“Alternativa à CPMF é reduzir superávit
e taxar especulador”
Centrais Sindicais decidem unificar
ações para barrar açodamento da oposição
contra os direitos sociais e os
servidores públicos
Os
dirigentes da CUT (Central Única dos
Trabalhadores), Força Sindical, Central
Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB),
Central dos Trabalhadores e das
Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nova
Central (NCST) e União Geral dos
Trabalhadores (UGT) decidiram, na
quinta-feira, dia 10, realizar ações
conjuntas em defesa dos recursos das
áreas sociais, do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) e da manutenção dos
acordos firmados com os servidores
públicos - garantindo os reajustes
salariais e a realização de concursos
para novas contratações.
A decisão
das centrais é uma resposta às pressões
da mídia, do DEM e do PSDB, e a ameaças
de setores vacilantes do próprio
governo, de que cortes seriam
necessários após a não-aprovação da CPMF.
O fim desta contribuição criou um rombo
de R$ 40 bilhões no Orçamento da União.
SUPERÁVIT
“Cortes? Só
no superávit primário e na especulação”,
foram taxativos os sindicalistas, para
quem o Estado tem o papel de alavancar o
desenvolvimento, não podendo abrir mão
de recursos fundamentais para o
atendimento de necessidades básicas da
população brasileira. As centrais
acordaram mobilizar a sociedade e
reapresentar ao governo e ao Congresso
Nacional sua proposta de reforma
tributária, formatada durante a Jornada
pelo Desenvolvimento com Distribuição de
Renda e Valorização do Trabalho.
“Esta ação
unitária é decisiva para fazer frente à
campanha depreciativa e de desinformação
feita pela mídia, que quer impor sua
pauta contra o projeto político em
curso, o que provocaria um retrocesso”,
declarou o 1º tesoureiro da CUT e
representante da Central na Coordenação
dos Movimentos Sociais (CMS), Antonio
Carlos Spis. “Não vamos admitir em
hipótese alguma a retirada de recursos
das áreas sociais. A redução do
superávit primário é a melhor
alternativa, assim como maior taxação
dos especuladores”, acrescentou Spis.
Segundo o
secretário-geral da Central Geral dos
Trabalhadores do Brasil (CGTB), Carlos
Alberto Pereira, “há uma tentativa clara
da direita e da mídia de prensar o
governo para que sejam feitos cortes nos
direitos sociais, se prejudique o
salário mínimo e os servidores públicos,
a fim de trazer ônus para o campo
popular nas próximas eleições”. “Achamos
que o PAC tem que ser mantido, os
programas sociais têm que ser mantidos,
os acordos sacramentados têm que ser
mantidos. O governo ainda não definiu,
está havendo discussão e os
trabalhadores vão dar sua opinião. O que
estamos debatendo é que a questão
central é o superávit primário, que o
próprio FMI reconhece que está alto
demais. Outra questão é o investimento
externo na Bolsa, que não pode continuar
isento de IOF. No próximo dia 21, vamos
nos manifestar, anunciando formas
concretas de mobilização para garantir
estas conquistas”, declarou Pereira.
O
secretário-geral da Força Sindical, João
Carlos Gonçalves (Juruna), defendeu que
é necessário manter o mesmo espírito da
Jornada pelo Desenvolvimento, “onde nos
somamos para fazer um projeto de ação,
um documento unitário para avançar”.
“Agora, é preciso elencar questões de
interesse da classe trabalhadora, como a
reforma tributária e a defesa do serviço
público, lutando na mesma trincheira
para vencermos novamente”, sublinhou.
De acordo
com a secretária de Política Sindical da
CUT, Rosane Silva, “é fundamental a
pressão desde a base para garantirmos
políticas que pesem sobre os impostos
diretos que taxem os ricos, como a
constituição de uma nova estrutura da
Tabela de Imposto de Renda e o aumento
do hoje inexpressivo Imposto Territorial
Rural - ITR. Exigimos também o aumento
da taxação sobre a herança e a
regulamentação do Imposto sobre Grandes
Fortunas, conforme já previsto na
Constituição Federal de 1988”.
MOBILIZAÇÃO
As centrais
definiram que na próxima segunda-feira,
dia 21, conjuntamente com a mobilização
em defesa dos recursos sociais, será
anunciada uma ação de envergadura pela
redução da jornada de trabalho sem
redução de salário e para garantir a
representação dos trabalhadores nos
Conselhos de Administração das empresas
- já anunciada pelo presidente Lula no
encontro com os sindicalistas após a
Marcha, em dezembro. Também será
constituído um Grupo de Trabalho das
centrais para começar a formatar a
regulamentação das Convenções 151 e 158
da Organização Internacional do Trabalho
(OIT), que tratam respectivamente do
direito à negociação coletiva no serviço
público e da coibição à demissão
imotivada. As centrais vão agendar uma
reunião com o ministro Luiz Dulci,
secretário geral da Presidência, e
Carlos Lupi, do Trabalho e Emprego, para
agilizar estes encaminhamentos.
Para o
dirigente da NCST, Luiz Gonçalves, a
mobilização deve ser a mais ampla
possível, unificando o conjunto da base
das centrais e “demonstrando que o
movimento sindical brasileiro está
unido, defendendo os recursos para as
áreas sociais, estratégicos para o
desenvolvimento”.
Membro da
executiva da CTB, Carlos Rogério de
Carvalho Nunes denunciou que “a mesma
mídia defensora do projeto neoliberal de
Fernando Henrique, que quebrou o Estado
e inviabilizou seu papel de indutor do
desenvolvimento, agora quer inviabilizar
o governo, engrossando a campanha para
que acordos com o funcionalismo sejam
descumpridos”.
Representando a UGT, Paulo Pirassol
também destacou o papel da “ação
unitária das centrais sindicais para que
os trabalhadores brasileiros continuem
tendo resultados positivos e
crescentes”.
LEONARDO
SEVERO/Hora do Povo