Governo legaliza as centrais e atende reivindicação histórica

 Em cerimônia no Palácio do Planalto com a presença de dirigentes da CUT, CGTB, CGT, CAT, SDS, Força e NCST, o presidente Lula assinou a MP que reconhece juridicamente as centrais

Atendendo uma reivindicação histórica do movimento sindical brasileiro, o presidente Lula encaminhou segunda-feira ao Congresso Nacional uma Medida Provisória que legaliza as centrais. A cerimônia de assinatura da MP contou com a presença de lideranças da CUT, CGTB, CGT, CAT, SDS, Força e NCST, Confederações, Federações e Sindicatos de todo o país, e de vários ministros de Estado. No evento, Lula também assinou a MP que cria o Conselho Nacional de Relações do Trabalho (CNRT) e ainda enviou ao Congresso um projeto de lei regulamentando a formação e funcionamento de cooperativas de trabalho.

O presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e vice-presidente da Federação Sindical Mundial (FSM), Antonio Neto, lembrou que as centrais têm cumprido um papel de vanguarda na luta dos trabalhadores brasileiros pelo menos desde o Comando Geral dos Trabalhadores, criado em 1962, passando pelo movimento de unidade sindical de resistência à ditadura, que culminou com a realização da CONCLAT (Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras), com a fundação da Central Única dos Trabalhadores, em 1983, e da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, em 1986. “Estamos finalmente superando um preconceito e um entulho reacionário à unidade dos trabalhadores”, declarou Neto, frisando ser este “um passo significativo rumo à ampliação da democratização da nossa sociedade”.

“Depois de mais de 20 anos, as centrais sindicais que existem de fato passam a existir de direito. Com isso, o governo Lula dá um passo gigantesco para a nossa organização, como não poderia deixar de ser, já que este é um presidente que tem suas raízes no movimento sindical brasileiro”, afirmou Antonio Neto, presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB).

Em nome da bancada dos trabalhadores no Fórum Nacional do Trabalho, onde o reconhecimento jurídico das centrais foi amplamente debatido, o presidente da CUT, João Felício, ressaltou que a medida é histórica, pois atende uma reivindicação das entidades desde sua fundação. O mais importante, frisou Felício, “é que uma vez legalizadas e em condições de fazer a ação política, as centrais tenham a devida sustentação financeira para continuarem na luta pela construção de um Brasil profundamente justo e humano”.

“Este é um momento muito positivo para o sindicalismo, histórico, onde o governo reconhece as centrais como instância máxima de representação dos trabalhadores brasileiros”, afirmou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva. Agora, ressaltou  “precisamos que o Congresso Nacional nos dê aqueles 20% do imposto sindical que vai para o Ministério do Trabalho, que repasse para as centrais”.

De acordo com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, é estranho falar em reconhecimento das centrais sindicais: “Elas têm reconhecimento de fato, mas, no mundo jurídico, não são reconhecidas sindicalmente. Portanto, era preciso trazer à luz da nossa legislação esse reconhecimento”.

Fonte: Hora do Povo

 

 

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Atualizado em 20/02/08 15:20:57