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Sobre o Fórum
Nacional da Previdência Social:
A Constituição de 1988 universalizou o conceito de
Seguridade Social (Artigo 194). A Constituição previu que fosse assumida
por toda a sociedade a contribuição da Previdência Social dos
trabalhadores rurais, uma vez que o Estado não teve condições de
organizar esta arrecadação.
O artigo 195 da Constituição de 1988 definiu que a
seguridade social será financiada pelos orçamentos da União, dos
Estados, do Distrito Federal, dos municípios e pelas seguintes
contribuições sociais:
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Contribuição
sobre a folha de salário
-
Cofins
-
Contribuição
Social sobre o lucro líquido – CSLL
-
Receita de
concursos de Prognóstico
-
CPMF
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PIS/Pasep
Contando com essas contribuições sociais, a
seguridade social tem apresentado sucessivos superávits: em 2005 foi
superavitária em R$ 57,7 bilhões, em 2006 foi superavitária em 47,9
bilhões.
Os recursos destinados à Previdência Social são
recursos que pertencem aos trabalhadores, são suas contribuições para
garantir uma vida digna na velhice no caso de invalidez e morte; e perda
temporária da capacidade de trabalho como doença, acidente, maternidade
e reclusão.
Ninguém tem o direito de dispor desses recursos para
outros fins que não a Previdência. Podem, como devem, sempre que
possível, serem utilizados para o desenvolvimento econômico, desde que
seja devidamente discutido e consensuado com os trabalhadores e,
evidentemente, com o expresso compromisso de que sejam regiamente
devolvidos.
Entre os poucos crimes previstos na legislação
brasileira que dão cadeia imediata para quem os pratica está o pai
deixar de pagar a pensão devida ao filho e o empresário deixar de pagar
a Previdência quando recolhido do trabalhador.
Estes recursos, criados pela Constituição de 1988,
foram surrupiados durante os 8 anos de governo neoliberal de FHC para
gastos financeiros, pagamento de juros, formação do superávit primário,
etc; a partir daí, os recursos alocados na Previdência pelo Tesouro
(além da contribuição dos trabalhadores e empresários) passaram a ser
alardeados por setores da mídia e alguns burocratas tucanos,
remanescentes na administração das finanças do Estado, como “déficit” da
Previdência. Por outro lado, o que mais foi inflado durante o governo
tucano foram os juros pagos, como já vimos, em sua quase totalidade, com
os recursos da Seguridade Social.
Nosso esforço principal hoje na luta pela Previdência
Social é recuperar e assegurar este direito constitucional de que as
contribuições previstas em lei sejam destinadas à Seguridade Social e à
Previdência.
Propomos um período de transição para que os recursos
da Seguridade Social sejam paulatinamente assumidos como da Seguridade e
da Previdência. Este será o tempo necessário para serem
consensuadas de forma tripartite a correção das
deformações que se desenvolveram no período FHC, assim como outras
iniciativas necessárias para fazer frente às demandas macroeconômicas.
Reafirmamos as bandeiras de luta aprovadas em nosso V
Congresso e a Agenda dos Trabalhadores Pelo Desenvolvimento consensuada
por todas as Centrais Sindicais:
A. Pelo fim do fator previdenciário.
B. Manutenção do Tempo de Contribuição de 35
anos para os homens e 30 anos para as mulheres.
C. Manutenção da vinculação do piso dos
benefícios da previdência social ao salário mínimo.
D. Garantia do piso assistencial de um salário
mínimo.
E. Garantia da gestão quadripartite da
Previdência Social.
F. Investir na gestão do sistema, com vistas
ao combate das fraudes, desvios e sonegação. Instituir mecanismos
eficazes de cobrança e execução dos devedores.
G. Garantia que as isenções
previdenciárias sejam cobertas
pelo orçamento fiscal da União e não pela seguridade
social.
H. Reativação do Conselho Nacional de
Seguridade Social.
I. Elevação do teto das aposentadorias dos
trabalhadores da iniciativa privada para 20 salários mínimos.
J. Criação da Previdência Complementar
Pública.
L. Ampliação da formalização do trabalho.
O momento é extremamente propício. O Brasil vive um
período de crescimento econômico e de superação das anomalias da
política neoliberal com a queda dos juros e o fim da dependência do FMI.
O Ministro Marinho, quando no Ministério do Trabalho, assumiu de forma
corajosa uma agenda positiva enfrentando o principal nó para os
trabalhadores e para o desenvolvimento econômico daquela pasta, elevando
o salário mínimo em 26%, superando o desgaste crescente que o Ministério
do Trabalho vinha sofrendo entre as entidades sindicais com a chamada
Reforma Sindical, que pretendia cortar direitos sindicais dos
trabalhadores. Esta atitude, além de extremamente benéfica para a
economia e para a justiça social, acabou sendo um dos elementos
fundamentais para a reeleição do presidente Lula.
Em nossa opinião, qualquer iniciativa no sentido de
tirar direitos dos trabalhadores, em especial numa área tão sensível
para os mais pobres como a Previdência, vai certamente ser usada e
manipulada pelos principais monopólios da mídia. Ainda mais agora, que
retomam a “cruzada” golpista contra o presidente Lula.
Consideramos que é tão ou mais significativo que na
época do salário mínimo, assumir uma agenda positiva no Fórum da
Previdência, também no seu nó principal, a questão da Seguridade Social,
ainda mais importante para a economia e a justiça social.
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