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Vitória do povo: privatização da CESP
é cancelada
O leilão de privatização da CESP, marcado para esta
quarta-feira, foi cancelado. Segundo a CBLC (Câmara Brasileira de Liquidação e
Custódia), nenhuma das cinco empresas pré-identificadas para o leilão depositou
as garantias exigidas dentro do prazo especificado, que terminou ao meio-dia.
As empresas pré-qualificadas eram: CPFL Energia ;
Neoenergia, que tem a espanhola Iberdrola como sócia ; Energias do Brasil,
ligada à portuguesa EDP ; Tractebel Energia, que faz parte da francesa Suez
Energy International ; e a Alcoa Alumínio.
O governador paulista, José Serra (PSDB), confirmou
o cancelamento da operação pouco depois da nota distribuída pela CBLC e citou a
crise financeira internacional como um dos fatores para o fracasso da operação.
“Esta é mais importante vitória do povo brasileiro.
Manter a CESP nas mãos do Estado é importante para garantirmos a energia
necessária, com preços baixos, para sustentar o crescimento econômico do nosso
Estado”, afirmou o presidente da CGTB, Antonio Neto.
A CGTB ingressou na última quarta-feira com uma Ação
Popular solicitando o cancelamento do leilão da Companhia Energética do Estado
de São Paulo (CESP) e aguarda a decisão. Na ação, protocolada na Vara da Fazenda
Pública Estadual, Neto cita dois motivos pelos quais a privatização deve ser
suspensa, a baixa avaliação da empresa (R$ 6,6 bilhões contra um patrimônio
estimado em R$ 14 bilhões) e a inconstitucionalidade do edital, que impede a
participação de estatais de outros estados da Federação, ferindo o princípio da
igualdade incluído no art. 5º, “caput” da Constituição Federal, onde reza que
“todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.
Para Antônio Neto, não tem lógica vender uma
empresa como a CESP. “Vender a estatal representa uma sabotagem aos esforços do
país de implementar um crescimento econômico acentuado. Doar a CESP não
acrescentará um único KW na capacidade instalada do Estado. Pelo contrário,
significa limitar a oferta, significa alijar o Estado de um instrumento
fundamental para o desenvolvimento regional”, afirmou.
Com capacidade instalada de 7.456 MW, distribuída em
seis hidrelétricas (Ilha Solteira, Três Irmãos, Jupiá, Porto Primavera, Jaguari
e Paraibuna), a CESP nada mais é do que a terceira maior geradora do Brasil,
responsável por 10% de toda a energia gerada no país e 63% da do Estado de São
Paulo.
Ou seja, mais da metade da eletricidade que move a
indústria e alimenta os lares do Estado mais industrializado do país vem da CESP
e poderia cair na mão de grupos estrangeiros, que nem de longe estão preocupados
se essa energia servirá para fomentar o crescimento. Só lhes interessa o lucro.
Mesmo com o cancelamento da privatização, a CGTB e
demais entidades que integram o Comitê em Defesa da CESP iaô realizar a
manifestação marcada para esta quarta-feira em frente da Bolsa de Valores de São
Paulo.
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