Reforma Tributária:
após ouvir centrais, Lula manda tirar proposta que cortava receitas da
Previdência
O Presidente Lula e os ministros Guido Mantega, Luiz
Dulci, Luiz Marinho e Paulo Bernardo receberam ontem (25/02) os representantes
das centrais sindicais, com o objetivo de apresentar e discutir as propostas do
governo para a Reforma Tributária, que pode ser enviada ao Congresso ainda nos
próximos dias.

Após ouvir as centrais, o presidente Lula resolveu
retirar da proposta apresentada pelo ministro Guido Mantega a redução da
contribuição patronal à Previdência Social. A proposta previa a redução da
contribuição patronal, que hoje é de 20% sobre a folha. A alíquota seria
reduzida em um ponto percentual por ano a partir de 2010 e, em 2016, chegaria a
14%. Com isso, o governo deixaria de arrecadar cerca de R$ 30 bilhões para a
Previdência.
As centrais apoiaram as propostas do governo, mas
colocaram em discussão alguns pontos centrais. Segundo o presidente da Central
Geral dos Trabalhadores do Brasil, Antônio Neto, em relação à desoneração
literal, que é a proposta de aliviar as empresas de impostos, representa uma
incerteza para o movimento sindical. “As centrais pediram ao governo para que
tenhamos um aprofundamento do tema para garantir o conceito da Seguridade
Social, não podemos desamparar a Previdência”, afirmou.
Uma das características marcantes da proposta do
governo é fazer uma simplificação importante nos tributos federais e estaduais,
particularmente o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de
Serviços (ICMS).
A Reforma Tributária prevê a criação do Imposto
sobre Valor Adicionado (IVA) federal, que substituirá tributos sobre bens e
serviços como a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social
(Confins), a contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e a
Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que incide sobre os
combustíveis.
Outros temas que as centrais insistiram dizem
respeito à tabela do imposto de renda e os impostos sobre a herança e sobre a
fortuna. “Queremos uma tabela progressiva, com faixas alternativas, alem disso
sentimos falta na Reforma Tributária de duas fontes arrecadadoras do Estado: o
imposto sobre a herança e sobre a fortuna”, ressaltou Antônio Neto.
Apesar dessas reivindicações das centrais, o
presidente da CGTB acredita que a Reforma Tributária “vai contemplar grande
parte dos anseios dos brasileiros, representando uma nova relação entre os entes
federativos”.
Ao final do encontro, os sindicalistas anunciaram
que ficaram satisfeitos com as declarações feitas pelo presidente Lula na
reunião. Lula ouviu os argumentos levantados pelas centrais e pediu ao ministro
da Fazenda, Guido Mantega, que suspenda a proposta “para analisar melhor” esses
argumentos. Após a reunião, foi anunciado oficialmente que a redução da
contribuição patronal para a Previdência Social não fará mais parte da proposta
do Planalto para a Reforma Tributária.
Greicy Pessoa