Greve geral contra medidas de arrocho paralisa Bélgica em dia de cúpula européia

A Bélgica ficou paralisada na segunda-feira (30) pela greve geral convocada pelas principais Centrais Sindicais em protesto contra os planos de arrocho impostos pelo governo, que incluem o atraso da idade de aposentadoria e a redução nas prestações do seguro-desemprego. A última greve geral lançada em conjunto pelas três Centrais foi há 20 anos.

Os transportes coletivos não funcionaram, incluindo os trens de alta velocidade que unem Bruxelas, Paris, Amsterdã e Londres. Os chefes de Estado e do Governo da União Europeia (EU) não puderam aterrissar no aeroporto de Zaventem para comparecerem à cúpula, realizada na segunda-feira em Bruxelas, porque o aeroporto foi fechado, e recorreram a helicópteros, aviões e aeroportos militares.

Os problemas nos transportes de mercadorias fizeram com que alguns supermercados decidissem não abrir ao público, tanto em Bruxelas como na região de Valônia. Os correios não funcionaram e os trabalhadores do porto de Antuérpia, um dos maiores da Europa, paralisaram completamente a atividade. Em algumas estradas do país, comissões sindicais promovem operações de paralisação do tráfego para divulgação de informação sobre os motivos da luta.

Os trabalhadores criticam a postura do Governo, que “deseja sair da crise pela via dos cortes, ao invés de apostar no emprego e no crescimento”, afirmou Jan Vercamst, porta-voz da central Geral de Sindicatos Liberais da Bélgica (CGSLB).

Diante do edifício do Conselho da UE, onde a cúpula foi realizada, Vercamst e demais porta-vozes e os secretários gerais dos sindicatos belgas se reuniram para protestar e expor suas reivindicações.

O secretário-geral da Confederação de Secretários Cristãos (CSC), Claude Rolin, lamentou que as políticas de austeridade tivessem que ser estendida por toda a UE, afirmando que essa medida foi imposta pela chanceler alemã, Angela Merkel. “O Que diria a Merkel? Diria que ela se equivoca com seus cortes, que está pondo a Europa em perigo e que a Alemanha não é modelo de nada, já que o que estão conseguindo é fruto do resto dos países”, disse Rolin.

Para o secretário-geral da CSC, “a melhor prova do fracasso das políticas de austeridade é a Grécia, onde levam dois anos fazendo recortes e estão cada vez pior”.

Com informações das agências internacionais