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Câmara dos Deputados aprova recursos para a saúde do povo
Por 259 a 159 foi criada a CSS que dará
ao setor de R$ 10 bilhões até R$ 11,8 bilhões
A Câmara dos Deputados aprovou, na
quarta-feira, por 259 votos favoráveis, 159 contrários e duas
abstenções, a criação da Contribuição Social para a Saúde (CSS). A
contribuição, com alíquota de 0,1% a partir de janeiro de 2009, incidirá
sobre as movimentações financeiras e terá sua arrecadação destinada
integralmente ao financiamento da saúde. Os recursos que serão
canalizados para o setor via CSS são estimados em R$ 10 bilhões no
próximo ano, podendo chegar até R$ 11,8 bilhões.
A
contribuição, que agora será levada para votação no Senado, não
incidirá sobre aposentadorias, pensões e salários de trabalhadores com
carteira assinada até o valor de R$ 3.080,00. Esse limite de isenção
significa que os 70 milhões de brasileiros mais pobres não pagarão a CSS.
Além disso, os saques das contas do Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço (FGTS), do PIS/Pasep e seguro-desemprego também não serão
taxados pela CSS.
Mesmo para quem não está isento, a
contribuição será modesta: alguém que ganha R$ 5.000,00, por exemplo,
terá que pagar meros R$ 5,00 de CSS por mês. Na verdade, serão os mais
ricos, cujas movimentações financeiras são mais freqüentes e mais
volumosas, que arcarão com a maior parte do tributo.
É sintomático que seja sobre um tributo em
que é evidente o seu caráter de justiça social, que a oposição
concentrou a sua raiva – a bem dizer, a sua histeria. Sempre foi um
cacoete da oligarquia latifundiária a disposição de fazer os pobres
pagar pelos ricos. Que o digam os antepassados do senador Agripino. Mas
também os heróis atuais da canalha, isto é, do neoliberalismo, sempre
acharam que a função do povo é pagar impostos para que eles encham os
seus cofres. A espoliação do país via juros da dívida pública não é
outra coisa senão a pilhagem sobre os tributos que o povo paga, para que
alguns magnatas acumulem montanhas de dinheiro sem pagar impostos.
Daí, a CSS ser tudo o que eles não gostam:
um tributo que os ricos pagam, e não podem nem ao menos sonegar, além de
ser destinado a beneficiar a saúde dos mais pobres.
“É a vitória de todos que precisam de um
hospital público, vitória do combate à sonegação”, afirmou o líder do
governo, deputado Henrique Fontana (PT/RS). A oposição tentou obstruir a
votação, usando manobras regimentais. Quatro sessões extraordinárias
foram realizadas, uma na terça e três na quarta-feira, até a aprovação
do substitutivo do deputado Pepe Vargas (PT/RS). No plenário, a bancada
tucano-pefelista provocou a base aliada, expondo placas com as frases
“Xô CPMF” e “PT – Partido dos Tributos”. Em resposta, os governistas
levantaram cartazes, nos quais listaram os principais programas de
saúde, além de informar que havia “zero de sonegação”.
A proposta de criação da CSS veio como forma
de recuperar parte dos recursos destinados ao financiamento dos serviços
de saúde pública, previstos no Orçamento com base na arrecadação da CPMF
– cujos recursos eram destinados à saúde e aos programas sociais
mantidos pelo executivo. No final do ano passado, no Senado, a oposição
conseguiu, apesar de perder a votação por 45 a 34 votos, derrubar a CPMF,
com uma perda de R$ 40 bilhões na arrecadação, usando o fato de que,
como emenda constitucional, a CPMF necessitava dos votos de três quintos
dos senadores. Diferente da CPMF, a CSS não necessita desse quorum para
aprovação, já que está sendo proposta por lei ordinária, e não por
emenda constitucional.
Após a derrubada da CPMF, o Senado aprovou o
Projeto de Lei Complementar 306/08, de autoria do senador Tião Viana
(PT/AC), regulamentando a Emenda 29, que prevê um acréscimo de mais R$
23 bilhões para a saúde. No entanto, o texto não criava uma fonte de
receita específica para cobrir o aumento de despesas, o que é
obrigatório pela Constituição.
A viabilização desse aumento de recursos é a
finalidade do substitutivo Pepe Vargas. Ao mesmo tempo que cria a CSS,
ele mantém a regra seguida atualmente pela União, que é destinar para a
Saúde o montante gasto no ano anterior, mais a variação do Produto
Interno Bruto (PIB). Pelo substitutivo, caso a variação do PIB seja
negativa, o governo não poderá reduzir o valor a ser investido na Saúde.
O dinheiro a mais da CSS, no entanto, não
vai entrar na base de cálculo para a definição dos recursos do ano
seguinte, funcionando como uma espécie de “bônus” para a Saúde. Os
recursos para a Saúde serão o montante aplicado no ano anterior mais o
aumento determinado pelo crescimento do PIB e mais a arrecadação da
CSS.
“Considerando os R$ 10 bilhões que virão da
CSS, mais uma suplementação de R$ 6 bilhões que estamos reivindicando
para este ano, a saúde pública terá cerca de R$ 68 bilhões em 2009,
contra R$ 48 bilhões atualmente”, declarou o deputado Pepe Vargas.
Vargas observou que a oposição falsificava
o conteúdo do projeto, ao dizer que a CSS retiraria recursos da Saúde:
“Ou os Democratas e o PSDB não leram o meu substitutivo, ou estão apenas
criando confusão para tumultuar o processo. Está claro no artigo 5º que
o financiamento da saúde virá da correção do que foi empenhado no ano
anterior, corrigido pela variação nominal do PIB (Produto Interno
Bruto), mais o total da CSS”.
Com a derrota na Câmara, restou aos
paladinos de agiotas e sonegadores a expectativa de que o Senado barre a
destinação de recursos para a saúde. “Depositamos a esperança agora nos
senadores”, disse o líder do DEM na Câmara, deputado ACM Neto (BA). No
entanto, segundo o líder do governo, Henrique Fontana , “se a votação no
Senado fosse hoje, tenho certeza de que a CSS seria aprovada, porque a
saúde tem necessidades urgentes”.
Segundo o líder do PT na Câmara, Maurício
Rands (PE), a cobrança do novo imposto é uma forma de garantir fontes
permanentes para o financiamento da saúde. Sem fontes fixas, acrescentou
Rands, o sistema de saúde do país fica vulnerável porque passa a
depender da arrecadação que varia conforme o ano.
Fonte: Hora do Povo
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