Trabalhadores e estudantes fazem manifestação contra privatização da Cesp
“O governo tomou a decisão de entregar e os
trabalhadores, a de defender a Cesp. Vamos manter nas ruas as mobilizações
contra essa privatização”, afirmou o presidente da CGTB-SP, Paulo Sabóia, na
manifestação contra a entrega da Cesp

Uma comissão formada por 12 representantes de
entidades sindicais e estudantis pediu a suspensão do processo de privatização
das 18 estatais paulistas e entregou uma pauta de reivindicações dos servidores
públicos estaduais aos secretários de Estado Aloysio Nunes Ferreira (Casa
Civil), Sidney Beraldo (Gestão Pública) e Guilherme Afif Domingos (Emprego e
Relações do Trabalho), no momento em que ocorria uma manifestação em frente ao
Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, na sexta-feira (29).
Em relação à venda das estatais, em uma reunião de
apenas uma hora, o secretário da Casa Civil conseguiu apresentar duas posições:
que não havia privatizações em curso em São Paulo e que o governo Serra era,
sim, privatista. Para a reivindicação de negociação coletiva dos servidores a
resposta foi negativa. “A principal questão levantada pela CGTB é a privatização
da Cesp e das outras estatais. Nesse momento de retomada do crescimento em nosso
país, é fundamental manter a energia sob controle do Estado. Além disso, as
vendas da CPFL, das outras quatro empresas oriundas da Cesp e a maior parte da
Eletropaulo levaram a um aumento extorsivo das tarifas”, afirmou o presidente da
CGTB-SP, Paulo Sabóia. O secretário da Casa Civil frisou que “a venda da Cesp é
uma decisão já tomada e o governo não vai voltar atrás”.

Sabóia rebateu: “o governo tomou a decisão de
entregar e os trabalhadores, a de defender a Cesp. Vamos manter nas ruas as
mobilizações contra a privatização”.
ESTATAL VALE QUATRO VEZES MAIS
A Cesp teve seu leilão marcado para o dia 26 de
março, com preço estabelecido em R$ 7,05 bilhões. Segundo o presidente do
Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP), Murilo Pinheiro, só a
usina de Porto Primavera vale R$ 12 bilhões. Juntando com a usina Três Irmãos, o
preço vale entre três ou quatro vezes mais. A Cesp possui seis usinas
hidrelétricas e é a terceira maior geradora de energia do país.
Além da Cesp, o governo estadual contratou o banco
Fator e o Citibank para fazer a avaliação e estabelecer a modelagem de venda das
outras 17 estatais, como a Sabesp, Nossa Caixa e Metrô. O diretor da Central de
Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) Flávio Godoy expressou que a
preocupação maior da entidade “é com a terceirização e com a privatização de 18
empresas estatais. No caso da linha 4 do metrô, o Estado vai arcar com 85% da
construção, enquanto o setor privado com apenas 15%, mas vai ficar com os lucros
por 30 anos, em uma linha que terá um fluxo diário de mais de 900 mil pessoas”.
O diretor do Sinergia Carlos Araújo lembrou que o governo do Estado também quer
leiloar a Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A. (Emae). “O governo diz
que não quer privatizar a Nossa Caixa, mas fez todo um movimento de fragilizar o
banco”, destacou a diretora do Sindicato dos Bancários Raquel Kacelnikas.
“A CUT insiste para que o governo do Estado abra o
processo de negociação, estabelecendo um diálogo permanente com as entidades dos
servidores públicos”, afirmou o presidente da CUT/SP, Edilson de Paula. O
presidente da Apeoesp, Carlos Ramiro de Castro (Carlão), disse que o servidores
estaduais estão há três anos sem reajuste. “Os salários estão extremamente
arrochados, o que desestimula o funcionalismo. O trabalhador de uma forma geral
assume compromissos baseados em seu salário e não em um possível bônus que venha
a receber”. E acrescentou: “O Estado de São Paulo virou um grande balcão de
negócios. Infelizmente, estão sendo leiloados todos os serviços que são
obrigação do Estado. Temos que dar um basta nisso”.
O motivo da reivindicação por parte dos servidores
de negociação coletiva se dá em função dos secretários estaduais, em todas as
áreas, alegarem não ter poder de decisão. Ferreira alegou limites do orçamento
para manter os salários arrochados, no que foi contestado pelo presidente da
Apeoesp: “Orçamento não é motivo para arrochar salário. Orçamento é questão de
prioridade, conforme já disse anteriormente o economista José Serra”. Ferreira,
então, garantiu que “Serra não é uma metamorfose ambulante”. O presidente do
SindSaúde, Benedito Augusto de Oliveira, defendeu que as discussões com o
governo do Estado devem se dar em torno da Convenção 151 da OIT, que trata da
negociação coletiva dos servidores públicos. A manifestação foi organizada pelas
centrais sindicais CUT, CGTB, CTB e Nova Central, a Apeoesp, o Sinergia e o
SindSaúde, a Confederação das Mulheres do Brasil (CMB) e as uniões estudantis
UNE, UBES, UPES e UMES.
VALDO ALBUQUERQUE