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Denise Gentil, professora da UFRJ, em
palestra na Plenária da CGTB em Ribeirão Preto:
“O maior gasto do Orçamento é com juros e não com a Previdência”
Segundo ela, enquanto a Previdência atende mais de 82 milhões de
pessoas, os juros beneficiam o capital financeiro e a elite
Em
palestra para os sindicalistas que participaram da plenária da CGTB em
Ribeirão Preto, a professora do Instituto de Economia da UFRJ, Denise
Gentil, desmontou as manipulações e mentiras proferidas contra o suposto
déficit da Previdência Social, afirmou que solução para o sistema de
Seguridade Social manter o seu bom desempenho é o crescimento econômico
e destacou que o país ainda gasta muito com juros.
“Não há como se
justificar que os custos [da Previdência] são muito altos, porque na
média mundial nós estamos muito abaixo. Além do mais, não tem porque se
justificar um ajuste pelo lado da Previdência. Porque não tem? Porque a
Previdência não é o maior gasto do Orçamento público. O maior gasto do
orçamento público são os juros. Enquanto a Previdência gasta 7% do PIB,
os gastos com juros são 8% do PIB. Os gastos de 7% do PIB atendem a 27
milhões de pessoas diretamente e a 82 milhões de pessoas indiretamente.
Os gastos com juros, além de serem muito maiores, vão para uma elite”,
afirmou a professora.
Além de Denise, o
tesoureiro da CGTB e membro dão Fórum Nacional da Previdência, Lindolfo
Santos, também fez considerações sobre o assunto e acrescentou que o
capital financeiro internacional lançou uma campanha de difamação dos
sistemas previdenciários, alardeando falsas situações falimentares para
forçar os governos a efetuarem reformas que visam única e exclusivamente
a redução dos gastos com pensões para desviar o dinheiro para o
pagamento de juros. “A Seguridade Social – que engloba Previdência,
assistência social e saúde – é financiada, como reza a Constituição, por
recursos arrecadados dos trabalhadores, dos empresários e com
contra-partidas do governo. Ela é superavitária e o maior sistema de
distribuição de renda do país. Com a reforma, pretender desvincular os
recursos da Previdência para desviá-los para o superávit primário e,
além disso, enfraquecer a Previdência Pública para empurrar os
trabalhadores para a iniciativa privada, que é gerida pelos bancos”,
afirmou Lindolfo, destacando que a CGTB “tem tido uma atuação no sentido
de barrar todo e qualquer movimento que vise tirar direitos e desmontar
a Seguridade”.
Em sua explanação, a
professora Denise também desmistificou a questão do problema demográfico
em função do aumento da expectativa de vida da população. “O nosso
perfil demográfico é de uma população jovem. O discurso dominante tem
apresentado o problema do envelhecimento como algo serio. Eu vou mostrar
que até 2020 nós teremos uma fase, que eles chamam de período de ouro,
na estrutura demográfica brasileira. Até 2020 a nossa população
economicamente ativa cresce com mais velocidade do que a população de
idosos”, afirmou Denise.
Segundo ela, o aumento
da expectativa de vida da população não significa que o cidadão idoso em
condições de saúde para trabalhar e que a solução do problema passa pelo
crescimento econômico. “O governo não mostra os números relativos, ele
só olha a linha da tabela que mostra o crescimento da população de
idosos, ele não mostra o crescimento da população economicamente ativa.
Porque ai fatalmente você chegaria a conclusão de que não há nenhuma
tragédia pela frente e, sim, pelo contrario, há um crescimento da
população em idade ativa suficiente para dar conta dos benefícios da
população que entrará no fundo. Além disso, o governo não leva em
consideração na suas projeções o fato de que quando se aumenta o
dinamismo da economia, há um processo que realimenta o equilíbrio na
Previdência. Quando a economia cresce, novos empregos são gerados, a
produção paga mais contribuições, ou seja, o empresário recolhe mais
contribuições previdenciárias, os trabalhadores antigos também recolhem
mais. Por outro lado, os custos com desemprego, com saúde diminuem. A
saída para a Previdência é o crescimento econômico”, afirmou Denise.
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