Devolução de uma usina da CESP à União
renderia a SP R$ 12 bilhões
É quanto vale a usina Porto Primavera, o dobro do
“preço” estabelecido pelo governo tucano para doar toda a CESP. Sindicato dos
Engenheiros entrou com representação no MP
O Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo
(Seesp) entrou com uma Representação no Ministério Público Estadual, no dia 4,
para que sejam apurados os atos referentes ao processo de privatização da CESP,
no que concerne à prorrogação da concessão da usina de Porto Primavera. Na
Representação – que também foi apresentada no Tribunal de Contas do Estado (TCE)
-, o Sindicato conclui que “fica caracterizado o iminente dano irreparável ou de
difícil reparação ao tesouro paulista”.
O presidente do Sindicato, Murilo Pinheiro, que
assina a Representação, lembra que ao colocar a CESP à venda, o governo estadual
demonstra não querer continuar influindo na política energética, nem gerir a
Companhia que detém a concessão de 6 usinas hidrelétricas: Porto Primavera
(Sérgio Motta), Ilha Solteira, Jupiá, Três Irmãos, Paraibuna e Jaguari. No
entanto, a CESP solicitou à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a
prorrogação da concessão da UHE Porto Primavera por mais 20 anos, avalizada em
22 de janeiro passado, estando atualmente sob análise do Ministério de Minas e
Energia. “Se o próprio Estado de São Paulo não tem mais interesse e pretende se
desfazer de suas usinas hidrelétricas, qual seria o motivo de não devolver a
Usina Sérgio Motta ao Poder Concedente ao final do prazo de concessão a vencer
em 21/05/2008, fato que lhe propiciaria uma indenização de valor expressivo?”,
questiona.
Documentos obtidos pelo Sindicato junto à Aneel
“demonstram cabalmente que a CESP poderia ser indenizada ao final do prazo de
concessão com uma importância de cerca de R$ 12 bilhões de reais, caso optasse
pela não prorrogação da concessão, inexistindo explicação lógica do que a teria
feito desistir deste propósito, uma vez que tal pedido recebeu encaminhamento
favorável pela Agência”, diz a Representação.
De acordo com o Sindicato dos Engenheiros, a CESP
não só declinou da possibilidade de prorrogação da concessão (ofício OF/0/1246/2006
de 14/06/2006), como solicitou à Aneel que fosse definido o valor da
indenização, bem como as condições de pagamento a que faria jus.
“A mudança de rumo do processo se deu em função de
reunião realizada em 20/12/2006”, observa o Sindicato, ou seja, na véspera da
reunião do Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização (PED), que
decidiu pela privatização da CESP. “A própria Aneel”, sublinha o Sindicato,
“utilizou os números contabilizados pela CESP, demonstrando haver um saldo a
depreciar de R$ 11.987.946.902,60, valor que poderia ainda ser maior com
incidência de correção monetária”. Chegou-se a uma situação inusitada: “A CESP
questionou a Aneel quanto tinha a receber de indenização em caso de reversão ao
final do atual prazo de concessão e mesmo já sabendo ‘a priori’ do valor
astronômico que teria a receber, tomou sua decisão de reativar o pedido de
prorrogação, pouco se importando com o fato de que tal operação possa lhe ser
lesiva”.
Desde fevereiro, o Comitê em Defesa da CESP –
constituído por parlamentares e entidades sindicais, estudantis, femininas,
comunitárias e do movimento negro - vem realizando manifestações na capital
paulista. Em Mato Grosso do Sul foi formado o Comitê contra a Privatização da
CESP. “O objetivo da audiência pública do dia 13 na Assembléia Legislativa e das
outras manifestações é criar as condições para o cancelamento do leilão da CESP
marcado para o dia 26. Chamamos a atenção para o ato irresponsável do governo
Serra de querer vender a empresa por uma bagatela de R$ 6 bilhões, quando só a
usina de Porto Primavera vale R$ 12 bilhões, segundo o Sindicato dos
Engenheiros. O governo estadual quer abrir mão de um ativo importante que é a
produção de energia, abrindo mão do controle público de um setor estratégico
para o desenvolvimento do Estado”, afirmou ao HP o líder do PT na Assembléia
Legislativa paulista, deputado Simão Pedro.
“Os próprios privatistas dizem que os ativos da
CESP valem R$ 18 bilhões, quer dizer, subavaliados nesse valor, mas querem
vender por R$ 6 bilhões. Estamos convocando todos os patriotas para participar
das manifestações e impedir a privatização da CESP, pois sabemos que isso
significaria infernizar a vida do povo com tarifas extorsivas e degradação dos
serviços, como os apagões que vem ocorrendo na capital”, frisou o
vice-presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Ubiraci
Dantas de Oliveira (Bira).
Na sexta-feira (14), está marcado em São Paulo um
ato conjunto com os professores e funcionários da saúde, na Praça da República,.
E no dia 25, a UNE, UBES, UMES e várias entidades estudantis irão fazer uma
vigília em defesa da CESP.
VALDO ALBUQUERQUE