Requião comemora fim da censura à sua participação na TV Educativa:
 
“Queriam me silenciar para que não denunciasse os inimigos do povo”

 “A denúncia era traduzida como ataque a adversários, como se ladrão fosse adversário do governador, e não de toda a sociedade e da democracia”, afirmou o governador do Paraná, na Escola de Governo da TV Educativa

 Na última terça-feira, o governador do Paraná, Roberto Requião, comemorou a decisão da Justiça Federal que extinguiu a censura prévia à sua participação na programação da Rádio e TV Educativa do Paraná e, em especial, no programa Escola de Governo. A sentença da juíza federal Tani Maria Wurster julgou “extinto, sem resolução do mérito”, a sentença do desembargador Edgar Lippmann, proferida em janeiro desde ano. Caso desrespeitasse a sentença, o governador poderia ser multado em até 200 mil reais.

 “Estabeleceram a censura, e o governador não podia mais criticar ninguém. Se denunciasse corrupção, seria punido, porque a denúncia era traduzida como um ataque a adversários, como se ladrão fosse adversário do governador, e não adversário de toda a sociedade e da democracia”, disse Requião no programa Escola de Governo. O programa, transmitido ao vivo, reúne todas as terças-feiras o secretariado e membros do governo no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.

 Referindo-se ao “escândalo do Rio Grande do Sul”, o governador disse que “isso não é novo” e citou vários episódios detectados no Paraná quando ele assumiu o governo. “Quando assumi, o Detran tinha um furo no caixa de R$ 170 milhões. A Copel tinha um furo de R$ 340 milhões, além do escândalo da Olvepar”, denunciou. 

“Coisas como essa só mudam com o jogo aberto e franco, com a exposição das coisas para que a população saiba o que acontece. Mas, semana passada, se eu dissesse isso pagaria uma multa de R$ 200 mil”, disse.

Segundo ele, as pessoas têm o direito de não gostar do que ele fala na Escola de Governo e, nesse caso, podem “recorrer à Justiça, pedir direito de resposta, me processar por injúria, calúnia ou difamação”.

“Mas eles queriam me silenciar, a partir do momento em que eu revelei o salário dos procuradores da República”, falou. O governador lembrou da batalha que travou, na época em que era senador, para conhecer os contratos firmados pelo então governador Jaime Lerner com montadoras de automóveis que se instalaram no Paraná.

“Requeri em juízo os contratos, e me responderam que se tratava de segredo de estado. Ora, o que valida um ato administrativo é sua publicidade. O que não foi publicado não existe. Ainda assim, não consegui ver os contratos, e hoje temos algumas barbaridades, referentes às montadoras, muito difíceis de serem desatadas. A publicidade evitaria que isso acontecesse”, explicou.

SOLIDARIEDADE

Na época em que foi proferida a sentença, a censura ao governador foi alvo de manifestações de repúdio por amplos setores da sociedade, entre elas, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, o Movimento dos Trabalhadores RuraisSem-Terra (MST), o senador Pedro Simon (PMDB/RS), o arcebispo de São José dos Pinhais, Dom Ladislau Biernaski, o militante pelos direitos humanos, Frei Betto, o bispo Dom Tomás Balduino, conselheiro permanente da Comissão Pastoral da Terra, os jornalistas Fernando Morais, Gilberto Maringoni e Mauro Santayana, e várias outras entidades estaduais e do Paraná.

Fonte: Hora do Povo

 

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Atualizado em 12/06/08 16:18:15