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Petistas acusam Ministério Público do Rio Grande do Sul de violar
Constituição
Deputados do Núcleo Agrário da bancada
petista na Câmara criticaram nesta quinta-feira a ação articulada pelo
Ministério Público (MP) do Rio Grande do Sul contra o Movimento dos
Sem-Terra (MST). O documento, de caráter sigiloso, divulgado nesta
semana pela imprensa, foi considerado pelos parlamentares como uma
"sangria na Constituição Brasileira" por se tratar de uma ameaça
declarada ao direito público. "É uma aberração pública o que o MP e o
comando da Polícia Militar do Rio Grande do Sul estão fazendo contra os
movimentos sociais", afirmou o deputado Adão Pretto (PT-RS).

Adão Pretto comparou as represálias ao MST
no estado ao que que se fazia no período da ditadura militar (1964-85).
Mas ressalvou que "nem na ditadura militar se verificou um abuso tão
grande contra os direitos dos trabalhadores”. Para ele, o que mais
assusta neste caso é que a repressão vem exatamente do órgão que deveria
proteger os injustiçados. “Se esse documento tivesse sido elaborado por
qualquer outro setor, com certeza o MST recorreria ao MP. E agora, vai
recorrer a quem?",indagou.
Segundo as denúncias, o Conselho Superior do
Ministério Público do Rio Grande do Sul decretou guerra ao MST,
defendendo a dissolução do movimento a bem da "segurança nacional" e
definindo linhas de ataque à organização. A ata secreta de reunião no
dia 3 de dezembro do ano passado revela que o Conselho constituiu uma
força-tarefa para "promover uma ação civil pública com vistas à
dissolução do MST e a declaração de sua ilegalidade".
Corrupção - Adão Pretto acredita que toda a
ação deflagrada no estado contra o MST conta com o aval da governadora
do estado, Yeda Crusius (PSDB-RS). Segundo o parlamentar, investigações
recentes de corrupção no estado apontam para a participação do governo
do estado em atos ilícitos. "Andávamos estranhando a posição da
governadora do estado e da PM quando da resolução de conflitos agrários
na região. Agora tudo ficou mais claro: eles querem promover uma chacina
dos trabalhadores", denunciou.
De acordo com o deputado, os acampamentos do
MST no estado têm sido alvo de arbitrariedades. Na semana passada,
disse, a PM comandou a desocupação de um acampamento em terras
arrendadas. "As famílias foram surpreendidas no meio da madrugada e
tiveram todas os barracos e benfeitorias devastadas. No Rio Grande do
Sul, quem se mete a buscar direitos sociais é tratado como bandido",
afirmou. As famílias que estavam em terreno arrendado pelos próprios
sem-terra foram encaminhadas para um barranco à beira da estrada, mesmo
local onde elas já haviam sido retiradas pelo próprio MP.
Para completar a ação, na última
quarta-feira (25), segundo o parlamentar, o MP emitiu uma nova ordem de
despejo para o grupo. Pretto está preocupado porque, devido à
'humilhação" a que as famílias estão submetidas, elas poderão acabar
acabem reagir. "Até um passarinho, quando acuado, ataca. Tenho certeza
que esse é o objetivo do MP do estado: eles querem que essas famílias
revidem para que tenham argumentos suficientes para fazer uma verdadeira
chacina e extinguir o MST", disse Adão Pretto.
Rondônia - O deputado Anselmo de Jesus
(PT-RO) afirmou que a tentativa de criminalizar os movimentos sociais
agrários não se restringem somente ao RS. "Em Rondônia também existe uma
articulação pesada de ruralistas e madeireiros para expulsar e
criminalizar esses movimentos. Muitas pessoas já morreram e outras
continuarão morrendo se esta criminalização dos movimentos sociais não
for combatida. No Pará e no Paraná acontece a mesma coisa. Eles matam
mesmo", lamentou.
Na Câmara dos Deputados, segundo o
parlamentar, a articulação pró-latifundiários também ocorre. "A
articulação contra os agricultores é claramente perceptível na Comissão
de Agricultura da Câmara. Recentemente a comissão aprovou um projeto que
impede o pagamento de benefícios sociais a trabalhadores assentados.
Eles acusam o MST de usar tática de guerrilha, quando na prática são os
ruralistas que estão fazendo uma verdadeira chacina contra os
trabalhadores que querem apenas terra", afirmou.
Fonte: Assessoria de Imprensa do PT na
Câmara
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