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II
Conferência Alimentar reúne 1.300 delegados em Olinda para traçar planos de
combate à fome
Depois de uma
maratona de debates que envolveu centenas de municípios e inúme-ros estados,
cerca de 1.300 representantes da sociedade civil e do executivo participaram,
entre os últimos dias 17 a 20 de março, em Olinda, Pernambuco, da II Conferência
Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional - considerada um marco histórico
na construção de uma política alimentar - que teve como principal incumbência
formular e propor ao presidente da República as diretrizes básicas para um
plano de erradicação da fome para os próximos anos, além de avaliar as ações
já desenvolvidas no país.
Diante de
centenas de propostas e experiências colhidas nas mais longínquas regiões do
país, resultantes das reuniões preparatórias, coube aos delegados da Conferência
discutir e filtrar as melhores ações já desenvolvidas para o combate à fome
e identificar os problemas estruturais e econômicos que impedem o Brasil de
atingir a garantia universal do direito humano à alimentação. Fruto deste
trabalho, resultou a Carta de Olinda e a aprovação de 48 propostas básicas a
serem implementadas nos próximos anos.
“O Consea
saiu muito fortalecido, pois cumpriu reiteradamente um grande papel nessa questão
que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem, reinteradamente, falando de que
‘nenhum ser humano pode ficar sem ter as três refeições por dia que são
necessárias para uma pessoa viver’ e que é necessário que todo pai e mãe
de família tenha o seu emprego para sustentar a sua prole”, afirmou o
vice-presidente da CGTB e membro do Consea, Ubiraci Dantas (Bira).
De acordo com
o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, que
participou da Conferência, “o desenvolvimento econômico deve estar atrelado
ao desenvolvimento social. Erradicar a fome é uma tarefa do Ministério do
Desenvolvimento Social, mas também dos outros ministérios. Como em um jogo de
futebol, onde cada jogador sabe sua posição e responsabilidade, no Fome Zero
as ações envolvem saúde, educação, agricultura e geração de emprego”.
Os delegados
reafirmaram o importantíssimo papel realizado pelo programa Fome Zero, mas
destacaram que é fundamental agir diretamente em alguns pontos da economia,
como a redução da taxa de juros e do superávit primário, para impulsionar o
crescimento econômico, a geração de renda e emprego para buscar a diminuição
da desigualdade social e garantir a alimentação necessária aos 53 milhões de
brasileiros que vivem abaixo da linha de pobreza.
Nesse
sentido, a Carta de Olinda constata que o modelo econômico de juros altos
“causa insuficiência de renda, o elevado nível de desemprego, a concentração
da terra e limita o acesso à alimentação” e propõe “a imediata redução
das taxas de juros”, além de “submeter as políticas econômica e setoriais
ao cumprimento de metas sociais, em especial a geração de emprego, trabalho e
renda e acesso à moradia digna, fatores determinantes do acesso a uma alimentação
adequada por toda a população”.
Segundo Bira,
é importante “aplicar uma política com redistribuição de renda que
privilegie o desenvolvimento e o crescimento econômico, renegociando de forma
soberana os acordos com os órgãos internacionais, e reduzir a taxa de juros
para que haja investimentos na geração de emprego e renda”.
A Carta de
Olinda também sugere uma revisão da política de exportação e importação
de alimentos, “visando não desestruturar a produção nacional, em particular
a proveniente da agricultura familiar e da reforma agrária”.
Um dos pontos
altos do evento foi os estandes montados pelos Conseas estaduais que discorriam
sobre as experiências e projetos implementados por ongs e órgãos públicos no
sentido de combater a fome. De Norte a Sul, 25 estados estiveram representados,
expondo através de filmes, fotos e livros as mais diversas iniciativas.
Além da
Carta de Olinda e as propostas aprovadas pelos delegados, o encontro resultou
numa série de moções propostas pelos participantes. Dentre eles, foi aprovada
a moção proposta pela CGTB: “Moção pela Paz, exigindo a retirada das
tropas norte-americanas e inglesas” que invadiram e ocuparam o Iraque.
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