Aloysio Nunes dá piti e ameaça presidente da Umes ao ser questionado sobre a
Cesp
Durante a reunião com lideranças no Palácio, bastou
a presidente da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES), Michelle
Bressan, questionar o processo de privatização das 18 estatais para o secretário
da Casa Civil do governo do Estado de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira, ficar
furibundo na reunião no Palácio Bandeirantes. “Que privatização, não há processo
de privatização”, disse alterado, apesar do leilão da Cesp já estar marcado para
o dia 26 de março.
Nervoso, Aloysio Nunes perdeu o rumo: “A Sabesp
privatizada é um absurdo. Privatizar a Nossa Caixa não tem o menor cabimento. O
Metrô não será privatizado”. Incomodado com o questionamento feito pela
liderança estudantil, tentou intimidá-la: “Onde você estuda?”. Sem perder a
calma um só minuto, apesar de pelo menos umas três vezes mais jovem, Michelle
retomou a palavra - que havia sido interrompida abruptamente por Aloysio Nunes -
e aproveitou para relatar a situação caótica na educação, a superlotação das
salas de aula, a aprovação automática mesmo sem o aluno saber ler ou escrever, o
arrocho salarial dos professores. “É uma situação geral, que ocorre em todas as
escolas, tanto da periferia quanto do centro, como nos colégios Caetano de
Campos e Roosevelt”, sublinhou.
A intervenção da presidente da UMES deixou o
secretário da Casa Civil desnorteado. Após jurar que a privatização é um
absurdo, Aloysio mudou: “Nós somos privatistas. Foi um erro do Alckmin se
declarar contra a venda da Petrobrás e do Banco do Brasil durante a campanha
presidencial”.
“As entidades estudantis continuarão na linha de
frente para barrar essas privatizações”, afirmou Michelle.
No final da reunião, o secretário da Casa Civil
tentou remendar o desrespeito à presidente da UMES: “Você me desculpe. Eu fiquei
um pouco exaltado”.
Valdo Albuquerque – Hora do Povo