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Diretor da Telesur diz que a Constituição assegura o direito à liberdade
de expressão
“É um absurdo. É a censura togada”, afirmou
nesta quarta-feira (25) o jornalista Beto Almeida, presidente da TV
Comunitária de Brasília e diretor da Telesur, televisão de integração
latino-americana, sobre a decisão do juiz federal Marcus Holtz de multar
o governador Roberto Requião em R$ 200 mil por manifestar opiniões na
Escola de Governo. “Por que não pode um governador, eleito pelo voto
direto, criticar outro Poder? Onde está na lei a proibição do exercício
da crítica? Fazer política é exercer a crítica. O cargo do governador é
um cargo político, portanto inclui o exercício da crítica, garantida
pela Constituição”, afirmou.

Almeida alerta para o risco de a censura
prévia se generalizar no País. “O Lula tem criticado os tucanos, será
que ele, pela lógica deste juiz, também deveria ser censurado? Vão
multá-lo por criticar os governantes passados? Lula, que foi eleito com
63 milhões de votos, não pode ter suas críticas transmitidas pela
emissora pública da televisão? Pela mesma lógica, as TVs dos
Legislativos, como a TV Câmara, em que os deputados fazem críticas
diuturnas a todas as instituições que acharem que devam ser criticadas,
como Igreja, Exército, Justiça, universidades, também deveriam ser
censuradas, o que é um absurdo. Política se faz assim, e decisões como a
desse juiz acabam por impedir a atividade política”, disse.
Críticas fazem parte da democracia, ressalta
Almeida. “Estamos dando um péssimo exemplo de imaturidade democrática
perante o mundo. Se alguém achar que o Governo se excedeu, que retire o
apoio que eventualmente lhe tenha dado pelo voto. Mas quando o
governador foi eleito, foi para o exercício da política. Ele é um
mandatário. O jogo democrático é feito do debate, da crítica e
contra-crítica”, observou.
“É muito preocupante que um País que tenha
caído no ridículo de censurar até o Balé Bolshoi na Ditadura, sob
gargalhada universal, agora, quando comemoramos 20 anos da Constituição,
se retroceda dramaticamente à censura, só que com uma inovação: a
censura parte da Justiça, que deveria zelar pelo cumprimento da
legislação, que garante a liberdade de expressão. A Justiça vai na
contra-mão dos pressupostos da era da informação que estamos vivendo,
que parte do princípio da liberdade de expressão, de comunicação, do
intercâmbio de idéias”, disse o jornalista.
Almeida criticou a postura que a imprensa
paranaense tem adotado em relação às decisões judiciais. “A imprensa no
Paraná tem uma particularidade porque, em geral, tem sido conivente com
as críticas que são feitas ao governador. Mas a imprensa também é vítima
porque, se o governador não pode falar, a imprensa não pode retratar.
Ela é, por conseqüência, censurada. A imprensa deveria reivindicar a
plenitude da Constituição, que parece não estar valendo no Paraná. A
imprensa está calada. Na Ditadura era assim. Depois de tantas mortes,
torturas e lutas, vamos retroceder à censura imposta pela mão do
Judiciário?”, questionou.
Fonte: Agência Estadual de Notícias
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