Manifestantes ocupam escritórios do Itesp na região de Prudente

01/out/2007

Presidente Venceslau, SP - Presidente Venceslau, SP – Desde o começo da manhã dessa segunda-feira, centenas de sem-terras provindos de vários acampamentos ocupam os escritórios do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) situados na região de Presidente Prudente.

O movimento acontece simultaneamente nos escritórios de Presidente Prudente, Presidente Bernardes, Presidente Venceslau, Presidente Epitácio e Teodoro Sampaio. Apenas o escritório de Mirante do Paranapanema não foi ocupado devido o mesmo estar fechado hoje, respeitando feriado municipal naquela cidade.

O ato, de acordo com os organizadores, é para defender a instituição enquanto suas atribuições legais e protestar contra seu uso político. Em nota distribuída, os manifestantes conclamam as forças dos trabalhadores da terra no Pontal para protestarem contra o Governo de José Serra (PSDB) que estaria usurpando “o direito sagrado de acesso à terra para trabalhar”.

O documento é assinado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Movimento dos Sem Terra (MST-Pontal), Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (SINTRAF), Movimento dos Agricultores Sem Terra (MAST), UniTerra, Movimento Terra Brasil e Federação das Associações dos Assentados e Agricultores Familiares do Oeste Paulista (FAAAFOP).

Na pauta, os manifestantes exigem a continuação das ações discriminatórias e reivindicatórias de terra e agilização dos acordos, bem como a aplicação de R$ 11 milhões repassados pelo INCRA para este fim. Pede-se ainda a continuação das atividades do Itesp como órgão independente, voltado exclusivamente para o objetivo a que se destina: a implantação da reforma agrária no Estado.

Os manifestantes deixam claro de que não aceitarão a possível mudança de subordinação do Itesp, que passaria da Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania para a Secretaria da Agricultura. Esta última, segundo aos organizadores do ato, teria objetivos que atendem apenas as políticas agrícolas do agronegócio, e não as sociais.

O manifesto ainda protesta contra o Projeto de Lei 578/2007, que se encontra em tramitação na Assembléia Legislativa e prevê a regularização de terras devolutas com área superior a 500ha. Com o PL, segundo os manifestantes, Serra pretende “dar um presente para os grileiros latifundiários, beneficiando os que vivem da exploração e especulação da terra, beneficiando com 300 mil ha. de terras públicas apenas 200 latifundiários”. A área, se destinada a reforma agrária, assentaria 15 mil famílias.

“O governador tucano, que forja sua personalidade na idéia neoliberal, tornou-se a versão moderna de um Hobin Hood trapalhão, que tira dos pobres para dar para os ricos”, ressalta trecho do manifesto, que segue: “Serra, como bom neoliberal, é impiedoso. Para ele a questão social não tem importância alguma”.

Durante a ocupação, será entregue a pauta de reivindicação ao Governo e ainda se fará uma lista que servirá de documento oficial para contabilizar a demanda por terras na região do Pontal.

Leia abaixo a íntegra da nota distribuída.

NOTA À IMPRENSA

Manifesto

Obriga-nos o governo de José Serra a mobilizar as forças dos Trabalhadores da terra do Pontal, em PROTESTO, contra a usurpação de nosso direito sagrado de acesso à terra para trabalhar.

Este governador é representante da elite rural na Assembléia Legislativa, quer dar um presente para os grileiros latifundiários, beneficiando os que vivem da exploração e especulação da terra.

O projeto de lei (PL 578/2007), PROJETO PRÓ-LATIFÚNDIO IMPRODUTIVO de autoria de Serra, presenteia com 300 mil hectares de terras públicas apenas 200 latifundiários - área que se destinadas á reforma agrária daria para assentar 15.000 famílias.

O governador tucano que forja sua personalidade na idéia neoliberal tornou-se a versão moderna de Hobin Hood trapalhão, que tira dos pobres para dar para os ricos.

Serra, como bom neoliberal, é impiedoso. Para ele a questão social não tem importância alguma.

Ele diz mesmo que a reforma agrária é insuportável pois envolve desapropriação, crédito para o agricultor, educação, habitação, estradas e assistências. Declaração histórica que deixa sem entender a serventia que tem um governo de Estado. Na visão caolha do governador-economista-tucano-neoliberal, insuportável é o POVO. É o povo quem necessita de educação, habitação, transporte, assistência e crédito para produzir. Isto tudo é “prejuízo” nas contas do seu governo.

Sem medir conseqüências, sem qualquer previsão social, o governador tucano e seu Projeto Pró-Latifúndio Improdutivo será o causador da maior exclusão social já vista na história do Pontal. Se não basta a exclusão social já existente no Pontal, região mais esquecida e atrasada do Estado, é só aguardar o desemprego da monocultura da cana como tem incentivado por sua política de colheita mecanizada. O tempo será o juiz e decidirá que não é possível governar sem povo como deseja Serra.

Sendo totalmente contrários a farsa dessa política neoliberal e suas conseqüências nefastas para o Pontal estaremos hoje em frente de todos os escritórios do ITESP na região para Denunciar e Protestar.

- Exigimos o fim do PL-578/2007, além de tudo, por ferir a Constituição Federal

- Exigimos a continuação das ações discriminatórias e reivindicatórias de terra, agilização dos acordos e aplicação dos 11 milhões repassados pelo INCRA para este fim.

- Exigimos a continuação das atividades do ITESP – Instituto de Terras de São Paulo – como órgão independente, voltado para o objetivo a que se destina, a implantação da reforma agrária no estado.

- Não aceitamos a subordinação do ITESP à Secretaria da Agricultura cujos objetivos são agrícolas e do agronegócio e não sociais.

A REFORMA AGRÁRIA É DO POVO. O ITESP É DO POVO. TUDO PELO POVO.

NÃO À POLÍTICA DE DISCRIMINAÇÃO SOCIAL E EXCLUSÃO DO GOVERNO DO ESTADO.

Assinam:
- CUT; SINDICATO DOS TRABALHADORES RURAIS; MST PONTAL; MAST; UNITERRA; TERRA BRASIL; FAAFOP; SINTRAF

 

 

 

 

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