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Delegados
da II Conferência defendem queda da taxa de juros para gerar emprego e combater
a fome
Carta
de Olinda: ”O custo da dívida pública é a principal causa da Fome e da
exclusão social”
Além de uma
série de resoluções, a II Conferência Nacional de Segurança Alimentar
resultou na formulação de um documento, intitulado Carta de Olinda, onde os
delegados e participantes do evento apontam os principais problemas estruturais,
econômicos e sociais que agravam o problema da fome no Brasil.
De acordo com
a Carta, “os 1.300 participantes, representantes da Sociedade Civil e do Poder
Público, da II Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional Josué
de Castro e Herbert de Souza, consideram a Conferência um marco histórico na
construção da política de segurança alimentar e nutricional no Brasil,
afirmando a garantia universal do direito humano à alimentação e nutrição”.
Juros
altos
Os delegados
consideram que a política de juros altos é um dos principais problemas da
causa da insegurança alimentar implementada no país, em virtude do conseqüente
aumento do desemprego e da queda do poder aquisitivo da população.
“Este modelo causa a insuficiência de renda, o elevado nível de desemprego,
a concentração da terra, a precarização da educação, limita o acesso à
alimentação e nutrição e impede uma vida digna para toda população
brasileira”, afirma a Carta.
“Outras
causas da insegurança alimentar apresentadas são: A fragilização da produção
de alimentos oriunda da agricultura familiar”, destaca o documento,
assinalando que “reverter esse quadro adverso implica em adotar uma política
social e econômica com a efetiva redistribuição de renda, a imediata redução
das taxas de juros e a negociação soberana dos acordos internacionais”.
Propostas
Entre as
propostas apresentadas pelos participantes para ampliar a mudança desse quadro
estão as de “rever a política de exportação e importação de
alimentos, visando não desestruturar a produção nacional, em particular a
proveniente da agricultura familiar e da reforma agrária”, “investir no
Programa Fome Zero como uma das principais estratégias de inclusão social,
orientar os programas e ações de SAN adotando os princípios da
intersetorialidade, assegurando a existência de espaços de participação e
controle social da sua implementação, submeter as políticas econômica e
setoriais ao cumprimento de metas sociais, em especial a geração de emprego,
trabalho e renda e acesso à moradia digna, fatores determinantes do acesso a
uma alimentação adequada por toda a população, fortalecer a produção agrícola
familiar agroecológica e intensificar a reforma agrária, como componentes para
a maior disponibilidade de alimentos e garantir que a Política Nacional de Saúde
seja efetivada em todos os municípios, de forma a contribuir para a reversão
dos agravos relacionados à alimentação”.
“A II
Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional reafirma o direito
do povo brasileiro de produzir e consumir os seus próprios alimentos, segundo o
princípio da Soberania Alimentar, de forma a se ver livre da fome, miséria e
da injustiça social”, conclui o documento.
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