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Caminhoneiros de Santos em Greve
Os
caminhoneiros que trabalham no Porto de Santos deflagraram greve
desde o último dia 3 de julho. Comandados pela CGTB e pelo
Movimento União Brasil Caminhoneiro, os trabalhadores lutam pelo
reajuste de 50% no frete, que encontra-se congelado há dois
anos, e melhores condições de trabalho. Abaixo, veja a íntegra
das reivindicações.
Todos à greve!
Pelo reajuste de 50% no valor do frete,
congelado há dois anos;
Prazo mínimo de 2 anos para o início da
fiscalização dos novos equipamentos exigidos nos caminhões
pelo Ministério Público do Trabalho;
Término das filas nos terminais para carga
e descarga dos containeres cheios ou vazios;
Pela fiscalização do Ministério Público
do Trabalho nos terminais alfandegários para verificar os
problemas de infra-estrutura;
Por melhorias no Porto de Santos;
Pela redução da carga horária de
trabalho.
Companheiros
Tentamos várias vezes estabelecer o diálogo
com as empresas transportadoras que atuam no Porto de Santos. Na
última reunião, realizada no último dia 3 de julho, somente 13
empresas compareceram, não deixando outra alternativa senão a
paralisação dos serviços até que nossas reivindicações
sejam atendidas.
Enquanto o Ministério Público e a
Codesp estipulam regras rígidas para o tráfego dos caminhões,
os companheiros caminhoneiros são espoliados no pagamento do
frete, que há dois anos não é reajustado. Mesmo assim, nos impõe
novos gastos, como a instalação das sirenes sonoras nos caminhões
e luz de ré, sem mesmo nos dar um prazo justo para nos
adequarmos às novas normas, que deve ser de, no mínimo, dois
anos.
Há anos que os caminhoneiros estão
sofrendo com o aumento dos custos de transporte, como do óleo
diesel, dos assaltos dos pedágios e com a manutenção. No
entanto, o frete continua congelado e sequer repõe às perdas
acumuladas.
O MUBEC, liderado pelo companheiro Nélio
Botelho, juntamente com a CGTB, já lideraram os brasileiros que
transportam o Brasil sob rodas na gloriosa greve que parou o país
em 1999 contra o roubo dos pedágios e pelo reajuste dos fretes.
Lá o Brasil conheceu a nossa força e nós conquistamos melhores
condições de trabalho.
Agora, presenciamos o maior porto da
América Latina com uma estrutura de dar vergonha. Somos
obrigados a nos submeter a uma carga horária excessiva, de até
24 horas, para poder levar um prato de comida para a sua família.
Isso é inaceitável. Precisamos mudar esta situação.
Os fretes devem ser reajustados para
garantir a reposição das perdas acumuladas pelos caminhoneiros
e para dar melhores condições de vida para os companheiros, que
têm direito a descansar e a permanecer um pouco com sua família.
Atualmente, o Porto de Santos trabalha
24 horas, dispondo de funcionários para cada turno. Os
caminhoneiros autônomos não têm condições de pagar um
substituto, tendo que permanecer o dia todo na fila para
conseguir carregar ou descarregar. Antes da privatização, o
porto fechava à meia-noite e meia, permitindo que os
trabalhadores fossem para casa dormir um pouco. Agora não. São
obrigados a ficar na fila para ganhar, em média, R$ 100,00 por
um frete.
Esperamos que o Ministério Público
comece a fiscalizar esses abusos, para fazer o porto cumprir a
lei 8.930, que determina o descanso remunerado de 11 horas para o
caminhoneiro.
Esperamos que o MP se preocupe um
pouco com os trabalhadores autônomos, pois até agora só vem
beneficiando as grandes transportadoras e tentando excluir os autônomos
do trabalho.
Nós somos mais de seis mil e
quinhentos caminhoneiros que trabalham no Porto de Santos. Nossa
luta será vitoriosa e servirá de exemplo para que os
companheiros que trabalham em outros portos do país também
busquem melhorias nas condições de trabalho.
Vamos todos à greve até nossas justas
reivindicações serem atendidas.
Heraldo Gomes Andrade
Secretário-geral da CGTB/SP e
Coordenador do MUBC na Baixada Santista
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