Cresce a unicidade

 

ANTONIO NETO

 

 

A esmagadora maioria do movimento sindical brasileiro é contra a proposta de “reforma” sindical elaborada pelo Ministério do Trabalho. O 25 de março, organizado pelo Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST), foi a maior manifestação da História do movimento sindical. Foram 30 mil dirigentes em Brasília pela unicidade e pela redução significativa dos juros. Uma coisa ainda necessariamente ao lado da outra.

 

A idéia de dividir o movimento sindical não é nada original. É coisa de fora. Da OIT (Convenção 87), que hoje é manipulada pelas grandes potências e pelo sistema financeiro. Serve para minar nossa resistência. Para impor o principal que é a “reforma” trabalhista, isto é, acabar com direitos históricos como aposentadoria, férias, 13º salário, Fundo de Garantia, etc.

 

A lógica é essa: arrochar mais os trabalhadores para sobrar mais e pagar mais juros. É assim que pensam o FMI e companhia: “Vocês só se desenvolvem com o dinheiro de fora”. Com essa ideologia fazem todo o tipo de chantagem, submetem o mercado e impõem juros altíssimos, que drenam toda nossa energia.

 

É por isso que não existe consenso algum sobre essa “reforma”, nem no movimento sindical, nem no Fórum Nacional do Trabalho (FNT). A CGTB é contra. As Conferências organizadas pelas DRT´s em todos os estados e promovidas pelo próprio FNT foram integralmente contra. 

 

DEMOCRACIA 

 

Essa “reforma” não tem nada de pluralismo. Só existe pluralismo quando vários pensamentos atuam dentro da mesma instituição. É assim que funciona a democracia. Ninguém cria outra prefeitura porque perdeu a eleição.

 

Também é besteira achar que vamos nos desenvolver baseados no capital estrangeiro, na “credibilidade” externa. Ou nos apoiamos no mercado interno, no poder de consumo dos trabalhadores e no investimento da indústria nacional ou vamos para o vinagre.

 

Tem é que ter um Estado forte que contrarreste os monopólios. Tem de diminuir os juros, disciplinar o fluxo de capitais e estimular o investimento. Ou seja, o Estado nacional é quem pode liberar o mercado da opressão dos monopólios. Deixar eles atuando sozinhos ou, o que é pior, colocar o Estado a serviço do apetite deles é o caminho do inferno.

 

A eleição de Lula levantou o nosso povo e revolucionou a nossa auto-estima. O Brasil não é mais o mesmo e não vamos voltar para atrás. Foi isso o que disse o 25 de março.

   

 

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Atualizado em 04/12/08 08:53:18