Antonio Neto: “Hora de reduzir a jornada e pôr fim às demissões imotivadas” 

“A unidade das centrais sindicais tem papel fundamental na mobilização popular e na pressão sobre a Câmara e o Senado para garantir direitos e ampliar conquistas”, frisou

Em entrevista concedida ao jornal Hora do Poovo, o presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e vice-presidente da Federação Sindical Mundial (FSM), Antonio Neto, destaca a ação conjunta das centrais como elemento decisivo para garantir direitos e ampliar conquistas para a classe trabalhadora. Redução da jornada, negociação coletiva para os servidores públicos, fim das demissões sem justa causa e participação dos trabalhadores na direção de estatais são pautas comuns, que farão parte da agenda do sindicalismo brasileiro neste primeiro semestre, destaca Antonio Neto.

As centrais voltam às ruas de forma unificada dia 11 pela redução da jornada. Como será esta campanha?

Vamos fazer uma grande campanha nacional, com atos públicos por todo o país, com carros de som, distribuição de panfletos, realização de comícios e passeatas, mostrando aos trabalhadores e à população em geral a importância da redução da jornada de trabalho sem redução de salário. Esta será uma grande conquista, não só das centrais, mas do Brasil. Quando nós apresentamos esta reivindicação para o presidente Lula, dissemos que há um Projeto de Emenda Constitucional dos senadores Inácio Arruda e Paulo Paim que trata deste mesmo tema: reduz a jornada para 40 horas semanais, inicialmente, e no segundo momento para 36 horas. Então o presidente Lula sugeriu que as centrais ajudem a encaminhar este projeto no âmbito do Congresso Nacional, para que ele possa caminhar efetivamente com respaldo de iniciativa popular. E para dar força a esse PEC, vamos às ruas colher milhões de assinaturas.

Como será realizada esta coleta?

Como vínhamos trabalhando esta campanha há mais de um ano, decidimos reunir todas as centrais e fazer a coleta das assinaturas até o mês de maio. Com este objetivo, o primeiro lançamento será na próxima segunda-feira, dia 11, na Praça Ramos, centro da capital paulista. Queremos envolver não só os trabalhadores nas empresas, com os sindicatos colhendo assinaturas nos locais de trabalho, mas também ganhar a população em geral. É fundamental que a sociedade compreenda a importância de reduzir a jornada para o país gerar  mais empregos e ampliar a distribuição de renda.

Começam a ser concretizadas as propostas da 4ª Marcha da Classe Trabalhadora?

Ganhando a votação no Congresso com a ratificação das convenções 151 (que garante o direito dos servidores à negociação coletiva) e 158 (que coíbe a demissão sem justa causa) e conseguindo reduzir a jornada de trabalho para 40 horas, estaremos materializando as bandeiras da 4ª Marcha, que reuniu mais de 40 mil trabalhadores, em Brasília, em dezembro do ano passado.

De que forma a audiência com o presidente contribuiu para esses avanços?

Ao receber os sindicalistas, o presidente Lula assumiu em público o compromisso com três reivindicações da Marcha: a participação dos trabalhadores na direção das empresas estatais, e a ratificação das convenções 151 e 158 da OIT, após aprovadas no Congresso. Lembrando que a 158 já havia sido ratificada pelo governo de Itamar Franco, mas, a política neoliberal de atentado aos direitos trabalhistas de Fernando Henrique jogou esta vitória na lata do lixo. O apoio do presidente Lula tem sido fundamental.

Das ruas a batalha vai para o Congresso...

Após a mobilização da próxima segunda, uma numerosa delegação de sindicalistas vai estar em Brasília no dias 13 e 14 respaldando o projeto com essas reivindicações, que será entregue à Câmara e ao Senado. A convenção 151 não só regulamenta a obrigatoriedade de negociação entre o funcionalismo público e os governos federal, estadual e municipal, mas garante os mesmos direitos dos trabalhadores da iniciativa privada – a data-base, o acordo coletivo e o direito de greve. Já a 158, sendo aprovada e ratificada, coíbe as demissões imotivadas, ou seja, que os patrões demitam ao seu bel-prazer, para satisfazer sua vontade. A partir daí, acabamos com essa falta de respeito com aqueles que produzem, impedindo que sejam jogados na rua sem qualquer motivo, como é atualmente.

E o reconhecimento das centrais?

Aprovado no Senado, o projeto de reconhecimento das centrais sindicais agora retorna à Câmara e entra em pauta depois de votadas as seis medidas provisórias que estão trancando a pauta da Casa. E para garantir a sua aprovação, vamos visitar todos os gabinetes, num grande mutirão. Esta sensibilização dos parlamentares será um poderoso instrumento de luta política.

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Atualizado em 07/03/08 11:25:09