CMS convoca manifestação: “Fora Meirelles! Menos Juros, mais desenvolvimento”

 A Coordenação Movimentos Sociais (CMS) fará no dia 19 de junho, em Brasília, às 9 horas, uma ampla mobilização nacional contra a política de juros do Banco Central (BC). O protesto será realizado em frente do prédio do Banco Central

 “Em defesa do Brasil e do povo brasileiro, vamos às ruas no próximo dia 19 de junho, realizando em Brasília uma grande manifestação em frente ao Banco Central. Por menos juros e mais empregos, por uma reforma tributária que garanta justiça social, por uma reforma agrária que dê terra a quem nela mora e trabalha”, afirma a convocatória do CMS.

A manifestação já vinha sendo organizada pelas entidades populares que integram o CMS, mas foi reforçada devido a última decisão do Copom que decidiu aumentar os juros mais uma vez em 0,5 ponto percentual.

“As forças progressistas do país se uniram para promover o desenvolvimento do país, criar emprego e distribuir renda. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, busca sabotar todo este forço do governo e da sociedade, aumentando os juros para promover a sangria do Orçamento em benefício dos especuladores. Não existe outra explicação plausível para o aumento dos juros senão a ação de oposicionistas infiltrados na administração para sabotar o governo e, inclusive, tirar proveito disso nas próximas eleições”, afirmou o vice-presidente da CGTB, Ubiraci Dantas, que participou da reunião do CMS na sede da CUT, nesta quinta-feira (05-06), para organizar a manifestação.

O que o movimento social está condenando, declarou o vice-presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), "é o uso do argumento da inflação pelo BC para aumentar os juros, que já são os mais altos do mundo. Isso representa um boicote ao desenvolvimento nacional, pois inviabiliza o investimento, joga contra a produção, o PAC, a reforma agrária e os programas sociais".

O documento do CMS, assinado por Antonio Carlos Spis, da Executiva da CUT, afirma ainda que “o Banco Central, com o tucano Henrique Meirelles à frente, mantém sua política monetária de juros altos e elevado superávit primário. Assim, continua assaltando os cofres públicos para transferir gigantescos recursos da produção e do desenvolvimento nacional para o cassino da especulação”.

Segundo Antonio Carlos Spis, da executiva nacional da CUT e da CMS, "ao aumentar a taxa Selic em 0,5%, quarta-feira, o senhor Henrique Meirelles conseguiu acirrar ainda mais os ânimos do movimento social, que decidiu ampliar a convocação do protesto, para reverter a atual política de juros e superávit primário nas alturas, que atenta contra o interesse do país e do povo brasileiro". "Desenvolvimento se faz estimulando a produção, gerando emprego e distribuindo renda. Nós queremos mais recursos para políticas públicas, acelerar a inclusão social. Juro alto é o inverso disso, é mais concentração de renda, é fomento à especulação", condenou Spis.

 Leia abaixo a íntegra do documento do CMS:
 

Menos juros, mais desenvolvimento

 Em defesa do Brasil e do povo brasileiro, vamos às ruas no próximo dia 19 de junho, realizando em Brasília uma grande manifestação em frente ao Banco Central. Por menos juros e mais empregos, por uma reforma tributária que garanta justiça social; por uma reforma agrária que dê terra a quem nela mora e trabalha; por uma reforma urbana que garanta moradia digna à população de baixa renda e combata à especulação imobiliária; por uma reforma educacional, que amplie o financiamento público e amplie a democracia e qualidade do ensino; por uma reforma política que aprimore e fortaleça a participação popular, colocando o povo como protagonista da sua própria história; e da democratização dos meios de comunicação, que em nosso país têm cada vez mais confundido liberdade de imprensa com liberdade de empresa, manipulando, mentindo e criminalizando os movimentos sociais.

De costas às necessidades do povo brasileiro, que cobra mais recursos para a saúde, habitação, educação, reforma agrária e urbana, o Banco Central, com o tucano Henrique Meirelles à frente, mantém sua política monetária de juros altos e elevado superávit primário. Assim, continua assaltando os cofres públicos para transferir gigantescos recursos da produção e do desenvolvimento nacional para o cassino da especulação. É uma lógica perversa, que atenta contra os interesses do país, pois cria um círculo vicioso de juros altos, aumento da dívida pública, juros altos, aumento da dívida...

Os gastos do governo federal no primeiro quadrimestre demonstram que já foram sangrados do Orçamento - e pagos em juros e encargos da dívida pública - nada menos do que R$ 44,441 bilhões. Os números comprovam que o gasto com juros em apenas quatro meses é imensamente superior a todos os investimentos previstos no Orçamento da União de 2008, que mal chegam a R$ 40 bilhões.

A irracionalidade desta lógica fiscalista de Meirelles, mantida pelo governo Lula, é facilmente comprovada: embora sangre o país para manter em dia os pagamentos aos especuladores, os juros estratosféricos elevaram a dívida líquida do setor público para R$ 1,14 trilhões (41,2% do PIB) em março. Ou seja, quanto mais o país paga, mais deve.

Como bem demonstra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o caminho do desenvolvimento é outro. Passa pelo fortalecimento do papel indutor do Estado, pela garantia de contrapartidas sociais para os investimentos com recursos públicos, pela indução do crescimento com geração de emprego e distribuição de renda.

Juntos, começamos a construir um novo tempo. Agora, com a nossa unidade e mobilização, removeremos os obstáculos que impedem o pleno desenvolvimento das imensas potencialidades de um país rico, de um povo criativo, honesto e trabalhador, que merece e vai ser sujeito de seu destino.

Vamos à luta e à vitória!

 

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Atualizado em 05/06/08 17:28:07