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A
indústria quer participar
“O
dirigente empresarial precisa se antecipar aos fatos, participar das decisões,
negociar com as autoridades, buscar soluções”, afirma Paulo Skaf, candidato
a presidente da Fiesp, entidade que “reúne hoje 42% do PIB brasileiro”
PAULO
SKAF*
Poucas coisas
causam mais frustração ao empresário do que ver na televisão os queixumes e
choramingos de seus líderes de classe diante das medidas do Governo. Há uma
reunião no Copom, para fixar a taxa de juros, e depois aparece um dirigente da
Fiesp para se lamentar da taxa fixada. O Governo faz uma negociação e depois
aparece um líder empresarial para se queixar daquilo que foi negociado.
Chega! O
dirigente empresarial precisa se antecipar aos fatos, participar das decisões,
negociar com as autoridades, buscar soluções que atendam aos interesses dos
empresários. O dirigente empresarial precisa apresentar resultados.
Precisa
lutar, por exemplo, por um lugar no Copom, o Conselho de Política Monetária do
Banco Central. Ali ele poderá, no foro adequado, negociar o máximo possível
de baixa na taxa de juros; poderá apresentar seus argumentos em defesa do
crescimento da produção industrial e da geração de empregos; poderá mostrar
por que, do ponto de vista dos industriais, a volta da inflação é um fantasma
distante, uma assombração que não pode acorrentar o desenvolvimento econômico
de todo um país que não pode perder o ônibus da História. E, agindo na
formulação, poupará a todos nós o triste espetáculo mensal das lamentações
por fatos já ocorridos.
Um exemplo
interessante de onde pode levar a participação do empresariado nas decisões
que lhe interessam está na cadeia produtiva têxtil de São Paulo (que vai do
algodão à confecção). Normalmente, cada elo nesta cadeia produtiva paga o
ICMS, Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços, que é descontado
na etapa seguinte. Mas ocorria um fenômeno curioso: vários Estados, por conta
da guerra fiscal, reduziram o ICMS para 12%, contra os 18% cobrados em São
Paulo. Como manter a competitividade da indústria paulista, considerando-se que
o Governo estadual tem uma Lei de Responsabilidade Fiscal a cumprir e não pode
perder receita?
Os líderes
empresariais “da antiga” ficariam protestando contra o ICMS do Estado e não
levariam em conta as necessidades do Governo. A atitude moderna não é essa –
e foi a seguida por nós: após longas negociações com o Governo estadual, o
ICMS foi reduzido para 12% em toda a cadeia produtiva, exceto a etapa final, de
venda ao consumidor, que se manteve em 18%. Com isso, a receita do Estado
continua igual, e nossa indústria manteve sua capacidade de competir no mercado
interno.
O dirigente
empresarial deve ter senso político, capacidade de negociar, vontade de buscar
convergências e sinergias. É preciso reunir todos os setores, sentar-se à
volta da mesa, buscar aquilo que é melhor para todos. Na indústria, há
interesses diversos; mas há também interesses comuns, e são esses que e
preciso privilegiar.
A indústria
brasileira – aliás, a economia brasileira – se assemelha hoje a um grande
arquipélago. É preciso unir essas ilhas e transformá-las num continente. A
união da indústria é boa para a economia brasileira, é boa para o povo
brasileiro, é boa para o Brasil; e por isso deve ser prioritária.
A Fiesp reúne
hoje 42% do PIB, Produto Interno Bruto brasileiro. Precisa ter poder e prestígio
equivalentes a seu peso na sociedade. Às vezes, ouvimos coisas como “a Fiesp
precisa pressionar o Governo”, ou “precisamos fazer pressão”. Nada disso:
quem precisa fazer pressão é quem não tem força. Nossa indústria precisa
ter força para que a pressão seja desnecessária; para que seja ouvida com
atenção e respeito sempre que houver interesses econômicos em jogo.
Todos esses
procedimentos que recomendo, como candidato à presidência da Fiesp-Ciesp,
foram testados – com êxito – na Abit, Associação Brasileira da Indústria
Têxtil e de Confecção. Quando iniciamos nosso mandato, a cadeia produtiva têxtil
gerava um déficit de US$ 1,2 bilhão no balanço de pagamentos do país. Hoje,
pouco menos de seis anos depois, a cadeia produtiva têxtil responde por um
superávit que deve chegar, este ano, perto de US$ 1 bilhão. Houve a transformação
de ilhas em continentes; houve iniciativas de cooperação com as autoridades em
busca de normas mais eficientes; houve estímulo à agregação de valor – é
melhor, para o país, vender calças jeans do que algodão recém-colhido.
E,
reforcemos, tudo o que é bom para o país é bom para a indústria.
*O
empresário Paulo Skaf, candidato à presidência da Fiesp-Ciesp, tem 48 anos,
é casado há 25 e tem cinco filhos. É vice-presidente da Fiesp, membro do
Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República,
do Conselho de Orientação Estratégica da Coalizão Empresarial da Confederação
Nacional da Indústria (CNI) e da Associação do Comércio Exterior do Brasil (AEB). |