Folha embrulha dados e desinforma seus leitores

 Resposta à matéria “estatais anunciam em revista pró-Lula”, publicada na Folha de São Paulo

 Em matéria de quase página inteira, publicada no último domingo, dia 18 de junho, intitulada “estatais anunciam em revista pró-Lula”, os repórteres Rogério Pagnam e Lílian Christofoletti afirmam que “criada há cerca de 20 anos e com apenas 17 edições a desconhecida revista “CGTB” conseguiu nos últimos três anos formar uma carteira de anunciantes com as principais estatais do governo federal. Diz ainda, sem citar fonte alguma ou de como chegou a essa conclusão, que a CGTB “tem baixa representatividade entre as centrais” e é “formada por cerca de 20 sindicatos“.

 Nestes últimos três anos, como, aliás, é noticiado detalhadamente nas revistas da CGTB que disponibilizamos para o Rogério, realizamos o congresso de São Paulo, com a participação de 112 sindicatos e 350 delegados, do Paraná, com 37 sindicatos e 272 delegados, de Alagoas, com 26 sindicatos e 100 delegados e do Pará, com 60 sindicatos e 150 delegados. O 2º Vice-presidente Nélio Botelho é o Presidente do Movimento Brasil Caminhoneiro, que parou o Brasil contra a cobrança dos pedágios, contra as péssimas condições das estradas e a falta de segurança no 2º governo FHC, conforme noticia nossa revista.

 Estamos preparando para agosto o nosso V Congresso. Receberemos 500 entidades sindicais, 1.500 delegados e representantes centrais sindicais de 40 países. Estão programados 18 encontros preparatórios estaduais e, nos dois dias posteriores ao congresso, o IV Encontro das Américas, conforme informa nossa página na internet. Nestes últimos 3 anos foram publicadas 9 revistas. Em média, uma por quadrimestre.

Nossa meta é trimestral e vamos chegar lá este ano. Durante nossos primeiros 16 anos, a revista não era uma prioridade. Foram publicadas apenas 8 edições de forma esparsa, quando aconteciam congressos ou fatos muito extraordinários. Nessa época, praticamente não tínhamos publicidade.

Então, não são dezessete em vinte anos, são oito em quinze anos e 9 nos últimos três anos.

 É evidente que durante o governo Lula o espaço para os trabalhadores ampliou. Com FHC era a elite quem tinha mais vez. Isso não quer dizer que são os patrocinadores que mandam na revista. Não que faltassem propostas nesse sentido durante o governo FHC.

Tivemos até hoje 75 páginas de anúncios, sendo 33 de empresas privadas, como o Bradesco, Santander, Embraer, Procwork, FEBRABAN, CNI (Conf. Nac. da Indústria), CNC (Conf. Nac do Comércio), CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil), SESC, SESI etc e 35 páginas das empresas públicas , sendo duas páginas ainda no governo de FHC. Aliás, como foi explicado para o repórter, 13 anúncios de empresas públicas são páginas duplas, que, durante o governo Lula,  só pagam uma (a outra sai como cortesia). Ou seja, na realidade são 22 páginas. Ao contrário que pensa o Rogério, as estatais costumam solicitar descontos maiores, pelo menos para nós. Por fim, sete páginas de publicidade são dos governos estaduais de São Paulo, da Bahia e de Pernambuco.

 O repórter afirma ainda que “segundo a folha apurou, a clientes Bira diz que a notícia sobre o programa Bom Prato, do Governo de São Paulo, foi paga pelo governo”. A bem da verdade e da justiça com o governo Geraldo Alckmin, duas páginas de publicidades do governo de São Paulo já foram veiculadas na revista: uma da Telesp (enquanto ainda era estatal) e outra  sobre investimentos em geral. O que não têm nada a ver com as matérias de apoio às Frentes de Trabalho, projeto que temos orgulho de participar ou com a matéria sobre o “Bom Prato”, parceria que reivindicamos, mas  que ainda não conquistamos.

Pelo exposto, consideramos que a publicação desta carta ajude a esclarecer os leitores sobre as questões tratadas na referida matéria. 

Antonio Neto

Presidente da CGTB