Centrais lançam campanha unificada pela
jornada de trabalho de 40 horas
CGTB, CUT, Força, CTB, UGT e NCST fazem
manifestação no centro da capital paulista e paralisações, coletando dezenas de
milhares de assinaturas pela redução da jornada de trabalho sem redução de
salário

As centrais sindicais CGTB, CUT, Força, CTB, UGT e
NCST lançaram segunda-feira, no centro da capital paulista, a Campanha Nacional
Unificada pela Redução da Jornada de Trabalho sem Redução de Salário. Com a
presença dos principais dirigentes do sindicalismo brasileiro, a mobilização
teve início com a coleta de milhares de assinaturas em defesa do Projeto de
Emenda Constitucional que será encaminhado ao Congresso Nacional. Em apoio à
medida, centenas de motoqueiros se somaram à manifestação em frente ao Teatro
Municipal, na Praça Ramos de Azevedo.
No local, as centrais instalaram barracas para a
coleta de assinaturas e distribuíram panfletos e informativos sobre os impactos
positivos da medida para a melhoria das condições de vida e trabalho, e para o
próprio país, pois mais emprego e renda fortalecerão o mercado interno. Conforme
dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos), a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais
vai gerar, numa primeira etapa, mais de 2,2 milhões de novos postos de trabalho.
Para o vice-presidente da Central Geral dos
Trabalhadores do Brasil (CGTB), Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), “a diminuição
da taxa de juros e o controle da remessa de lucros das multinacionais para suas
matrizes devem somar-se à redução da jornada, a fim de fomentarmos o
desenvolvimento do mercado interno”. “Esta unidade da classe operária
brasileira, desde a primeira Marcha Nacional até hoje, garantiu grandes vitórias
aos trabalhadores. É com este objetivo que as centrais se unem em defesa da
redução da jornada”, acrescentou Bira.
EMPREGOS
O presidente nacional da Central Única dos
Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, afirmou que “com a redução da jornada de 44
para 40 horas poderemos gerar milhões de empregos, repartindo com o conjunto da
sociedade os imensos ganhos obtidos com o aumento da produtividade”. “A
produtividade de nossa indústria cresceu 150% nos últimos 15 anos. Os salários
médios no Brasil ainda estão abaixo da maioria dos países que mantêm relações
comerciais conosco. Esses dois fatores comprovam que há não apenas espaço, mas
necessidade da medida”, acrescentou Artur, sublinhando o empenho das centrais em
coletar milhões de assinaturas pela redução da jornada até o dia 1º de Maio.
MELHORIAS
O presidente regional da CGTB-SP, Paulo Sabóia,
ressaltou que esta é uma empreitada justa. “Em primeiro lugar, um menor número
de horas trabalhadas significa melhor distribuição de renda. Esta é uma luta não
só em benefício dos trabalhadores, mas do Brasil, como é o reconhecimento das
centrais, que vamos ter oficializado em breve”, ressaltou Sabóia.
O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos
Gonçalves (Juruna), lembrou que, só na capital, mais de 15 mil metalúrgicos
paralisaram as atividades nesta segunda em apoio à redução da jornada e que “as
centrais continuarão caminhando juntas para garantir direitos e ampliar
conquistas para a classe trabalhadora”.
O presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT),
Ricardo Patah, salientou que a redução da jornada tem dois viés importantes: “o
do tempo para a qualificação, pois quem trabalha 52 horas por semana não
encontra chance de se aperfeiçoar profissionalmente e o da inclusão, abrindo
espaço para novas contratações, numa perspectiva solidária”.
Segundo o presidente regional da CUT-SP, Edílson de
Paula, “a unidade demonstrada neste dia histórico deve ser reproduzida agora nos
locais de trabalho e nas mobilizações de rua, arregaçando as mangas para
colhermos mais de cinco milhões de assinaturas”. De acordo com Edílson, “além de
mais empregos, a redução da jornada significará melhores condições de vida e
trabalho, com menos acidentes e mais tempo para qualificação”.
De acordo com o presidente da Central dos
Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, “a Campanha
Nacional Unificada é fundamental para que o país salde uma dívida histórica com
a classe trabalhadora, gerando milhões de empregos e redistribuindo a renda
nacional”.
RECONHECIMENTO
O reconhecimento das centrais, enfatizou o
presidente estadual da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST), Luiz
Gonçalves, “é um reflexo do peso que a classe trabalhadora, através das suas
entidades, começa a ter nos destinos do país a partir do aprofundamento da sua
unidade e mobilização”. “O reconhecimento das centrais sindicais em lei é uma
bandeira de luta de muitos anos que, em breve, será consolidada”, concluiu.
A coleta de assinaturas segue firme em todo o país
até o Dia do Trabalhador.
Fonte: Hora do Povo