SINDICATOS SE UNEM CONTRA USURPAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO SINDICAL 

Em reunião realizada na sede da Federação dos Trabalhadores na Construção Civil de São Paulo, em 14 de junho, representantes de diversos sindicatos denunciaram ações promovidas pelo Ministério Público com o objetivo de impedir o recolhimento e o repasse da contribuição compulsória para os sindicatos. Entre os presentes estavam o presidente da CGTB/SP, Paulo Sabóia, representantes dos sindicatos dos Frentistas de São João da Boa Vista, FETAESP (Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado de São Paulo) e Agentes Autônomos do Comércio e da Intersindical de Ribeirão Preto.

O Ministério Público vem, por meio de procedimentos judiciais, tentando retirar a contribuição compulsória repassada para os sindicatos. Essas ações são resquícios da portaria 160, editada no ano passado pelo Ministério do Trabalho, e que tinha por objetivo acabar com a contribuição, principal fonte de recursos de todos os sindicatos.

“O prejudicado por essas ações são todos os trabalhadores brasileiros, que ficam a mercê de órgãos que não têm como principal objetivo a defesa das leis de interesse do trabalhador. Somos a imensa maioria que deve fazer barulho. Quando a portaria 160 tramitava no Congresso nós a derrotamos e ainda ganhamos muitos aliados. Agora é preciso um plano de ação de mobilização total para que se regulamente o artigo 8º e consigamos, por meio dele, consolidar o movimento sindical no Brasil, fortalecendo nossa estrutura frente a bandeira da unicidade sindical”, afirmou Paulo Sabóia, presidente da CGTB, finalizando o encontro.

“O problema não é jurídico e juridicamente não vamos resolver nada. A solução do problema de nossa categoria é eminentemente política”, disse Clodoaldo Carmo Campos, presidente do Sindicato dos Agentes Autônomos do Comércio e da Intersindical de Ribeirão Preto.

Embora a portaria 160 tenha sido derrubada após gigantescas manifestações das centrais, federações e demais entidades sindicais, alguns órgãos ainda mantêm a pressão para acabar com o direito da contribuição dos trabalhadores, uma conquista histórica da classe operária.

“O histórico de nossas vitórias em beneficio dos trabalhadores é vasto. O trabalhador nunca ganhou nada de graça. O que foi conseguido até agora foi com muita luta. Por isso é preciso que federações, centrais e todos os sindicatos se unam e levem gente para Brasília. Vamos exigir do Congresso Nacional que se regulamente essa situação e se defina qual o percentual destinado aos sindicatos”, disse Clodoaldo.

A FETAESP (Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado de São Paulo) foi vítima de 36 ações civis públicas idênticas e todas com liminar. “A situação é difícil e nada podemos fazer se não, tocar a situação protelando e suspendendo as liminares“ desabafa Pedro José de Araújo, representante e advogado da FETAESP.

Dentre algumas das propostas iniciais para que o problema seja revertido está o requerimento de uma audiência com deputados e a solicitação para que o Congresso discuta e regulamente o artigo 8º da Constituição.

 

 

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Atualizado em 20/02/08 14:29:55