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Manifesto
dos sindicalistas convoca união para “superar a tragédia da herança
neoliberal”
O Fórum
Social do Trabalho (FST) convocou, através de um contundente manifesto
divulgado em Brasília, os trabalhadores para marcharem unidos em defesa dos
direitos trabalhistas e para que o Brasil consiga reencontrar “o caminho da
paz, do progresso e do desenvolvimento econômico com justiça social”.
Abaixo, a íntegra do documento
No momento
em que a Nação sofre novas pressões que ameaçam com agrupamento da crise –
taxas insuportáveis nos juros e no desemprego -, as entidades representativas
da maioria do Movimento Sindical vêm à Praça dos Três Poderes, na capital
federal, neste vinte e cinco de março, para reunir os companheiros e reafirmar
o compromisso histórico da defesa dos trabalhadores, em sua luta patriótica de
construção de um Brasil para todos.
Com o
objetivo de criar as condições para o verdadeiro debate da questão sindical,
em que o consenso fosse alcançado sem vetos ou exclusões a priori, iniciamos
esta luta, em 30 de julho, na CNTI, fundando o Fórum Sindical dos
Trabalhadores, FST, com milhares de Sindicatos, 288 Federações e 14 Confederações,
e que hoje congrega, praticamente, todo o sindicalismo, na mais expressiva
mobilização das últimas décadas.
Desde então,
este movimento caminhou por todas as regiões do País, defendendo,
essencialmente, a unicidade, como o princípio inegociável de qualquer mudança,
a bandeira da geração de emprego, para superar a tragédia da herança
neoliberal, e a ampliação da plataforma dos direitos trabalhistas já
assegurados na legislação.
Mobilização
das bases
Após oito
meses de trabalho, com dezenas de plenárias estaduais que levantaram ampla e
consistentemente nossas bases, produzindo a reflexão necessária ao embasamento
dos debates, vimos o movimento crescer, com a organização dos fóruns
regionais do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.
Refletindo
esse avanço, a mobilização do FST mereceu quatro reuniões com o coordenador
do fórum oficial, para consulta e esforço cooperativo, o que apenas revelou e
aprofundou a divergência básica em relação à unicidade, encerrando-se esse
diálogo quando, no onze de março, em audiência com o ministro Ricardo
Berzoini no Ministério do Trabalho, fomos aconselhados a lutar por nossos princípios
no Congresso Nacional, com projetos outros, que não os do governo.
Hoje, o
FST e o campo majoritário do sindicalismo brasileiro tem o seu projeto de
aperfeiçoamento da organização sindical vigente, conforme a vontade das
classes trabalhadoras, cujos pontos fundamentais reforçam a estrutura,
democratizam a gestão e fortalecem as entidades de base, revigorando sua
autonomia.
Nossa
proposta é diferente da proposta que o governo deverá encaminhar ao Congresso
Nacional, segundo consta, no próximo mês, porque mantém a unicidade, o
sistema confederativo, a estrutura vigente do custeio com a contribuição
sindical inclusive, a representação por categoria e não por ramo de
atividade, a garantia de exclusividade dos sindicatos na prerrogativa da negociação
coletiva, e a organização no local de trabalho.
Retrocesso
de décadas
Como
defesa preliminar de nossas bandeiras, fizemos detalhada análise do anteprojeto
oficial, oferecendo cópia ao ministro, na reunião de onze de março, quando
pudemos denunciar cada uma das ameaças que ele dispara contra os trabalhadores
e os sindicatos, sua concepção divisionista e anárquica destinada a
pulverizar e aniquilar a maioria das entidades existentes, além de retroceder
muitas décadas, ao engessar a todos com atrelamento jamais visto até então.
Unicidade
e democracia
Consciente
das imensas dificuldades que afligem o nosso povo, reafirmamos a nossa certeza
de que o fortalecimento dos sindicatos, o enriquecimento da unicidade e da
democracia, são condições essenciais para um futuro virtuoso para a Pátria,
com a ruptura da herança imposta pelo neoliberalismo, repúdio às ameaças da
banca internacional via FMI, a derrubada da taxa de juros, a fim de que todos
possam voltar a acreditar no valor do trabalho e o Brasil consiga reencontrar, o
mais breve possível, o caminho da paz, do progresso e do desenvolvimento econômico,
com justiça social.
As
entidades reunidas nesta manifestação sindical agradecem a todos os
companheiros e companheiras que aqui vieram, conclamando o nosso movimento a que
se mantenha firme na luta, ampliando a denúncia do que se prenuncia, e
mobilizando cada um dos milhares de dirigentes para esta nova cruzada, com o que
a vitória será certa!
Brasília,
25 de março de 2004.
Pleno do Fórum
Sindical dos Trabalhadores.
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