|
MAST, MST e Uniterra fazem ato contra projeto de Serra que legaliza
grilagem
Mobilização do MAST, Uniterra e MST, com o
apoio da CUT e CGTB, exige assentamento imediato de 3.500 famílias e a
retirada do projeto enviado à Assembléia Legislativa para presentear
latifúndio com legalização da grilagem de 300 mil hectares de terras
devolutas

O Dia do Trabalhador Rural, 25 de julho, foi
comemorado no Pontal do Paranapanema (no extremo oeste do estado de São
Paulo), com mobilização em Presidente Prudente pelo assentamento
imediato de 3.500 famílias e a retirada do projeto enviado pelo
desgoverno José Serra à Assembléia Legislativa, que presenteia o
latifúndio com a legalização da grilagem de 300 mil hectares de terras
devolutas.
A manifestação foi organizada pelo Movimento
dos Agricultores Sem-Terra (MAST), Movimento dos Trabalhadores Rurais
Sem-Terra (MST), Terra Brasil União dos Sem-Terra (Uniterra) e contou
com o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Central Geral
dos Trabalhadores do Brasil (CGTB).
“O governo paulista prefere legalizar a
terra para os grileiros do que assentar famílias que passam
necessidades. Alckmin não fez nada pelo trabalhador rural e o Serra
também não”, afirmou o presidente do MAST e membro da executiva nacional
da CGTB, Lino Macedo. Os protestos começaram três dias antes com uma
caminhada de trabalhadores sem terra de Presidente Epitácio, Presidente
Bernardes, Rosana, Mirante, Martinópolis e Regente até Presidente
Prudente.
]
Segundo Lino, as manifestações se espalharam
desde o dia 18 de junho, após o governo Serra enviar à Assembléia o seu
projeto de lei com o objetivo de dar posse de terras aos grileiros. A
resistência foi deflagrada para combater o assalto às terras devolutas,
unificando o conjunto dos movimentos sociais que encampam a luta por
dignidade e justiça no campo.
Conforme a proposta apresentada pelo governo
tucano, propriedades que compreendem entre quinhentos e mil hectares - e
que se encontram em litígio, mas que são terras devolutas, devendo
portanto ser utilizadas para a reforma agrária - não mais serão
socializadas, mas apropriadas “legalmente” pelos grileiros. Assim,
apenas 15% das áreas retornariam ao executivo em troca da regularização
dos 85% de toda área para os grileiros. Nas propriedades entre mil e
dois mil hectares, a “concessão” - isto é, a devolução ao Estado do que
não lhes pertence - deverá ser de 20%, e nas propriedades acima de dois
mil hectares, 25%, ficando os latifundiários com 80% e 75% de suas áreas
originais regularizadas pelo Estado, respectivamente.

“Dessa forma, o governador José Serra quer
legitimar o crime dos 300 mil hectares de terras devolutas griladas no
Pontal -, presenteando 200 grileiros com estas propriedades públicas,
impedindo que sejam distribuídas ao social, à reforma agrária e
golpeando mais de 10 mil famílias” denunciou Lino Macedo.
A Jornada Nacional de Luta por Reforma
Agrária, realizada no Dia do Trabalhador Rural, foi comemorada em todo o
Brasil com ocupações, atos e passeatas, em que milhares de pessoas
denunciaram a lentidão no processo de assentamentos, onde exigiram
justiça no campo e pressa na distribuição de terra.
Fonte: Hora do Povo
|