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Três empresas estrangeiras
monopolizam setor de fertilizantes no país
O aumento dos preços e a dependência externa
do Brasil no setor de fertilizantes e a majoração no preço do Glifosato
(agrotóxico produzido pela Monsanto) são exemplos modelares de quão
nefasto é para a economia brasileira a monopolização e
desnacionalização.

Tais problemas se tornaram mais evidentes
depois que as suas conseqüências se refletiram de forma mais acentuada
no aumento dos preços dos alimentos, fato que levou o governo a estudar
medidas no sentido de aumentar o peso estatal na produção de nutrientes
agrícolas com a intenção de diminuir a dependência do país dos
oligopólios externos.
De acordo com estudos do Ministério da
Agricultura, os fertilizantes representam, hoje, 40% do custo da
produção agrícola. Significa dizer que quase a metade do que um
agricultor gasta para produzir uma saca de soja é gasto com
fertilizante. Ressalta-se que 70% dos fertilizantes são importados e o
aumento ocorreu num período de forte depreciação do dólar, fato que
deveria diminuir o preço.
Cerca de 75% do mercado nacional de
fertilizantes é controlado por apenas três empresas transnacionais (Bunge,
Cargill e Yara). Essas empresas dominam não só as reservas brasileiras,
como também controlam majoritariamente as importações de tais insumos
agrícolas, determinado a seu bel prazer o preço e a oferta. Somente para
a safra 2007/08, os fertilizantes aumentaram nada menos que 40%.

"Diria que é um item estratégico para o
Brasil, já que o país é altamente dependente da importação de
fertilizantes. Já sabemos que no caso do fósforo temos minas para nos
tornarmos auto-suficientes no prazo de 5 a 10 anos, em nitrogenados
também temos essas condições, e no caso do potássio temos também uma
grande mina que precisa de uma análise mais técnica e ambiental porque
ela fica situada no Amazonas", afirmou o ministro da Agricultura,
Reinhold Stephanes.
Este quadro é um resultado direto da
privatização e desnacionalização do setor de fertilizantes promovido em
1993, no governo Collor. De lá pra cá, as importações e o aumento do
peso destes insumos no custo da produção aumentou brutalmente.
Isso está explícito num levantamento
elaborado pelo diretor-executivo da Associação dos Misturadores de
Adubos do Brasil (AMA), Carlos Florence. Ele aponta que em 1993 o Brasil
produzia 47% do total de NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio) utilizado
no país. Hoje, importa 72%. O mesmo ocorreu com o Nitrogênio (Uréia): em
1993, produzíamos 60%; atualmente, importamos 76%.
O resultado é que o agricultor brasileiro e
o consumidor estão totalmente reféns de tais monopólios, que manipulam a
quantidade da produção e conseqüentemente os preços. Esta situação pode
ser observada na relação entre o aumento da renda do produtor rural e o
aumento do custo da adubação na produção agrícola. Enquanto a renda
agrícola por hectare do produtor de soja, por exemplo, subiu 79% nos
últimos quatro anos, o custo da adubação por hectare aumentou 247% no
mesmo período.

O mesmo produtor de soja – que acabou sendo
jogado na armadilha montada pela Monsanto – está sentindo de forma mais
acentuada agora como não é positivo se tornar refém de uma
multinacional. Para se ter uma idéia, enquanto o preço médio dos
agrotóxicos não sofreu grandes alterações entre a safra de 2006 e 2007,
o Glifosato – produzido exclusivamente pela Monsanto e o único que pode
ser utilizado na semente que só ela comercializa – teve o preço
aumentado em 35%.
A agricultura é apenas um dos exemplos dos
malefícios causados pela desnacionalização. Sabemos que todos os
setores, de uma forma ou de outra, influenciam diretamente na economia e
na mesa do trabalhador. O aumento dos alimentos é o aspecto negativo. Do
outro lado, temos a Petrobrás, que segurou os aumentos nos combustíveis,
mesmo diante de uma forte especulação internacional que explodiu o preço
do barril. Isso foi feito para não gerar inflação e também porque o
petróleo é brasileiro e deve ser usado de acordo com os interesses do
país.
E não estamos falando de algo novo. Para os
que se excitam com exemplos de países do norte, basta ver a mobilização
que gerou a possibilidade de desnacionalização de uma fábrica de cerveja
nos EUA.

Por isso, são positivas e elogiáveis as
iniciativas do governo brasileiro, em especial do ministro da
Agricultura, Reinhold Stephanes, que defende a ação do Estado para
barrar os oligopólios. "Em princípio, nós queremos que nossas minas
sejam exploradas. Mas, se for necessário, evidentemente a Petrobras terá
que entrar nisso. Se for o caso, nós vamos agir também, ou até
reestatizar alguns setores que são necessários", afirmou Stephanes.
Alessandro Rodrigues
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