|
Paulinho: Se eu contar o que sei, cai a República de São Paulo
Em entrevista publicada
nesta quinta-feira (5) pelo jornal Correio Braziliense, o deputado Paulo
Pereira da Silva (PDT-SP) acusa o PSDB paulista e o governo do tucano
José Serra de estarem por trás das denúncias contra eles divulgadas na
última semana.
Paulinho afirma que, no ano passado, ele e
sua família foram investigados clandestinamente pela Polícia Civil de
São Paulo – o que teria acontecido após seu rompimento político com o
prefeito Gilberto Kassab (DEM, apoiado por Serra)
O deputado disse ainda que, se contar o que
sabe, “cai a República de São Paulo”. Leia abaixo o trecho da entrevista
em que Paulinho faz as acusações:
O senhor tem dito que é vítima de
perseguição. Quem faria isso e por quê?
Passei a ser o deputado que articula as
centrais sindicais. Nós estávamos acuados. Tentaram dividir os
trabalhadores. E agora estamos juntos. Isso incomoda. Quem? Grandes
empresários do cenário nacional e políticos importantes.
Da base do governo ou da oposição?
Tem alguns da base, mas é a oposição. Eles
me consideram um traidor. Porque eu vim para cá e a gente juntou as
centrais sindicais, CUT e Força. Quando juntou, consideraram uma
traição.
Em São Paulo, o senhor tinha uma ligação
próxima com PSDB, hoje se afastou. A investigação da PF foi feita lá. Na
sua opinião, o PSDB paulista pode estar por trás disso? São eles que o
chamam de traidor?
Eu acho que sim. Mas vou dizer mais. Eu
cometi uma falha nesse processo todo (ao não denunciar para a imprensa).
Começou uma investigação sobre mim em São Paulo em setembro no ano
passado, achei que era um seqüestro da minha filha (Juliana). Ela me
ligou e disse "pai, estou sendo seguida". E eu falei para ir a uma
delegacia. Isso foi por volta de setembro (do ano passado). Eu pensei
que fosse seqüestro. Eu pedi para o coronel da Polícia Militar Wilson
Consani Júnior verificar. Passaram uns dias, e ele me procurou. E disse:
nós constatamos que é Polícia Civil. A polícia tinha uma casa alugada
ali perto da sede do PDT, na Vila Mariana. Aí deram uma batida na casa,
e quase morreu gente. E os caras se identificaram e disseram que quem os
mandou foi o alto comando da Polícia Civil. E o Consani falou: Paulinho,
não sei se é bom ou ruim. O bom é que não é seqüestro. O ruim é que a
Polícia Civil, que, quando não tem prova, fabrica. E, para me prevenir,
fui ao Ministério Público e dei um depoimento no dia 18 de outubro. E
procurei o Lupi (ministro do Trabalho, Carlos Lupi, então presidente do
PDT). Não tinha como não falar que era o Serra, a Polícia Civil.
A Polícia Civil estaria investigando o
senhor clandestinamente, é isso?
Sim, e estava investigando minha filha. Eu
dei um depoimento no dia 18 de outubro ao Ministério Público. E isso
aconteceu, eu peguei esse negócio e dei para a Veja. Só que a revista
queria que eu falasse com ela, mas o ministro Carlos Lupi não deixou eu
fazer. Aí, o que aconteceu? Contaram para os caras, e eles mudaram de
polícia.
Por que o PSDB teria feito isso?
Porque você sabe como funciona uma eleição.
Tem um prefeito. Nos mantivemos uma independência do PDT em São Paulo.
Não compusemos com o Serra para governador, fui candidato a prefeito.
Agora eles faziam questão de contar com nosso partido. E nós fizemos uma
guerra para o secretário (Geraldo Vinholi), nomeado na época do Serra,
entregar o cargo na prefeitura do Kassab. Nós rompemos.
Há um dedo do governo estadual nessa
história então?
Alguém do governo estadual está nisso. Isso
tudo aconteceu porque, durante todo o tempo em São Paulo, o PDT manteve
a independência. E isso incomodou. Tentaram o tempo todo controlar o
nosso partido para ter pelo menos a metade com eles. Por isso, enfrentei
para retirar o partido da base do Kassab. O Kassab esteve na minha casa
duas vezes.
O Kassab foi fazer o que?
Dizer que não era candidato, mas queria
manter uma boa relação conosco. Eu disse que nossa tendência era ter
candidato. E vou parar por aqui. Depois disso, teve a perseguição em São
Paulo. O coronel Consani vai falar isso para a Polícia Federal.
E qual a relação disso com as recentes
denúncias de desvio no BNDES?
Se eu tivesse denunciado, eu falaria tudo o
que aconteceu. E não estou querendo falar agora. Se eu falar, cai a
República de São Paulo.
Alguém ofereceu dinheiro?
Não posso falar nada.
Por que cairia a República de São Paulo?
Porque tem muito problema. Se eu tivesse
denunciado, tinha me prevenido dos supostos envolvimento nessas coisas.
Por que falo de armação? Quem inflou essa historia? Alguém que quer me
detonar.
|