Parlamentares, sindicalistas e estudantes realizam ato na Alesp contra doação da CESP

Em ato realizado na Assembléia Legislativa de São Paulo, na última quinta-feira (13), autoridades do Estado do Mato Grosso do Sul, deputados, prefeitos, vereadores, deputados de São Paulo, especialistas, sindicalistas e estudantes condenaram a tentativa do governo José Serra (PSDB) de privatizar a CESP. O evento foi organizado pela Bancada do PT na Assembléia em conjunto com o Comitê Contra a Privatização.

 Além das intervenções denunciando os malefícios que podem ocorrer para o setor energético brasileiro e para a população, caso a CESP seja privatizada, os participantes do encontro discutiram uma série de medidas para barrar o leilão que está marcado para o dia 26 próximo, como a realização de manifestações de rua nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul e ações na Justiça.

 O vice-presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), afirmou que os brasileiros já conhecem muito bem o resultado concreto da política de privatizações, como o aumento das tarifas, a queda na qualidade dos serviços, a demissão de trabalhadores e, principalmente, a desnacionalização de setores estratégicos para o país. “O povo derrotou nas urnas os ladrões que haviam se instalado no Palácio do Planalto e que queria entregar todo o nosso patrimônio. Mas eles ainda estão em São Paulo arquitetando a privatização. Nós já estamos nas ruas denunciado o crime que querem cometer. Vamos até o fim para barrar essa privatização”, destacou o dirigente da CGTB.  

Um dos primeiros a tomar a palavra, o deputado Akira Otsubo – líder do PMDB, na Assembléia Legislativa do Estado de Mato Grosso do Sul, representando o presidente daquele Parlamento, narrou os impactos das Usinas no cotidiano da população ribeirinha, situada na divisa entre os Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul: Jupiá, Ilha Solteira e Sérgio Motta que sofrem prejuízos ambientais, econômicos e sociais. Segundo o parlamentar, a população composta de pequenos produtores foi expulsa por conta da invasão das águas, desmoronamentos e erosões. Akira ressalvou ainda a falta de preocupação com o patrimônio da população brasileira que será entregue ao mercado pelo governador José Serra.

 Para o presidente dos Eletricitários de São Paulo, Antônio Carlos dos Reis (Salim) o ato representou um movimento efetivo para barrar a privatização. Após citar as vitórias alcançadas com a unidade das centrais sindicais, ele ressaltou que a união dos movimentos populares expressada neste ato “vai conseguir barrar também essa privatização”. Salim propôs que as entidades formassem comissões para discutir com o governo federal e com o ministério de Minas e Energia, solicitando um posicionamento destes órgãos contra o leilão CESP. Ele defendeu a federalização da CESP e de outras empresas privatizadas como a Eletropaulo.

 Segurando um exemplar do jornal “Hora do povo”, o sindicalista lembrou do apagão causado semanas atrás pela empresa CTEEP, privatizada em 2006. Segundo ele, o blecaute que deixou 2,7 milhões de pessoas no escuro foi causado pelo desmantelamento da empresa e pela demissão de funcionários que faziam a manutenção da rede.

 O presidente da CUT, Arthur Henrique, resgatou que na disputa eleitoral presidencial em 2006, o então candidato do PSDB Geraldo Alckmin, declarou que não ocorreria mais privatizações, compromisso quebrado pelo seu parceiro de partido José Serra.

 

 O deputado Simão Pedro, líder da bancada do PT na Assembléia, reafirmou os compromissos e envolvimento do PT com o problema. “Já viabilizamos o encontro do presidente Diretório de São Paulo com o presidente do Diretório de Mato Grosso do Sul, a conversa com o presidente Nacional do PT, deputado Berzoini, além de envolver os consumidores, mais parlamentares,vereadores e integrá-los a frentes de resistência à venda da Cesp e nas manifestações do dia 26.  

 Simão Pedro informou que a idéia inicial era realizar uma audiência pública, mas os deputados de Serra não permitiram. "Nossa obrigação, delegada pelo povo, é fiscalizar, mas o rolo compressor da maioria impediu o debate que dever ser levado à população. Não conseguimos sequer ter acesso ao documento que estabelece os critérios para definir o valor de R$ 6 bilhões para venda da Cesp. Não há justificativa para vender a estatal, a não ser fazer ‘caixa’ para a campanha do governador, que disputará a presidência em 2010", criticou.                                                                          

Ildo Sauer  – professor doutor da USP e integrante do Sistema Energético Nacional, contextualizou a luta da sociedade brasileira para em defesa das fontes de energia, citou a Campanha o Petróleo é Nosso, narrou os processos para a constituição do Código das Águas, iniciada em 1907 e lançada em 1937 pelo governo Getúlio Vargas. O professor lembrou que há mais de doze anos este debate acontece na sociedade brasileira, sobre o papel das Usinas como fonte energética que transcende aos Estados e cobrou a falta de compromisso do PSDB. 

O presidente do Diretório Regional do PT do Mato Grosso do Sul, deputado Amarildo Cruz – vice-presidente da Assembléia Legislativa do Estado, lamentou a postura do governador José Serra e criticou a interferência do Executivo sobre o Legislativo paulista, que não atendeu a reivindicação da Assembléia do seu estado de realizar a Audiência Pública sobre a privatização da Cesp.        

 Amarildo informou que os impactos ambientais da Usina de Porto Primavera provocaram 80% do passivo ambiental e tirou do Estado área produtiva e conclamou a organização dos parlamentares e de lideranças da sociedade de civil organizada para tentar reverter e impedir a entrega da Cesp para a iniciativa privada. 

 O deputado Carlos Arroio enfocou na importância da Cesp para o Brasil. “O debate  não pode ser tratado como um problema do Estado de São Paulo, não basta uma compensação com a indenização das terras alagadas”.

 A proposta de compor o Comitê teve várias manifestação de apoio, somada à sugestões do professor Hélvio Hech Mestre e Doutorando da USP de organizar ações políticas de mobilizar prefeitos,vereadores, governadores e movimentos sindicais e populares, ações jurídicas lançadas por prefeitos, munícipes e sindicatos pela suspensão do leilão e uma manifestação em frente à Bolsa de Valores, no dia 26 de março, data anunciada pelo governador para a privatização.

 Participaram do Ato, os deputados petistas: Ana do Carmo, Adriano Diogo,Enio Tatto, Rui Falcão, Roberto Felício, Simão Pedro, Cido Sério, Marcos Martins.

Fonte: Assessoria do PT na Assembléia

 

 

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Atualizado em 18/03/08 12:13:31

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