A QUEM INTERESSA A PROIBIÇÃO DO AMIANTO CRISOTILA?

Adilson C. Santana*

Mais uma vez impressiona perceber que meras suposições se sobrepõem à realidade de hoje com relação ao uso seguro e controlado do amianto crisotila no nosso país. Os equívocos e a desinformação chegam até a associação dos magistrados deste país, que se diz entendedora do assunto, como se fosse tecnicamente capacitada para tal.

O que mais assusta a nós, representantes dos trabalhadores, é que a questão principal deveria ser a discussão técnica, científica sobre o mineral, ouvindo-se também os trabalhadores, que deveriam estar no centro das discussões. Os trabalhadores não podem continuar sendo usados como pretexto para os que defendem a proibição do amianto (dizendo que estão preservando as nossas vidas, quando desconhecem as reais condições de trabalho com o amianto no Brasil). Mas o senso comum está se sobrepondo à razão.

Estes que não conhecem como se dá hoje o uso deste mineral no Brasil passam para a mídia informações que não refletem mais a realidade brasileira e informações erradas, tais como: que a OIT determina a proibição do amianto crisotila. Muito pelo contrário, a OIT, através da Convenção 162, regulamenta e dá orientações para se trabalhar de forma segura e responsável, preservando a saúde dos trabalhadores no mundo. 

A mina de amianto crisotila localizada em Minaçu (GO) e as empresas de fibrocimento no Brasil controlam a extração e utilização do mineral de forma segura e responsável. E nós asseguramos isso por meio de um acordo tripartite cujo cumprimento é fiscalizado pelas comissões de fábrica. Só uma empresa recusa-se a ser fiscalizada: ela pertence ao grupo Saint Gobain (multinacional de origem francesa) e usa fibra sintética.

Esta fibra sintética nem de longe é ecologicamente viável. Isto sem falar na questão econômica – já que seu custo é muito superior ao do amianto – e nos malefícios que a fibra sintética pode vir a ocasionar aos trabalhadores daqui a alguns anos, uma vez que não foi ainda suficientemente estudada. Os possíveis malefícios do amianto no Brasil estão no passado distante, quando não se dispunha dos controles de hoje. E este passivo as empresas têm de assumir.

Enfim, antes de se pensar em proibir o uso do amianto crisotila no Brasil, seria importante que magistrados, promotores de Justiça, pneumologistas e oncologistas se aplicassem em conhecer melhor a experiência brasileira de controle para garantir a saúde e a integridade física dos trabalhadores. Há mais de 18 anos os trabalhadores se mobilizaram e conquistaram ambientes seguros para se trabalhar. Em minha opinião, esta conquista dos trabalhadores do amianto deveria servir de referência para vários outros produtos e atividades que agridem a saúde dos trabalhadores no Brasil e no mundo.

* Adilson C. Santana é diretor do Sindicato dos Mineiros de Minaçu (Goiás), presidente da FITAC (Federação Internacional dos Trabalhadores do Amianto Crisotila) e vice-presidente CNTA (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Amianto)

 

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Atualizado em 25/06/08 17:14:19