Nilson Araújo, presidente do Instituto do Trabalho Dante Pellacani da CGTB:

“PPA se propõe a implantar um novo modelo de desenvolvimento”

“Esse PPA se propõe a implantar um novo modelo de desenvolvimento, no qual a questão mais importante, o eixo central, é o desenvolvimento de um mercado de consumo de massa. Um mercado desenvolvido a partir da distribuição de renda e da inclusão social. No processo de discussão com a sociedade essas questões foram aprovadas”, afirmou o economista Nilson Araújo de Souza, presidente do Instituto do Trabalho Dante Pellacani, referindo-se à elaboração do Plano Plurianual (PPA).

“É importante destacar o fato de o novo governo ter submetido o PPA, após longos anos de intransigência, a um processo de discussão pública, com a participação de entidades empresariais e de trabalhadores, organizações populares, ONG’s e órgãos ligados à Igreja”, ressaltou Nilson Araújo.

No processo de discussão foram realizados 27 fóruns em todo o Brasil, sob a coordenação do secretário-geral da Presidência da República, Luiz Dulci. Além disso, foram realizados os fóruns temáticos, como educação, saúde, habitação etc.

Para Nilson, que participou do fórum em São Paulo representando a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), “foi um processo de discussão democrático, um fato inédito na elaboração de um plano de desenvolvimento”. “Temos agora, prossegiu Nilson, a oportunidade de implantarmos uma política que privilegie o trabalho, a produção, baseada na economia real e não em uma economia de fumaça como ocorreu nos últimos oito anos”.

“Não é possível mais prosseguirmos com uma política de favorecimento ao capital financeiro internacional - receita imposta pelo FMI e aceita pelo governo tucano -, com cortes cada vez maiores nos investimentos em infra-estrutura para atingir superávits primários para financiar a agiotagem”, destacou Nilson.

Nas discussões, dois temas foram levantados com bastante ênfase: “A necessidade de se canalizar os recursos que estão sendo drenados para o exterior ou para a especulação financeira para a produção, o que implica em reduzir substancialmente as taxas de juros”, destacou. “Para evitar a fuga de capitais que poderia ocorrer com a queda dos juros, foi indicada a adoção de algum mecanismo de controle de capitais como, por exemplo, a centralização do câmbio”.

A segunda medida importante que foi apontada nos fóruns, segundo Nilson Araújo, “foi a proteção à indústria e ao emprego, ou seja, reassumir o controle da economia nacional. Isso significa, em síntese, pôr em prática o que o presidente Lula estabeleceu em seu discurso de posse: caminhar com as próprias pernas, pensar com as próprias cabeças e ouvir o próprio coração”.