Sputinik Brasil 26-06-2017

Aepet acusa direção da Petrobrás de ampliar o desmanche da empresa

Aepet Fernando Siqueira, vice-presidente da Aepet

 

Trechos da entrevista do vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet), Fernando Siqueira, à Sputinik Brasil

As refinarias da Petrobrás estão reduzindo os volumes processados para os registrados nos patamares de 2008, aumentando a importação de derivados e o envio de dólares para o exterior para a compra desses produtos.

Em entrevista à Sputnik Brasil, o vice-presidente da Aepet, Fernando Siqueira, diz que este é apenas um dos retrocessos postos em prática pela nova direção da estatal depois que Pedro Parente assumiu a presidência da empresa.

"A Shell e a Ultrapar estão importando combustível mais barato no exterior, tornando as refinarias ociosas. Isso é manobra do Pedro Parente, porque ele veio para retomar o processo que ele iniciou em 2001, quando ele presidente do Conselho da Petrobrás e estava fazendo um processo de desnacionalização da empresa. Está vendendo ativos altamente estratégicos por preços absurdamente baixos. Os níveis de refino estão em 2,1 milhões de barris, o que equivale a 75% da capacidade instalada das plantas", diz o vice-presidente da Aepet.

Siqueira chama a atenção se refere à contratação de novos equipamentos para a estatal dentro de seu plano de investimentos para o período de 2015 a 2019, que contempla desembolsos de US$ 98,4 bilhões para aquisição, até 2020, de 28 sondas de perfuração, 32 plataformas de produção, 154 navios de grande porte, 81 navios-tanque, entre outros. Cerca de US$ 400 bilhões serão investidos e consumidos em equipamentos e serviços de expansão e manutenção da produção nos próximos anos, mas Siqueira garante que a indústria estrangeira será a grande beneficiada e não a nacional.

"O governo Temer mandou reduzir o conteúdo local (exigência de contratação de fornecedores brasileiros) de 60% para 20%. As indústrias brasileiras que investiram em indústria para fornecer estão em polvorosa, porque vão quebrar todas. Há um processo de desmonte da Petrobras e do país. O Temer foi posto lá para fazer o que as empresas estrangeiras querem, o que os Estados Unidos querem no pré-sal. Os EUA têm uma reserva de 30 bilhões de barris e consomem 10 bilhões por ano. Há uma insegurança energética muito grande. Quando o pré-sal foi descoberto, o Bush reativou a Quarta Frota Naval e a colocou aqui no Atlântico Sul e Argentina", observa o vice-presidente da Aepet.

Siqueira diz que o ex-ministro José Serra havia prometido à Chevron, em 2010, que, se eleito, acabaria com a Lei de Partilha que Lula criou.

"Essa lei recuperou o estrago que o Fernando Henrique fez na Lei 9.478 que quebrou o monopólio da Petrobras na exploração de petróleo e gás. No artigo 26, dá todo o petróleo para quem produz, e a obrigação que o cara tem é pagar 20% de impostos e 10% de royalties, tudo em dinheiro, enquanto no mundo os países produtores ficam com 82% da produção em seu território e em petróleo. As multinacionais lá ficam com 18%. O Lula retomou a propriedade para a União e fez uma partilha de produção. (...). O pré-sal, segundo geólogos da UERJ, tem uma reserva entre 170 e 270 bilhões de barris. A proposta do governo Temer é entregar o petróleo, o pré-sal e desmontar a Petrobras. É o que o Parente está fazendo", dispara Siqueira.

Alguns ativos importantes vendidos recentemente pela estatal: o Gasoduto do Sudeste, que transporta o gás do pré-sal com uma malha de 2.500 quilômetros, vendido para o Grupo Brookfield (...). Na área de gás, a Gaspetro foi vendida à japonesa Mitsui pela metade do preço. (...) Nos planos de desmobilização está também a BR, maior distribuidora de combustíveis do Brasil.