Sindicalistas entregam a Garibaldi abaixo-assinado pela redução da
jornada
Representantes das centrais sindicais,
acompanhados dos senadores Paulo Paim (PT-RS) e Inácio Arruda (PCdoB-CE),
entregaram ao presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, nesta
terça-feira (3), um abaixo-assinado com 1,6 milhão de assinaturas
apoiando a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas
semanais, sem redução de salário. Os sindicalistas pediram a votação
imediata da proposta de emenda à Constituição (PEC 75/03) de autoria
de Paim que propõe a mudança na legislação trabalhista. A matéria
aguarda apreciação pela Comissão de Constituição, Justiça e
Cidadania (CCJ).

De acordo com o autor da PEC 75/03, os
principais objetivos da proposta são a geração de empregos e a
garantia, ao trabalhador, de mais tempo para o descanso e a
requalificação profissional. Segundo acrescentou, após a redução
imediata da jornada de 44 para 40 horas semanais, a carga seria
reduzida em uma hora por ano, até chegar ao patamar de 36 horas
semanais, considerado ideal.
“Isso geraria, no final do processo,
algo em torno de 8 milhões de novos empregos. São 8 milhões de
pessoas trabalhando, produzindo, recebendo, consumindo. A mudança
reativaria todo o mercado interno, distribuiria a renda e aumentaria
a produtividade, além de garantir a redução da ocorrência de
acidentes de trabalho e permitir ao trabalhador tempo de se
qualificar para viver no mundo das novas tecnologias”, ressaltou
Paim, frisando que a maioria dos países desenvolvidos adota uma
jornada diária de seis a sete horas.
Paim apontou ainda como objetivo das
centrais sindicais que o empregador que comprovadamente gerar novos
empregos a partir da redução da jornada também seja beneficiado pela
alteração.
“Eu defendo, inclusive, que o empregador
não pague mais 20% sobre o total da folha de pagamento para a
Previdência, mas que a Previdência passe a receber um percentual "x"
sobre o total do faturamento”, explicou.
Do presidente Garibaldi, as centrais
ouviram o compromisso de que averiguará a possibilidade de colocar a
matéria em votação assim que a pauta estiver desobstruída. Antes de
passar pelo Plenário, que esta semana analisa medidas provisórias, a
PEC precisa ser aprovada na CCJ.
Discussão na Câmara
Há outras PECs em tramitação no
Congresso Nacional propondo a redução da jornada de trabalho para 40
horas semanais. As PECs 231/95 e 393/01 - a primeira delas do
senador Inácio Arruda - aguardam apreciação na Câmara, cujo Plenário
sediou, nesta terça-feira (3), debate entre centrais sindicais,
parlamentares e entidades ligadas ao setor.
Na ocasião, o diretor do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese),
Clemente Ganslúcio, afirmou que a redução da jornada de trabalho de
44 para 40 horas representará um aumento médio de apenas 2% no custo
médio da produção. Ganslúcio citou que, dos anos 90 para cá, a
indústria brasileira acumulou um ganho médio de produtividade de
cerca de 130% e, portanto, esse custo adicional de 2% seria
facilmente absorvido.
Já o diretor do Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto
Queiroz, previu que a redução da jornada de trabalho de 44 para 40
horas semanais levará à abertura de três milhões de novos postos de
trabalho, permitindo a inclusão produtiva de jovens desempregados.
“Com a redução, ganha o trabalhador em
qualidade de vida, ganha a empresa com menos acidentes de trabalho e
mais eficiência, tendo em vista o menor desgaste dos empregados, e
ganha o governo, com a redução das despesas com saúde e previdência
social”, disse.
O presidente da Câmara, Arlindo
Chinaglia, comprometeu-se a mediar as discussões sobre a votação das
matérias.
(Agência Senado com informações da
Agência Câmara)