Jaélcio Santana/Força Sindical
Dirigentes das Centrais com representantes do setor produtivo na sede da Fiesp

Centrais chamam empresários para grande mobilização nacional em defesa da retomada do crescimento

As Centrais Sindicais CGTB, CTB, Força Sindical e UGT realizaram uma reunião na quinta-feira (26) com representantes da indústria e do comércio para debater medidas em defesa da indústria e dos empregos no país, na sede da Fiesp. Os sindicalistas convidaram os representantes do setor produtivo para uma grande manifestação em nível nacional contra a política econômica de juros altos do governo. Em São Paulo, o ato será realizado na Avenida Paulista.

“Fomos procurar os empresários com o objetivo de fazer uma grande mobilização nacional em defesa da retomada do crescimento, da indústria e dos empregos. Nós só vamos conseguir isso com a redução acelerada dos juros, e não com redução a conta gotas, com o equilíbrio do câmbio e uma política do Estado de encomendas e financiamento para as empresas nacionais. A idéia é fazer uma grande manifestação com empresários e trabalhadores. Esse movimento começou com a mobilização pela redução dos juros”, disse Carlos Alberto Pereira, secretário-geral da CGTB.

De acordo com Paulo Pereira da Silva (Paulinho), presidente da Força Sindical, “os principais problemas a serem atacados são os juros altos do país e o câmbio hipervalorizado, mas as medidas a serem adotadas ainda serão debatidas. O Brasil possui diversos outros mecanismos nocivos às empresas, como uma carga tributária altíssima e pouco incentivo a quem realmente produz, mas acreditamos que se resolvermos essas duas questões fundamentais, a mudança já será significativa”.

"Estamos nos unindo pela retomada do desenvolvimento, com geração de emprego e distribuição de renda. Estamos preocupados com os postos de empregos na indústria nacional que estão sendo fechados. É preciso que se faça algo nesse sentido. Com essa política macroeconômica vai ser difícil conseguir mudar esse cenário", destacou Pascoal Carneiro, secretário-geral da CTB.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou que “ que é unanimidade, aqui, é que o governo federal tem um descaso com os setores produtivos brasileiros. O setor produtivo, trabalhadores e empresários, está de mãos dadas para chamar atenção do governo para a produção deste país”.

Segundo pesquisa da Fiesp, divulgada no começo deste ano, somente em dezembro, o setor produtivo paulista fechou 35 mil postos de trabalho, uma queda de 1,36% em comparação com novembro, na série sem ajuste sazonal. A principal cauda da quebra da indústria se deve ao aumento das importações, que entraram com força no país ao longo de 2011, graças à desvalorização cambial. No terceiro trimestre de 2011, a participação de produtos importados no consumo brasileiro chegou a um patamar de 23,4%

Ficou definido que será formado um Grupo de Trabalho (GT) com a participação de técnicos das Centrais e da Fiesp. O objetivo do GT será a construção de um plano de crescimento econômico com juros baixos, geração de emprego e distribuição de renda.

Uma nova reunião entre as Centrais e empresários está marcada para o dia 6 de fevereiro.