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Bittar não consegue votar PL 29 pela 6ª vez na comissão
Pela sexta vez consecutiva, a votação do PL
29 foi adiada na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara. O adiamento
foi feito a pedido do ministro de Relações Institucionais, José Múcio,
atendendo a uma reivindicação de vários deputados, como relatou Walter
Pinheiro (PT/BA), para que uma nova rodada de discussão fosse realizada.
O projeto, cuja relatoria coube ao deputado
Jorge Bittar (PT/RJ), vem sofrendo muita resistência. Um dos pontos
contestados é o de abrir 100% da distribuição do setor de TV paga para a
exploração de empresas estrangeiras. Os debates na Comissão chegaram a
ter momentos tensos. O presidente da comissão, Walter Pinheiro, chegou
uma hora depois do início da sessão devido a uma reunião que teve para
convencer o relator a desistir de tentar votar o seu texto.
Nos bastidores da Câmara, o adiamento era
creditado não só aos deputados, mas também a um pedido do ministro das
Comunicações, Hélio Costa, que nesta semana intensificou as críticas à
matéria, que conseguiu “desagradar a todos”, segundo sua avaliação. Para
Costa, que prometeu enviar a posição oficial do ministério sobre o tema
na semana que vem, o impasse na votação do projeto foi gerado pela
ampliação do texto que deveria tratar inicialmente apenas da
convergência dos serviços de TV paga (cabo, satélite e MMDS). “O
objetivo principal que era entender e resolver o problema da TV por
assinatura acabou virando uma outra discussão, por isso que levou a este
impasse”, disse.
Ao participar de uma reunião na terça-feira
no Instituto FHC, apoiado pela nova BM&FBovespa, ao lado de FHC, de dois
ex-presidentes da Anatel, Renato Guerreiro e Luiz Guilherme Schimura,
dos deputados Paulo Bornhausen (DEM-SC) e Julio Semeghini (PSDB-SP),
Bittar (PT-RJ) disse que é a “TV por assinatura é praticamente um
monopólio”. Na sua opinião, para combatê-lo, é preciso abrir o setor
para o capital estrangeiro.
Entretanto, ilegalmente, é justamente o
capital estrangeiro que domina a distribuição da TV por assinatura no
Brasil. Telefónica (TVA), Telmex (NET) e Sky dominam o mercado de TV a
cabo, MMDS e satélite. Abrir o setor para as teles transnacionais (Telefónica
e Telmex) operar, somente irá legalizar a sua posição e facilitar a
atuação do monopólio.
Mas, até mesmo a contrapartida solicitada
pelo relator, as cotas para a produção nacional de audiovisual, forma
que garantiria o mínimo de programas nacionais na TV desnacionalizada,
estão sendo bombardeadas pelas empresas estrangeiras. E olha que o
deputado se esforçou para que elas ficassem menores do que já é
transmitido atualmente, como demonstra um estudo do Intervozes. Sobre
isso, o próprio deputado esclarece: “Não há porque temer o estímulo
criado na forma de cotas”.
Fonte: Hora do Povo
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