Centrais deflagram campanha contra a
privatização da Cesp
Governo de São Paulo quer privatizar a terceira
maior geradora de energia elétrica do Brasil

Com o lema “A Cesp é do povão, abaixo a
privatização”, as centrais sindicais deflagraram na capital paulista, na
segunda-feira (18), campanha contra o leilão da Companhia Energética de São
Paulo (Cesp). A venda da terceira maior geradora de energia elétrica do país foi
decidida pelo governo estadual no final do ano passado.
“As centrais sindicais, as entidades estudantis e os
movimentos negro e feminino estão irmanados nesta luta para impedir a entrega da
Cesp, pois já foi comprovado na prática que a privatização de empresas de
geração de energia significa tarifa mais cara, apagão e desemprego”, afirmou o
vice-presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Ubiraci
Dantas de Oliveira (Bira).
Segundo o dirigente da CGTB, a privatização já foi
rechaçada pelo povo nas eleições presidenciais, quando a venda de 121 estatais
esteve no centro do debate no segundo turno. “Estamos propondo a criação de um
Comitê de Defesa da Cesp. Vamos discutir com todos os partidos na Assembléia
Legislativa e pedir uma audiência com o governador José Serra, pois na campanha
eleitoral ele não falou em privatização das estatais”, disse Bira.
“Em nome do presidente nacional da NCST, José
Calixto, nos somamos a essa luta do povo brasileiro e de São Paulo, pois sabemos
o que significa a política de privatização no país. O que nós precisamos não é
de privatização e sim de mais investimentos das estatais para baratear as
tarifas. O que nós precisamos é de investimentos em saúde e educação para
melhorar as condições de vida do povo brasileiro”, frisou o presidente regional
da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST-SP), Luiz Gonçalves (Luizinho).
A disposição do governo do Estado de São Paulo em
retomar as privatizações se deu em abril no ano passado, quando foi anunciado
que as 18 empresas estatais restantes seriam avaliadas: Cesp (energia elétrica),
Nossa Caixa (crédito imobiliário, crédito rural etc.), Sabesp (saneamento básico
e abastecimento de água), Metrô (transporte), CDHU (habitação), CPTM
(transporte), Dersa (construção, fiscalização e administração de estradas), Emae
(energia), Cosesp (seguros), Cetesb (saneamento ambiental), Prodesp
(processamento de dados), EMTU (transporte) e Imprensa Oficial. Para concretizar
a venda, foram contratados os bancos Fator (avaliação) e Citibank (modelagem de
venda).
No ato, realizado em frente à Secretaria de
Saneamento e Energia, as centrais e entidades do movimento popular denunciaram
que a privatização de companhias energéticas redundou em um aumento exponencial
das tarifas. Com efeito, levantamento feito pelo Dieese/Sinergia, com base em
dados da Aneel e do IBGE, é ilustrativo do resultado da alienação do patrimônio
público. Entre 1997 e 2007, enquanto o acumulado do Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação, atingiu 93,53%, na região Sudeste
o reajuste médio de energia elétrica totalizou 327%. Isoladamente, o aumento da
tarifa residencial foi de 262,94% e da iluminação pública, 265,64%. Até mesmo um
estudo do Banco Central, da série “Perguntas mais freqüentes”, constata que um
dos principais fatores para o crescimento dos preços administrados – nos quais
estão incluídas as tarifas de energia elétrica –, bem superior ao IPCA, “foi a
privatização dos serviços públicos”.
Para a presidente da União Municipal dos Estudantes
Secundaristas (UMES), Michele Bressan, “é inadmissível a continuidade da
política de desmonte do Estado, que já se um mostrou prejudicial à população
desde que foi implantada há 12 anos em São Paulo. A educação vai de mal a pior,
a saúde também e as tarifas de energia e telefonia ganham de longe da inflação.
As entidades estão se mobilizando para impedir que seja entregue uma empresa
estratégica para o país”.
A modelagem de venda da Cesp estabelecida pelo
Citibank é um primor. Não se pense que não foram definidas “obrigações” ao
açambarcador. O banco norte-americano pensou nisso e estabeleceu que a obrigação
número 1 do monopólio privado que venha a empalmar a Cesp é o “cumprimento dos
Acordos Coletivos”. Mas o cumprimento dos acordos é uma coisa que todas as
empresas são obrigadas. Colocar isso como “obrigação” é no mínimo risível e não
constitui vantagem nenhuma, assim como a garantia de que a sede continuará em
São Paulo. Em caso de venda para uma das empresas estrangeiras que já visitaram
o data room, os lucros serão remetidos para o exterior, independente de sua
localização, do mesmo jeito que serão praticadas tarifas extorsivas, como já vêm
acontecendo com as empresas que foram privatizadas.
CGTB, NCST, CUT, CNAB, UEE-SP, UMES, CMB, Sindicato
dos Vigilantes de Campinas, Sindicato dos Hoteleiros de São Paulo, além de
outras entidades, anunciaram que voltarão às ruas para barrar o leilão da Cesp.
VALDO ALBUQUERQUE – Hora do Povo