Representantes dos vestuários discutem problemas do setor em reunião na CGTB 

Cerca de 30 sindicalistas, representado 10 sindicatos do setor de vestuário do estado de São Paulo, juntamente com o presidente da Federação, João Lima, participaram de uma reunião com integrantes da Executiva da CGTB para discutir questões relacionadas ao setor, conjuntura nacional e de organização. Nove dos sindicatos que participaram do encontro nesta terça-feira (17 de junho) já são filiados à CGTB e outros estão em processo de filiação.

Em sua intervenção, o presidente da Federação dos Vestuários de São Paulo, João Lima, agradeceu o convite da CGTB e destacou a importância da união do setor para as conquistas da categoria, não só do ponto de vista salarial, como também do desenvolvimento de políticas que protejam a indústria têxtil e de vestuário da concorrência desleal com produtos de outros países.

Lima relatou que muitos sindicatos filiados à Federação foram procurados por outras centrais, mas sem desmerecer nenhuma delas, foi na CGTB que os dirigentes sindicais encontraram espaço para fortalecer as suas reivindicações. “Os sindicatos viram que a CGTB tem coerência nas bandeiras que defendeu e defende ao longo de sua história”, disse Lima, ressaltando que a central não teve medo de defender posições mesmo em conjunturas desfavoráveis, como a resistência à política de privatizações e de desmonte do Estado promovido durante o governo neoliberal.

Os ramos têxtil e de vestuário são dois dos setores mais prejudicados com a política monetária do Banco Central, que mantém o dólar desvalorizado artificialmente através da enxurrada de capital especulativo que ingressa no país em busca dos juros altos. Este e outros fatores contribuem para que o setor se transforme em presa fácil da concorrência desleal promovida com produtos de outros países tanto fora como dentro do país. Além de impedir que o setor cresça plenamente e desenvolva a sua potencialidade. 

Ao fazer um breve histórico das últimas batalhas da central, o vice-presidente da CGTB, Ubiraci Dantas (Bira), sublinhou a unidade das centrais sindicais, que possibilitou inúmeras vitórias para os brasileiros, como os aumentos do salário mínimo, a correção da tabela do Imposto de Renda, o veto à Emenda 3 e o próprio reconhecimento das centrais. “Sempre levando em consideração os princípios da nossa central, construímos a unidade dos trabalhadores, fato que possibilitou inúmeras vitórias para o nosso povo”, ressaltou.

Bira relembrou a bandeira histórica da CGTB em defesa da unicidade sindical e da contribuição compulsória de todos os trabalhadores para fortalecer o seu instrumento de luta, o sindicato. Entre as principais batalhas da CGTB no momento atual, Bira citou a luta unitária das centrais sindicais pela redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e a manifestação que será realizada no próximo dia 19 em frente ao Banco Central, em Brasília, contra o aumento dos juros.

Para Alvaro Egea, presidente dos Vestuários de Guarulhos e da Executiva da CGTB, a reunião foi muito significativa e demonstra claramente o crescimento da central no setor. Alvaro afirmou que a CGTB deve ser encarada pelos novos filiados não só como entidade a qual estão se filiando para fortalecer a luta geral dos trabalhadores, mas principalmente como uma trincheira de luta, que abrirá muitos espaços para os sindicalistas defenderem os interesses da categoria. “Nós temos o compromisso de defender o trabalhador nas questões específicas e gerais da categoria. Mas defender os trabalhadores significa também defender o crescimento da indústria do vestuário no país, pois isso gera mais emprego e fortalece a nossa luta. Vamos utilizar os espaços institucionais da CGTB como nossa trincheira”, salientou Alvaro.

O sindicalista destacou também a importância da criação de cursos de qualificação e formação dos trabalhadores como forma de melhorar as condições de vida do povo e voltou a condenar as atitudes e perseguições de setores do Ministério Público do Trabalho, que tentam impedir que os sindicatos do setor recolham a contribuição sindical de toda a categoria.

“Nós estamos sendo atacados diariamente por uma linha neoliberal que se encastelou dentro do MPT e que advoga a tese de que os sindicatos não precisam de estrutura para se organizar. Nós temos que nos unir para combater este tipo de ação, que busca criminalizar o movimento sindical brasileiro”, disse Alvaro.

O presidente da CGTB-SP, Paulo Sabóia, também fez uma saudação aos companheiros do vestuário e destacou a importância do setor para a economia do país. Sabóia falou sobre o processo de crescimento da CGTB e o espaço que vem ocupando na sociedade em virtude da coerência de suas posições políticas.

Além dos citados acima, participaram da reunião presidentes e lideranças dos sindicatos dos vestuários de Presidente Prudente, Jundiaí, Campinas, Barueri, Indaiatuba, Suzano, São José dos Campos, São José do Rio Preto, Bragança e Guarulhos. Da CGTB, estiveram presentes o presidente do Sindapb, Osvaldo Lourenço, Lindolfo Santos, Cida Malavazi e Alfredo de Oliveira Neto.

 

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Atualizado em 18/06/08 16:01:21