor que injeção no olho ou do que Judas em sábado de Aleluia.

Não é que Temer & quadrilha tenham subornado pouco – ou prometido menos suborno. Os cálculos mais insuspeitos (isto é, governistas) atingem um gasto de R$ 14,5 bilhões – em dinheiro público, sob várias formas, para alugar deputados.

Na segunda-feira, o Planalto anunciou que não somente tinha conseguido os 308 votos para quebrar a Previdência, mas estavam sobrando votos. Algum gênio achou que, se essa “novidade” se espalhasse, criaria um “efeito manada”, forçando deputados que resistem, a mudar de posição.

Mas todo mundo sabia que era mentira. Como, aliás, disse o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, quando sentiu o desastre: “Acho que divulgar número não ajuda. Ficar falando número, acho que não ajuda muito no processo de convencimento, fica parecendo uma pressão sobre os deputados”.

Se não conhecêssemos o sujeito, diríamos que ele acabou de fazer a primeira comunhão. Mas tal frase (“fica parecendo pressão sobre os deputados”) não é uma consequência do estado de graça. O que ele registrou foi o fracasso do governo – e tirou logo o corpo fora.

E, mais, disse Maia: “Não vou colocar para votar essa matéria para que, com uma expectativa de derrota, a gente tenha um resultado muito pior. Se tiver um sentimento de que a matéria vai ser derrotada, você vai ter 100 votos no plenário”.

Pelo menos na cabeça de Maia, o “efeito manada” mais provável é na direção oposta.

SUBORNO

Já que o suborno não funcionou, Temer, um ladrão desmoralizado, que tem 98% de repúdio da população, um elemento que ninguém respeita neste país, resolveu partir para a ignorância (hum…): obrigar os deputados a votar no que eles não querem votar.

E, claro, o PMDB “fechou questão” – com Moreira Franco declarando, ao fim da reunião, que não estava prevista punição para quem mandasse o fechamento de questão àquela parte.

Dos outros partidos, somente Roberto Jefferson, quer dizer, a parte do PTB em que ele manda, “fechou questão”. Mas não de graça: Jefferson pediu um aumento no valor das emendas individuais do Orçamento de 2018, atualmente em R$ 14,7 milhões para cada um dos 594 deputados.

Segundo declarou Jefferson, sua revindicação é que o valor das emendas aumente em 20 milhões de reais por cabeça. Assim, o valor total iria de R$ 8,7 bilhões para R$ 20,6 bilhões, com uma consequência: o valor do fundo eleitoral recentemente votado aumentaria, pois ele é uma percentagem sobre o valor total das emendas parlamentares. Assim, as organizações criminosas teriam mais dinheiro para a campanha eleitoral – ou para encher os bolsos de seus dirigentes.

Nas palavras de Jefferson:

“Vale a pena pagar (o aumento das emendas), porque você vai pegar uma incompreensão que vai haver naturalmente contra os deputados, mas compensa dando dinheiro a eles”.

Fora esse elemento, ninguém seguiu o PMDB. Como disse o líder da bancada do PSD, partido de Meirelles, “cada bancada tem sua realidade e a nossa não sai prometendo o que não tem”.

Pela mesma razão, o deputado Rodrigo Maia disse que “não é relevante fechar ou não questão”. Aliás, o seu próprio partido, o Dem, não “fechou questão”.

CARLOS LOPES

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