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Movimentos do Pontal condenam projeto
de Serra que legaliza terras griladas
Movimentos sociais que atuam na luta pela reforma
agrária no Pontal do Paranapanema (região no extremo oeste do estado)
realizaram uma onda de ocupações que se alastrou pelas fazendas da
região desde o dia 20 de junho, com o objetivo de barrar a criminosa
usurpação, que legitima a grilagem de terra em todas as propriedades
fundiárias com mais de 500 hectares. O movimento é organizado pelo MST
(Movimento dos Sem-Terra), Movimento dos Agricultores Sem-Terra (MAST),
Movimento do Trabalhador Rural e Sem-Terra do Brasil (Mtrsb), Associação
Rural dos Sem-Terra (ATST) e a União dos Sem-Terra (Uniterra), que
exigem urgência para a retirada do projeto da Assembléia. A operação de
resistência ao assalto às terras devolutas foi chamada de “Operação São
João” ou “Inverno Quente”, e unifica o conjunto dos movimentos sociais,
que têm o apoio da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e da CGTB
(Central Geral dos Trabalhadores do Brasil) na luta por justiça no
campo.
O movimento foi deflagrado após o governo Serra
enviar à Assembléia Legislativa na segunda-feira (18 de junho) um
projeto de lei com o objetivo de dar posse de terras na região com mais
de 500 hectares, e assim regulamentar a ocupação de terras que foram
griladas por fazendeiros. A proposta do governo é criar uma medida que
atingirá diretamente cerca de 200 fazendas com mais de 500 hectares. As
terras são consideradas devolutas, ou seja, já existem decisões
judiciais ordenando a devolução das terras que foram griladas ao Estado.
Conforme a proposta apresentada pelo governador
tucano, propriedades que compreendem entre quinhentos e mil hectares - e
que encontram-se em litígio, mas que são terras devolutas, portanto
deveriam ser utilizadas para a reforma agrária - não mais serão
socializadas, mas apropriadas legalmente pelos grileiros. Assim, apenas
15% das áreas retornariam ao executivo em troca da regularização dos
restantes 85%. Nas propriedades entre mil e dois mil hectares, a
“concessão” - isto é, a devolução ao Estado do que não lhes pertence -
deverá ser de 20%, e nas propriedades acima de dois mil hectares, 25%,
ficando os latifundiários com 80% e 75% de suas áreas originais
regularizadas pelo Estado, respectivamente. Um Robin Hood às avessas.
Esta medida do governo Serra pode perpetuar a atual
estrutura fundiária, o que não é aceito pelos movimentos sociais.
Segundo Lino Macedo, presidente nacional do Movimento dos Agricultores
Sem-Terra (MAST), “todos os movimentos são contra (o Projeto de Lei).
Nós estamos montando uma pauta que será enviada aos órgãos competentes,
como a Secretaria da Justiça, o IPESP (Instituto de Previdência do
Estado de São Paulo) e o governo do estado”. O líder dos agricultores
afirmou que eles pretendem se reunir com um representante do estado para
que possam negociar uma saída mais satisfatória a todos os assentados.
Segundo ele, “parece que eles vão nos chamar para discutir, porque para
nós esse é um projeto que vai acabar com a questão da reforma agrária
aqui no Pontal”.
Em palestra no último sábado, Serra estampou a
essência do seu projeto pró-latifúndio improdutivo: “a reforma agrária
bem-feita envolve um componente econômico insuportável. Desapropriação,
crédito para o agricultor, educação, habitação, estradas e assistências.
É impossível pelo seu custo”.
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