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Maria Pimentel:
“Quanto mais cresce a concentração das riquezas nas mãos dos monopólios,
mais se agrava a opressão sobre a mulher”
Publicamos abaixo a íntegra do discurso
proferido pela secretária de Relações Internacionais da CGTB, Maria
Pimentel, durante a Conferência Internacional da Mulher Trabalhadora
organizada pela Federação Sindical Mundial (FSM, entre os dias 13 e 14
de setembro, em Bruxelas.
CONFERENCIA INTERNACIONAL DA MULHER
TRABALHADORA – FSM
Bruxelas, 13 y 14 setembro de 2007
Antes de tudo gostaria de saudar a FSM pela
realização de tão importante conferencia. Gostaria de saudar também a
companheira Skevi, vice-presidente de da Federação Democrática
Internacional de Mulheres – FDIM por sua presença e sua importante
contribuição para esta Conferência da FSM e agradecer, uma vez mais,
todo o apoio que a FDIM nos ofereceu para que 54 companheiras
sindicalistas participassem enquanto dirigentes sindicais em seu XIV
Congresso Mundial em Caracas este ano.
Companheiras e companheiros,
Todas as intervenções ocorridas nesta
Conferencia apontam para uma conclusão muito clara do que hoje está
ocorrendo com os direitos das mulheres na maioria dos países: Quanto
mais cresce a exploração e a concentração de riquezas nas mãos dos
monopólios, mais se agrava a opressão sobre as mulheres.
A experiência histórica nos mostra uma
questão muito concreta: Antes da revolução russa, 5 em cada 6 mulheres
eram analfabetas. Em poucos anos, a revolução conseguiu erradicar o
analfabetismo e a mulher soviética logo foi equipara aos companheiros
trabalhadores na produção, em condições de trabalho, e em instrução –
Até 1980, 94% das mulheres em condições de trabalho possuíam emprego
chegando praticamente a representar a metade dos trabalhadores
soviéticos.
Esta mesma experiência histórica demonstra
também que sem a participação ativa da mulher, seria impossível para os
trabalhadores de a União Soviética chegar a um grau tão avançado de
desenvolvimento econômico, político e social. Por isso mesmo, não há
dúvidas de que nossos companheiros trabalhadores são parte muito
interessada na participação ativa da mulher para a liberação de toda a
classe operária.
Com o retrocesso capitalista na Rússia o
problema mais grave que imediatamente surgiu para as mulheres foi o
desemprego – se na economia socialista 90% das mulheres tinham emprego,
com o retrocesso capitalista 70% dos desempregados são mulheres.
Este retrocesso na União Soviética e em
outras economias ex-socialistas, como se falou nesta Conferencia, assim
como o retrocesso de que falaram, particularmente as companheiras
européias, deixa muito claro que, se dependesse do imperialismo e dos
monopólios, as mulheres continuariam e continuarão fora da produção,
fazendo serviço doméstico e rebaixando cada dia mais o valor da força de
trabalho. Enquanto os monopólios seguem aumentando cada dia mais seus
lucros, sua dominação e seu controle sobre a economia mundial, mais
diminui o Estado o emprego, a educação, a saúde e a maternidade passa a
ser vista como um problema individual e não como um problema social a
ser assumido pelo Estado.
Seja pelos exemplos históricos e por todos
os retrocessos aqui apresentados, ou ainda, pelas condições econômicas
impostas pelos monopólios internacionais, pode se concluir que a
principal luta para a emancipação da mulher, e que unifica todas as
mulheres do mundo, é a luta pelo direito ao trabalho. E direito ao
trabalho produtivo como mulher, com a identidade feminina garantida, com
direito à maternidade e assistência especial, direito a creches, ao
salário igual, à qualificação profissional e etc. – Educação, procriação
e maternidade são necessidades sociais, como tal, são de
responsabilidade do estado e por isso mesmo devem ser assumidas pelo
estado.
Companheiras,
A pesar do retrocesso na União Soviética e
em outros países do bloco socialista, apesar das guerras e provocações,
apesar dos bloqueios e das sanciones econômicas promovidas pelo
imperialismo, em países como Cuba, China, Coréia, Vietnam, entre outros,
e naqueles países que se libertaram do apartheid e estão construindo uma
nação soberana, os direitos das mulheres estão avançando.
É na América Latina, no entanto, que se pode
perceber hoje como é possível, em tão pouco tempo, promover
significativos avanços nos direitos das trabalhadoras. Depois de
enfrentar todos os experimentos neoliberais de privatizações, liquidação
do estado, recessão, desemprego, miséria e fome, nós, a través de
eleições e reeleições dos presidentes Hugo Chávez na Venezuela, Lula no
Brasil, Kirchner na Argentina, Evo Morales na Bolívia, Rafael Correa em
Equador, Daniel Ortega em Nicarágua, entre outros, estamos derrotando a
política neoliberal y recuperando nossos direitos, nossos Estados, e
aprofundado o isolamento do imperialismo norte-americano.
Companheiras,
América Latina vive verdadeiramente um
momento muito especial de mudanças e mobilizações. Um novo tempo de
progresso e de enormes oportunidades para as mulheres e para todos os
trabalhadores. De todas as mudanças revolucionárias que beneficiaram as
mulheres venezuelanas, já citadas aqui pelas companheiras da UNT,
gostaríamos de sublinhar duas que são muito importantes para as mulheres
– aumento de mais de 500% de salário mínimo e a redução da jornada de
trabalho para 36 horas semanais.
No Brasil, mais de cinco milhões e meio de
empregos com registro em carteira de trabalho foram criados por nosso
presidente Lula. O salário mínimo, em relação à inflação, aumentou 25% –
passou de menos de 100 dólares no governo anterior de Fernando Henrique,
para 190 dólares (380 reais); e, as centrais sindicais, numa ação
conjunta no Fórum Nacional das Centrais Sindicais preparam a mobilização
para exigir que o desenvolvimento produtivo do país se converta em
melhorias para os trabalhadores – entre elas também a redução da jornada
de trabalho.
Entre os avanços que beneficiaram
especificamente à trabalhadora no Brasil, destacaria que, além de todos
os projetos sociais, foi criada por Lula a Lei “Maria da Penha” que
penaliza a violência domestica.
Todos os exemplos de conquistas
revolucionárias que a história nos apresenta e que hoje, em várias
partes do mundo, estamos recuperando, são um grande incentivo para todas
as mulheres do mundo. O momento é de unir forças para combater o
verdadeiro inimigo da libertação das mulheres rumo à igualdade e à
soberania de nossas nações, o imperialismo.
Maria Pimentel
Secretaria de Relaciones Internacionais CGTB
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