Neto, que foi convocado para o Conselho de Política Industrial: “Proteger a indústria nacional e reduzir os juros é o caminho para gerar empregos e ativar a economia” 

“É necessário que se dê prioridade ao produto produzido no território brasileiro. Uma política que gere empregos no Brasil, e não lá fora. Que possibilite transformarmos as nossas matérias-primas em produtos acabados. É a única forma de combatermos a pobreza da maior parte da população, gerando desenvolvimento interno”, ressaltou Antonio Neto na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social 

Na reunião do Conselho do Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) realizada no mês de março último em Brasília, o presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, Antonio Neto, defendeu “uma redução substancial dos juros como passo essencial para viabilizar os investimentos e retomarmos o caminho do desenvolvimento econômico e da geração de empregos”.

Neto afirmou a necessidade de superar a idéia de que juro alto seja remédio para conter a inflação. “Juro alto só faz aumentar a dívida pública, o que implica, necessariamente, em volumosos gastos com pagamentos de mais juros, e encarece os custos e pressiona para o ‘aumento da inflação’”, manifestou, frisando que os juros altos só beneficiam o setor financeiro em detrimento da produção e, portanto, inibem a geração de empregos.

O presidente da Central destacou a necessidade de investimentos em setores como bens de capital, semicondutores, software, fármacos e medicamentos e no desenvolvimento de tecnologia. “A tecnologia é, sem dúvida nenhuma, a moeda das próximas décadas”, apontou.

Neto mostrou  a importância de se investir no setor farmoquímico, “que não tem recebido, ao longo das últimas décadas, a menor atenção governamental. É por isso que ele tem apresentado um déficit na balança comercial brasileira de mais de US$ 4 bilhões por ano”, sendo portanto, necessário “que uma nova política industrial dê a esse setor um tratamento prioritário”.

O dirigente da CGTB ressaltou que a nova política industrial deve contar que o poder público, nas suas compras, dê prioridade absoluta à produção nacional, ou seja aos produtos produzidos no território brasileiro, “que gere empregos aqui, no Brasil, que possibilite transformarmos as nossas matérias primas em produtos acabados. É a única forma de combatermos a pobreza da maior parte da população, gerando desenvolvimento interno”.

Neto reafirmou, na reunião do Conselho de Desenvolvimento, a posição dos trabalhadores de que “só uma política de geração de empregos e renda sustentará a retomada do desenvolvimento econômico e, para isso, é preciso continuar a aplicar uma política de redução nas taxas de juros no país”.