Assassinato de 5 agentes provoca paralisação nas prisões paulistas 

“Os agentes penitenciários foram perdendo as condições de trabalho, foram perdendo o controle, começamos a pedir socorro e não fomos ouvidos, as facções criminosas começaram a se organizar aceleradamente”, diz o presidente do Sindasp e diretor da CGTB, Cícero Sarnei

 “O que gera mais revolta é que este sindicato vem alertando as autoridades há mais de oito anos sobre esse risco. Na época, nos chamaram até de loucos. Hoje, os agentes pagam, com a própria vida, por esse descaso”, denuncia a nota do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo (Sindasp), em repúdio à nova onda de violência contra os agentes do sistema prisional, que só na última semana resultou na morte de cinco servidores. 

Segundo o Sindicato, a omissão do governo tucano em relação à Segurança, iniciada ainda no governo Covas e que continuou nas duas gestões de Geraldo Alckmin, levou o setor ao caos. “Toda vez que entramos para trabalhar caminhamos para a morte” afirmou o presidente do Sindasp, Cícero Sarnei, para traduzir o sentimento que toma conta dos funcionários, agravada depois da onda de ataques da facção criminosa PCC no mês de maio. Durante as ações, nove agentes prisionais foram mortos, ou seja, um total de 14 até agora.

 “A greve é uma forma que toda categoria tem de repudiar esse tipo de violência e também de expressar indignação perante às autoridades responsáveis pela Segurança Pública em São Paulo”, prossegue o Sindicato, que aprovou a greve após o assassinato dos funcionários na última semana. A greve já paralisou metade das penitenciárias do Estado. 

Enquanto a Segurança foi sucateada por parte do governo, o número de presos foi aumentando e nada se fez para sanar o problema da superlotação carcerária, e tampouco foram adotadas providências para que os agentes pudessem realizar o seu trabalho de forma digna, com segurança.

 “Os agentes penitenciários foram perdendo as condições de trabalho, foram perdendo o controle, começamos a pedir socorro, no entanto não fomos ouvidos, as facções criminosas começaram a se organizar, aceleradamente”, denuncia o presidente do Sindasp. 

Segundo os agentes, um levantamento recente revelou que os cortes de verbas e a ausência do Estado na questão da Segurança nos últimos 12 anos, resultou na criação de uma “polícia paralela” devido aos baixos salários dos funcionários. Há atualmente, no Estado de São Paulo, em torno de 130 mil agentes de segurança patrimonial, que ultrapassam os cerca de 120 mil policiais, entre civis e militares. “É a mesma coisa do crime: onde o Estado se ausenta, outros setores começam a dominar”, compara Sarnei.

 GREVE

 Nesta semana, além da paralisação de 24 horas aprovada pelo Sindasp, o  Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp) também deflagrou greve. Até o final da tarde de segunda feira, ao menos dez presídios e Centros de Detenção Provisória (CDPs) da Grande São Paulo aderiram ao protesto, mas ainda não havia um balanço oficial. Segundo o secretário geral do Sindasp, Rozalvo José da Silva, alguns funcionários temem retaliações, tanto dos criminosos, quanto dos seus superiores e por isso não aderiram à greve.

 Os servidores reivindicam melhores condições de trabalho, abertura de vagas no sistema prisional e aumento do quadro funcional dos agentes de segurança, que não tem acompanhado o crescimento da massa carcerária, além de outras medidas que possam amenizar a situação da categoria.

 

 

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