Maria Pimentel: “Revolução venezuelana abriu um período histórico de luta pela soberania em toda a América Latina” 

“Só com a intervenção do Estado, como fez Chávez, é possível libertar a economia do controle do capital financeiro internacional”, afirmou Maria Pimentel no aniversário da UNT 

Publicamos, abaixo, a íntegra do discurso de Maria Pimentel, secretária de Relações Internacionais da CGTB, na comemoração de um ano da UNT:

“Em nome da delegação sindical internacional aqui presente, da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil e da Federação Sindical Mundial, trago uma saudação fraterna e solidária à União Nacional de Trabalhadores na Venezuela (UNT) pelo seu aniversário – completa um ano de vida, mas já é maior de idade na luta. Saudamos os trabalhadores venezuelanos pela sua jornada histórica dos dias 12 e 13 de abril de 2002 e a unificação da CUTV com a UNT, anunciada hoje, neste encontro e, especialmente, trazemos um grande abraço ao grande líder de todo o processo venezuelano e também da América Latina, o presidente Hugo Chávez.

A América Latina vive um momento muito privilegiado: durante muitos anos, com heroísmo, Cuba foi para todos nós o único exemplo de País Livre em nossa região. Com o sucesso da Revolução Bolivariana na Venezuela, a América Latina começa a viver um novo período histórico da luta pela soberania, a independência e a democracia.

Hoje, com Lula no Brasil e Kirchner na Argentina, podemos dizer que nossa região entra numa nova etapa de câmbios, de integração e de esperança. A união que está se construindo entre Chávez, Lula e Kirchner é o que marca este grande momento.

A herança recebida por Lula, particularmente depois dos 8 anos de destruição de Fernando Henrique, foi terrível: submissão ao capital financeiro internacional, liquidação da indústria nacional, destruição de postos de trabalho e multiplicação da dívida por quase 6 vezes – pulou de 200 bilhões para quase 1 trilhão de reais. 400 bilhões de dólares.

O único caminho que Lula tem para estancar esse roubo de nossas riquezas é intervir no chamado mercado, baixando drasticamente os juros bancários e controlando o cambio.

Só com a intervenção do Estado, como fez Chávez, é possível libertar a economia do controle do capital financeiro internacional. Essa é hoje a consciência que está se formando em amplos setores da sociedade – sindicatos, organizações populares, partidos políticos e empresariado produtivo – que está mobilizando a todos e impulsionando Lula para que ele tome a decisão de intervir, descendo as taxas de juros dos bancos.

A outra grande luta que está mobilizando o movimento sindical brasileiro, e que tem a ver com a luta pela nossa soberania, é a luta pela preservação da Unicidade Sindical, mecanismo que garante que em nosso país ninguém possa dividir os nossos sindicatos.

Nossa Central, junto com as Confederações profissionais, as Federações regionais e os sindicatos de base, fez uma grande manifestação, no último dia 25 de março, em Brasília, que contou com mais de 20 mil dirigentes sindicais, onde se exigiu “Unicidade Sindical, mais emprego, menos juros”.

Esta mobilização é para garantir que no Brasil tenhamos o movimento sindical que nos convém. Não aceitamos que as grandes corporações e a OIT pressionem o governo para dividir nossos sindicatos. A consciência que está se formando no movimento sindical brasileiro é que a ALCA, FMI, CIOSL e a atual administração da OIT são parte do mesmo mecanismo de discriminação e dominação.

Não só a América Latina vive hoje esse momento especial. Outros continentes também estão travando grandes lutas contra o imperialismo norte-americano. A mais importante é a derrota que o povo iraquiano, com seu heroísmo, com o sacrifício da vida de tantos patriotas, e com o apoio internacional, está impondo aos invasores, enfrentando o exército mais poderoso do planeta e, de forma muito mais acelerada do que ocorreu no Vietnã, está expulsando o inimigo.

A luta contra a guerra e pela retirada imediata das tropas invasoras é uma luta de todo o planeta, que se manifesta também fora do Iraque. É o caso de Aznar que, com todo seu aparato, perdeu as eleições na Espanha. Acontecerá o mesmo com Blair na Inglaterra e, dentro de pouco tempo, com Bush nos EUA.

Viva a UNT e os trabalhadores venezuelanos! Viva Chávez e a Revolução Bolivariana! Viva a unidade da América Latina! ”