|
Trabalhadores rurais do DF denunciam à Secretaria-Geral da Presidência
que sofrem perseguição do Incra
As perseguições políticas por parte de
integrantes da Superintendência Regional do Incra no Distrito Federal,
as renegociações das dívidas dos produtores rurais assentados no
Distrito Federal e entorno e a distribuição de cestas básicas para as
famílias atingidas pela seca do ano passado foram o tema da reunião de
lideranças da AJISC (Articulação por Justiça e Inclusão Social no Campo)
e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do DF, ambos filiados à CGTB, na
última quinta-feira (26), com o secretário Nacional de Estudos e
Pesquisas Político-Institucionais da Presidência, Wagner Caetano, e com
o secretário-Adjunto de Articulação Social, João Bosco Calais Filho.

Segundo o presidente da AJISC, entidade que
reúne cerca de 1500 famílias de trabalhadores sem-terra assentados e
acampados no DF, Goiás e Minas Gerais, Alexandre Luiz Xavier de Almeida,
os trabalhadores rurais ligados ao movimento têm sofrido perseguições
políticas por parte do Incra, que só beneficia assentados ligados a
outros movimentos. Ele citou como exemplo o cancelamento dos contratos
de concessão de terras dos líderes do movimento sob a alegação de que
eles “orientavam” os trabalhadores e estavam atrapalhando o trabalho dos
integrantes do órgão. Além da revogação dos cancelamentos, os
agricultores pedem também uma atenção maior do governo para com os
agricultores que perderam as suas plantações em virtude da seca que
assolou parte de Minas Gerais e reivindicam a distribuição de cestas
básicas e a renegociação das dívidas dos produtores que perderam tudo
com a estiagem.
O líder dos trabalhadores rurais afirmou
ainda que é nítida a discriminação com os integrantes do movimento e
isso fica mais claro na hora da implantação de programas. “Mesmo quando
somos maioria dentro de um assentamento, as famílias beneficiadas são as
que estão ligadas a movimentos que tem influência no órgão ou
integrantes seus dentro do Incra”, disse Alexandre, que cobra uma
participação maior dos associados da AJISC no programa para a melhoria
das condições de moradia.
Wagner Caetano se comprometeu a levar
adiante as reivindicações dos agricultores. Disse que tentaria marcar
uma reunião das lideranças com o ministro do Desenvolvimento Agrário,
Guilherme Cassel, e conversaria com os representantes do Incra para
ouvir as explicações sobre a questão e para ver os motivos da
indisposição por parte do órgão.
“O governo Lula tem um compromisso de
aprofundar as relações com os movimentos sociais, independentemente dos
posicionamentos políticos. Essa política é diferente do governo
anterior, que buscava criminalizar os movimentos”, afirmou Caetano.
Segundo Alexandre, a reunião “foi um passo
muito importante para o movimento. A conversa com os representantes da
Presidência foi muito importante para que o diálogo seja estabelecido
com o Incra”.
Também presente á reunião, Aécio Aires,
presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do DF, afirmou que “com
a vontade política do presidente Lula, que todos conhecemos, e a nossa
experiência da luta diária, vamos fazer a reforma agrária no Estado”.
Após a reunião, os agricultores decidiram
cancelar uma manifestação que estavam programando para este final de
semana em frente a Granja do Torto para pedir o apoio do Presidente
Lula.
|