Trabalhadores rurais reafirmam pressão contra projeto que regulariza grileiros
Com a coordenação do deputado Simão Pedro e a
participação dos petistas José Cândido e Zico Prado, a Frente Parlamentar pela
Reforma Agrária realizou dia 20/2, debate sobre a situação dos sem-terra na
região do Pontal do Paranapanema e o projeto de lei que regulariza áreas
devolutas (PL 578/2007).
O
debate reuniu líderes do MST, José Rainha; CPT (Comissão Pastoral da Terra),
Padre Jurandir; Abra (Associação Brasileira da Reforma Agrária), Sabrina Diniz;
Mast (Movimento dos Agricultores Sem Terra), Lino Macedo; Faraesp (Federal dos
Trabalhadores Assalariados do Estado de São Paulo), Élio Neves; FAfop (Federação
dos Assentados e Produtores do Oeste Paulista), Eduardo Morais; FAF (Federação
de Agricultura Familiar), Marcos Pimentel.
Todos foram unânimes no protesto contra o projeto de
lei que regulariza terras devolutas acima de 500
hectares na região do Pontal do Paranapanema. Contra ele falou Zico Prado,
denunciando que o governo do Estado não tem nenhum interesse na agricultura,
principalmente na agricultura familiar: “O governo tem de dizer quais regiões do
Estado estão reservadas para a agricultura familiar, porque o interesse do
governo é exclusivamente a cana. Há pouco o governo anunciou medidas de
incentivo à produção do leite, mas esse incentivo foi exclusivamente para a
indústria. O produtor recebeu em
média R$ 0,40 por litro, menos que o preço de um copo de água”, lamentou Zico
Prado, e acusou Serra de estar transformando o Estado de São Paulo num canavial.
Élio Neves da Faraesp disse que Serra está na
contramão dos interesses da população no que diz respeito à terra e sua
ocupação, pois enquanto promove o despejo das pessoas que ocupam o local e tiram
de lá o seu sustento, há mais de 12 anos, distribui para os usineiros licenças
ambientais em tempo recorde. Élio Neves denunciou que há usinas que perfuraram
poços de mil metros e retiram água do Aqüífero Guarani para lavagem de cana, sem
que isso sofra qualquer fiscalização da secretaria do Meio Ambiente. “As terras
devolutas devem ir para o povo e não para o latifúndio”, finalizou.
O líder dos trabalhadores sem-terra José Rainha Jr.
defendeu a continuidade das ocupações de terras na região do Pontal do
Paranapanema, enquanto tiver terra pública improdutiva. “Enquanto houver
trabalhador passando fome, vai haver carnaval vermelho, páscoa vermelha,
independência vermelha, natal vermelho, porque o sem-terra não ocupa segundo a
vontade do José Rainha, mas pela necessidade”, afirmou Rainha e continuou:"Vai
ter vermelho enquanto tiver pobre e enquanto tiver um governo desse que pega
terra públicas e põe na mão de meia dúzia de grileiros. Enquanto tiver terra
pública improdutiva vai ter tudo o que você pensar de vermelho", afirmou o
líder.
Rainha falou ainda sobre as críticas que dom José
Maria, da pastoral de Presidente Prudente, sofreu de setores da imprensa quando
declarou que o sem-terra está certo ao ocupar uma área pública. Rainha emprestou
toda a solidariedade dos sem-terra ao prelado e repudiou os setores que atacaram
dom José, como a UDR e parte da imprensa.
Para o Padre Jurandir, o projeto do governador Serra
é um retrocesso que vai contra a luta de milhares de famílias da região do
Pontal. “Em uma linguagem religiosa, é um projeto demoníaco”, salientou o padre.
Encaminhamentos
Ao final Simão Pedro enumerou os encaminhamentos do
debate. A Frente Parlamentar irá agendar uma reunião com o governador José Serra
para pedir a retirado do projeto na Assembléia Legislativa e encaminhar carta da
CNBB – Confederação Nacional dos Bispos Brasileiros – que reafirmam a
necessidade da reforma agrária nas terras devolutas do Estado.
Leia abaixo moção de apoio ao Bispo de Pres.
Prudente, Dom José Maria Saracho, aprovada no debate promovido pela
Frente Parlamentar pela Reforma Agrária na Assembléia Legislativa do Estado de
São Paulo "Conflitos Agrários no Estado de São Paulo, em 20 de fevereiro de
2008.
Novas manifestações de apoio poderão ser dirigidas
ao Bispo pelo e-mail : diocesepp@stetnet.com.br
MOÇÃO DE APOIO AO BISPO D. JOSÉ MARIA SARACHO
DIOCESE DE PRESIDENTE PRUDENTE
Nós, deputados da Frente Parlamentar pela Reforma
Agrária, representantes e militantes da FERAESP, do MST, da FAF, CUT/SP, CPT,
FAFOP, do MAST, do UNITERRA, do Terra Brasil, da AFITESP, da FETRAF, da ABRA e
da Secretaria Agrária do PT/SP, vimos nos manifestar frente aos últimos
acontecimentos veiculados nacionalmente através do jornal Folha de São Paulo e
outros meios de comunicação, a respeito das declarações do bispo da Diocese de
Presidente Prudente/SP.
Dom José Maria Libório Saracho, declarou apoio às
ações organizadas pelos movimentos sociais de luta pela terra, afirmando que
apenas através da pressão ou pelas ocupações de terra se realizará a Reforma
Agrária.
Seu depoimento reforça sua postura ética e coerente
diante do seu inegável histórico de luta e comprometimento com a perspectiva de
transformação do campo brasileiro, sobretudo agora enquanto Coordenador Estadual
da Comissão Pastoral da Terra - CPT. O ataque a esta importante figura denota a
presença de uma classe latifundiária tacanha e retrógrada, que pretende manter
esta realidade excludente no campo brasileiro.
Portanto, reiteramos nosso total apoio e respeito ao
posicionamento de Dom José, confiantes que apenas com luta, com o fim do
latifúndio através da realização da Reforma Agrária construiremos uma sociedade
com justiça social.
A presente moção foi aprovada no Debate “Conflitos
Agrários no Estado de São Paulo”, promovido pela Frente Parlamentar pela Reforma
Agrária, da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, realizada em 20 de
fevereiro de 2008.
São Paulo, 20 de Fevereiro de 2008.
Deputado Simão Pedro
Coordenador da Frente Parlamentar pela
Reforma Agrária.
Fonte: Assessoria de Imprensa PT