Policiais de 14 estados manifestam apoio à greve da Civil de São Paulo

Delegados se solidarizaram aos policiais paulistas e condenaram truculência e intransigência de Serra

A Polícia Civil de São Paulo recebeu o apoio de delegados de polícia de 14 Estados e do Distrito Federal, que paralisaram suas atividades, no dia 29, por duas horas.


8 mil policiais civis de São Paulo lotaram a Praça da Sé, no dia 27 de outubro

De acordo com o presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol), Carlos Eduardo Benito Jorge, “está havendo uma falta de boa vontade política do governador de São Paulo. Ele tem que atender as necessidades dos policiais, e a proposta de reajuste de 6,5% em 2009 não repõe inflação alguma. É um absurdo”, declarou. Segundo ele, houve paralisações nos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Pará, Maranhão, Roraima, Mato Grosso, Minas Gerais, Tocantins e Distrito Federal.

Na Bahia, de acordo com a Associação dos Delegados de Polícia (Adpeb), cerca de 800 delegados do Estado paralisaram as atividades. “A forma como o governo de São Paulo se posiciona sobre o trabalho e a remuneração dos delegados é absurda”, disse o vice-presidente da Associação, Pietro Baddini Magalhães. “Não dá para concordar que um delegado ganhe menos que um oficial de Justiça, por isso fizemos a manifestação”, disse.

Em Pernambuco, a paralisação mobilizou 70% dos delegados, de acordo com a Associação dos Delegados de Polícia Civil (Adeppe). Para o presidente da entidade, Adalberto Freire do Nascimento, o fato de São Paulo ter o pior salário do Brasil “é uma vergonha”, e o governador age de forma “arrogante e prepotente” em relação às reivindicações. Os delegados realizaram um ato com faixas e cartazes afixados em frente à Associação dos Delegados, no centro do Recife.

Na Paraíba, o presidente da Associação da Polícia Civil, Flávio Moreira, considerou que “o principal motivo da nossa paralisação é manifestar nossa solidariedade aos policiais civis de São Paulo, que estão em greve há quase dois meses. Eles foram feridos com balas de borracha quando lutavam por seus direitos. O Brasil inteiro aderiu à mobilização”.

Em greve há mais de 40 dias, a Polícia Civil do Estado de São Paulo reivindica o reajuste salarial de 15% retroativo a março de 2008, 12% a partir de janeiro de 2009 e 12% a partir de janeiro de 2010, e a incorporação dos adicionais no salário da aposentadoria. Sem negociar desde a data base da categoria - 1 de março -, o governador enviou à Assembléia Legislativa de São Paulo uma proposta de reajuste zero para 2008, 6,5% para janeiro de 2009, e 6,5% para janeiro de 2010.

Além de não negociar com os policiais civis, o governo do estado tem agido com truculência. No dia 16 de outubro, uma manifestação pacífica dos policiais terminou com a ordem do governador José Serra de agressão aos manifestantes, deixando 29 pessoas feridas. Na ocasião, o governador havia dito que receberia os representantes dos policiais, mas rompeu o acordo.

No último dia 27, os policiais voltaram às ruas e reuniram 8 mil pessoas em passeata pelo centro da cidade e rejeitaram a proposta do governador de reajuste de 6,5% a partir de 2009.

“A Polícia Civil de São Paulo continua mobilizada, porque a proposta do governo é muito aquém do que desejamos. O governo não ofereceu nada para esse ano”, afirmou o presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia do estado de São Paulo, João Batista Rebouças, afirmando que o projeto será debatido, mas que “a nossa proposta de reajuste será mantida”.

Há 14 anos sem aumento, a Polícia Civil de São Paulo possui o menor salário da categoria em todo o país. De acordo com Rebouças, o salário inicial do investigador é cerca de R$ 1.500,00, e do delegado é cerca de R$ 3.200. “Esse é o modelo do governo Serra, um governo ditatorial, que não recebe a polícia para negociar. Por isso nós vamos radicalizar porque queremos dignidade”, afirmou.

O presidente do Sindicato dos Funcionários da Polícia Civil de Santos (Sinpolsan), Décio Couto, considerou que o apoio nacional e a manifestação do dia 27.

“Demonstraram que não são uns poucos baderneiros, como disse o governador. O que tivemos foi uma concentração que reuniu quase ¼ de efetivos do quadro da Polícia Civil de São Paulo”, declarou Décio.

Fonte: Hora do Povo

 

Programação

Palestra do Professor Nilson Araújo:

Redução da Jornada de Trabalho

Reforma Tributária

Fórum Mercosul

Fale conosco   cgtb@cgtb.org.br

55 11 3663 0473

Criado por:  Informática Rede Interativa  interativabrasil@terra.com.br      
   
Atualizado em 30/10/08 16:06:52