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Seminário aponta o direito ao trabalho como essencial para libertar a
mulher
O direito ao trabalho e a conseqüente
emancipação da mulher passa, necessariamente, pela libertação dos povos
do domínio dos oligopólios, que produzem carências econômicas e sociais
para manter um sistema excludente que permite perpetuar a exploração
sobre as pessoas e os países dependentes. Esta foi a principal conclusão
do Seminário “A mulher, o trabalho e desenvolvimento: direitos,
conquistas e desafios”, promovido pela Confederação das Mulheres do
Brasil (CMB) e Federação das Mulheres Paulistas (FMP), com o apoio da
Caixa Econômica Federal e Seprosp, na última quarta-feira (18 de junho),
no sindicato dos Engenheiros e São Paulo.

As principais exposições do Seminário, que
reuniu dezenas de sindicalistas, representantes de centrais sindicais,
lideranças femininas e de associações de bairro, empresários e
políticos, foram feitas pela Dra. Lucíola Rodrigues Jaime,
Superintendente da DRT/SP, por Miguel Manso Perez, representante do
Instituto do Trabalho Dante Pellacani (ITDP), e por Guiomar Aquilini, do
Sistema Estadual de Análise de Dados (SEADE).
O rico debate possibilitou uma grande troca
de experiências entre os painelistas e as lideranças presentes. De um
lado, as participantes relataram os problemas e dificuldades enfrentadas
pelas mulheres no dia-a-dia, como a falta de creches, dupla jornada,
discriminação no mercado de trabalho, desemprego, a escravidão do
trabalho doméstico, entre outras questões. As causas deste males, como
enfrentá-los e como derrotá-los foram expostos em números, estudos e na
organização da luta de homens e mulheres pelos debatedores.
O direito da mulher ao trabalho, respeitando
as suas particularidades, foi a questão essencial apontada para garantir
a emancipação feminina. “Trabalhar, produzir, contribuir com sua
inteligência, é uma necessidade da mulher para ela se desenvolver como
ser humano pleno. Mas isso também é uma necessidade de um país que quer
se desenvolver e crescer. Por isso, não podemos ser dominadas por um
‘mercado’, que visa apenas o lucro, a exploração da mão-de-obra,
beneficiando poucos conglomerados internacionais”, afirmou a presidente
da FMP, Lídia Correa.

Ao traçar um paralelo do desenvolvimento da
sociedade, desde o surgimento do homem, passando pela constituição das
hordas, das comunidades tribais, da propriedade privada até o
capitalismo monopolista, Miguel Manso apontou em sua palestra que é uma
questão de sobrevivência para os monopólios manter uma sociedade baseada
nas carências, com restrição de acesso aos produtos. Segundo Miguel, os
monopólios dominam as matérias primas, controlam a produção e o
fornecimento. Ao diminuir a oferta de determinado produto, a exemplo do
petróleo, aumentam o preço para extrair lucros exorbitantes. Por outro
lado, essas mesmas carências permitem a exploração das pessoas através
das restrições e discriminação, como a de gênero, que é utilizada para
excluir a mulher do mercado de trabalho e para pagar salários menores.
“Numa sociedade organizada para
perpetuar e explorar as carências, as diferenças passam a ser motivo
para impor mais restrições. A luta pelo desenvolvimento interessa a
todos, aos homes, as mulheres. Mas interessa particularmente aqueles que
têm menos, que são mais discriminados, que têm menos oportunidades.
Então, quanto mais desenvolvimento, maior é a possibilidade da superação
das desigualdades, das diferenças”, destacou Miguel.
“A diferença, a desunião só interessa aos
monopólios, que querem cobrar um preço maior e pagar um salário menor. A
luta pelo trabalho é fundamental para a libertação da mulher. Eu não
creio na libertação do homem sem que junto com ela ocorra a libertação
da mulher. Não é possível existir um homem realizado, plenamente feliz,
se ao seu lado não tiver uma companheira plenamente feliz”, ressaltou.

De acordo com a deputada Ana Perugini
(PT-SP), um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que a
redução da desigualdade entre homens e mulheres está diretamente ligada
com a redução da pobreza no mundo. “Precisamos libertar homens e
mulheres desta cultura, desta economia que explora e procura isolar a
mulher”, afirmou Perugini.
Segundo um estudo do Ipea, que realizou
simulações dos impactos da redução da desigualdade salarial e da
inserção da mulher no mercado de trabalho com a redução da pobreza,
demonstrou que um salário semelhante entre homens e mulheres reduziria
em 10% a proporção de pobres e o acesso igual ao mercado de trabalho
aumentaria este índice para 25%.
As condições de integrar a mulher ao mercado
de trabalho aumentam num momento de expansão da economia, pois quanto
maior é o desenvolvimento, maior é o espaço para ampliar os direitos e
para reduzir as desigualdades. Segundo Guiomar Aquilini, da Sead, o
valor menor das aposentadorias pagas para as mulheres reflete um
histórico de salários mais baixos que elas receberam ao longo de sua
vida. Guiomar demonstrou que, embora insuficientes, as mulheres vêm
conquistando um espaço maior no mercado de trabalho. Na década de 70,
cerca de 25% da população feminina economicamente ativa estava
trabalhando na região metropolitana de São Paulo, enquanto na população
masculina este índice chegava a 70%. Atualmente, 55% das mulheres
trabalham.

Após fazer um breve histórico da luta das
mulheres no mundo para reduzir as desigualdades e conquistarem condições
para exercer suas profissões, como creche, licença maternidade e
salários maiores, Márcia Campos, presidente da Federação Democrática
Internacional das Mulheres (Fdim), destacou que os avanços só serão
conquistados com a união dos trabalhadores, empresários e governos para
proteger as suas economias da ação predatória de grupos estrangeiros,
que são os responsáveis pela exploração de homens e mulheres.
Gláucia Morelli, presidente da CMB,
sublinhou a importância do PAC para a redução da desigualdade de gênero
e as medidas tomadas pelo governo de exigir como contra-partida das
empresas que executam as obras a contratação de um percentual mínimo de
30% de mulheres. Gláucia afirmou que a maternidade, utiliza pelo sistema
para discriminar as mulheres, “não é um custo extra, mas algo essencial
para o desenvolvimento da Nação e seu povo. A lider feminina também
relatou que a CMB está discutindo com o Ministério do Trabalho uma forma
de ampliar a fiscalização e punição das empresas que não cumprir a lei e
não respeitam a licença maternidade, horários de amamentação, ou que não
oferecem creches e assistência à criança.
A visão empresarial foi trazida pelo
presidente do Sindicato das Empresas de Processamento de Dados e
Serviços de Informática do Estado de São Paulo (Seprosp), Luigi Nesi,
que apontou a desoneração da folha de pagamento e a transferência da
tributação para outras fontes como uma medida importante para gerar
empregos e garantir direitos às mulheres.

Já a Dra. Lucíola, da DRT, fez uma descrição
das dificuldades enfrentadas pelas mulheres com a dupla jornada e com a
discriminação, que as obriga a trabalhar em dobro e a mostrar mais
competência para romper as barreiras de gênero.
O presidente da CGTB, Antônio Neto, destacou
a importância da redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40
horas semanais, que além de gerar mais empregos, é uma forma de
possibilitar que a mulher tenha mais tempo para se qualificar e para
desfrutar com sua família. A mesma opinião também foi expressada pelas
representantes da UGT e do Sindicato dos Comerciários, Cleonice Caetano,
da NCST, Maria Mesquita (Mariazinha), e da CGTB, Cida Malavazi, que
ressaltaram ainda a união das centrais sindicais na luta em defesa dos
trabalhadores e trabalhadoras.
Além das personalidades citadas acima,
participaram também do seminário Hemerson Costa, da CEF, Laís Campos, da
Coordenadoria da Mulher de Campinas, Mafra Barreto, da Federação dos
Vestuários de São Paulo, Maria Antônia Gigliotti, técnicos do IBGE,
sindicalistas dos Metalúrgicos de São Carlos, dos Têxteis de Araraquara,
do Sindpd, do sindicato dos Garagistas, dos Radialistas, Vestuário de
Campinas, Frentistas de Guarulhos, das Domésticas, entre outros. Também
estiveram presentes integrantes da UMES de São Paulo, do Congresso
Nacional Afro-Brasileiro, da União das Mulheres do Brasil, do Grupo Cipa,
da Escola de Mulheres da CMB, do Ministério do Trabalho, de projetos de
alfabetização da CMB, e de associações de mulheres e de bairros de
Paraisópolis, Estrada das Lágrimas, Vila Alpina, Bem Querer, e de
Campinas.
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