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Centrais e ANS organizam seminário para discutir Saúde Suplementar
Técnicos da Agência
Nacional da Saúde participaram da reunião da Executiva Nacional da CGTB,
na última segunda-feira (16 de junho), para discutir seminário
preparatório com dirigentes da central
Discutir soluções para os problemas
enfrentados pelos brasileiros que possuem planos de saúde, aprofundar os
mecanismos de regulação do setor, criar cursos para qualificar os
sindicalistas para o processo de negociação com as empresas de saúde
suplementar, entre outras questões, serão os temas principais a serem
debatidos num seminário nacional que está sendo organizado pela Agência
Nacional de Saúde (ANS) e pelas centrais sindicais.
Esses assuntos e a necessidade de uma
participação maior dos trabalhadores na fiscalização e regulamentação do
setor foram abordados pelo gerente de relacionamento institucional da
Agência, Flávio Oliveira, e por outras representantes da ANS, na reunião
da Executiva da CGTB realizada na última segunda-feira.
Antes do encontro nacional, a ANS realizará
seminários separados com cada central sindical. Algumas reuniões com as
centrais já foram realizadas. Os próximos encontros deverão reunir
dirigentes da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e da
Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), entre os dias 6 e 7 de
agosto.
“Sabemos da importância das centrais
sindicais, da representatividade que elas possuem na sociedade e da
capilaridade de sua organização”, afirmou Flávio Oliveira em sua
exposição. Segundo ele, existem cerca de 48 milhões pessoas atendidas
por planos de saúde, sendo que cerca de 20 milhões são trabalhadores com
carteira assinada e, na maioria dos casos, não aderiram voluntariamente
aos planos de saúde, pois integram planos coletivos oferecidos pelas
empresas.
Flávio destacou que um dos papéis da Agência
é buscar um equilíbrio entre as fornecedoras dos serviços e os clientes,
mas que atualmente existe um “desequilíbrio para o lado do trabalhador”.
“Já ouvimos barbaridades em relação ao que os trabalhadores são
submetidos na relação com os planos coletivos de saúde”, afirmou Flávio,
destacando que a ANS tem clareza de que a saúde é um direito inalienável
das pessoas e que não pode ser tratada como mercadoria, “como um saco de
batatas”.
Na avaliação de Jorge Venâncio,
representante da CGTB no Conselho Nacional de Saúde (CNS), embora a CGTB
lute e defenda uma saúde universal gratuita e de boa qualidade, nós
temos cerca de 20 milhões de trabalhadores que são atendidos por este
sistema e é fundamental que a entidade se mobilize para impedir abusos e
para evitar que o trabalhador seja prejudicado.
Venâncio citou três exemplos que precisam da
atenção das centrais. Um deles é a falta de cobertura para determinas
doenças e a outra é a denúncia de que as empresas utilizam a
cumplicidade dos planos de saúde para não notificar casos de acidentes
de trabalho ou doenças ocasionadas pelo trabalho estafante ou
repetitivo. Segundo Venâncio, as centrais e a ANS precisam também ter um
controle maior sobre o que os planos e as empresas chamam de “prevenção
de doenças”.
Venâncio alertou que muitas empresas podem
utilizar os dados dos exames para promover demissões seletivas em
virtude de doenças congênitas e que é preciso não só haver um controle
sobre a utilização das informações obtidas nos exames, mas também o
fornecimento delas para os sindicatos acompanharem a situação do
trabalhador e para evitar perseguições.

O vice-presidente da CGTB, Ubiraci Dantas,
destacou que a proposta da ANS é muito importante e será uma grande
oportunidade para os trabalhadores participarem das decisões que são
tomadas para regulamentar o setor de saúde suplementar, permitindo que
se reduza ou acabe com os abusos cometidos pelos planos de saúde contra
os trabalhadores. “O que nós percebemos é que quando mais a pessoa
precisa do serviço, no momento em que está doente, é que verificamos que
existe uma burocracia que busca impedir que o cidadão seja atendido.
Precisamos combater os abusos e os descasos, porque as vezes é tarde
para tomarmos providências”, disse Bira.
O secretário-geral da CGTB, Carlos Alberto
Pereira, elogiou o trabalho da ANS e ressaltou que a agência tem
demonstrado um compromisso com os trabalhadores e com o país que não é
demonstrado por outras agências reguladoras, que funcionam mais como
representantes dos interesses das empresas junto ao governo do que outra
coisa.
“Essa iniciativa da ANS de chamar as
centrais para discutir é muito importante, porque a saúde, tanto pública
como privada, deve ter o foco na pessoa, e não no mercado. Hoje, na
maioria dos casos, os planos estão voltados para os lucros”, afirmou
Pereira, citando como exemplo os trabalhadores que pagam os planos de
saúde por mais de 30 anos, mas no momento que mais precisam deles, na
terceira idade, os preços são excludentes, tornando o acesso inacessível
aos idosos.
Após o Seminário previsto para ocorrer nos
dias 6 e 7, deverá ser assinado acordo de cooperação técnica entre as
diretorias das instituições com o objetivo de promover cursos de
capacitação em saúde suplementar para os representantes das centrais,
desenvolver programas em parceria, alem de produzir e distribuir
material informativo sobre saúde suplementar.
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